“Algumas mulheres não querem ser como você… querem provar que conseguem tirar de você tudo o que você tem.”
Peter Frampton
Eu percebi, no instante exato em que o olhar de Stephany mudou, que aquilo tinha deixado de ser apenas uma discussão, porque o que apareceu ali não foi só raiva ou curiosidade, foi algo muito mais perigoso: um interesse frio e calculado, típico de quem não aceita perder e já começa a pensar em como tomar de volta.
— Foi ela, não foi? — a pergunta veio mais alta do que o necessário, carregada de uma irritação crescente que ela já não fazia questão de esconder, como se a resposta já estivesse formada na cabeça dela e o que ela realmente quisesse fosse apenas a confirmação.
Eu não respondi. E isso foi o suficiente.
Ela soltou uma risada curta, sem humor, passando a mão pelo cabelo de forma impaciente enquanto começava a andar pela sala, com passos rápidos demais para alguém que estava tentando manter o controle.
— Eu sabia… — murmurou, mas não havia satisfação na sua voz, apenas tensão — sabia que tinha alguma coisa errada no momento em que eu olhei para você e te vi com essa cara.
Eu fechei a mandíbula, já irritado.
— Stephany…
— Não. — ela me interrompeu com firmeza, se virando de frente para mim com os olhos levemente vermelhos, denunciando a raiva que crescia rápido demais para ser controlada — não vem com isso agora, porque você nunca age assim.
Ela deu um passo à frente.
— Nunca.
O dedo apontou na minha direção, acusador.
— Você nunca negou sexo para mim, quer me explicar o que porra aconteceu?
A palavra ficou no ar, pesada, carregada de algo que não era só irritação.
Era ego, comparação e disputa.
— Não é isso. — respondi, seco.
— Não é isso? — ela repetiu, mas agora havia incredulidade misturada com algo mais perigoso, algo mais pessoal — então o que é, Peter?
O silêncio se estendeu por alguns segundos, até que ela inclinou levemente a cabeça, me observando com mais atenção, como se estivesse finalmente encaixando a última peça que faltava.
— Eu a vi.
Stephany soltou o ar pelo nariz, mas, dessa vez, a reação não foi imediata, porque algo mudou no olhar dela, como se estivesse esperando mais, como se ainda houvesse uma parte da história que não tinha sido dita.
— E…? — pressionou, cruzando os braços, já impaciente.
Eu hesitei por meio segundo. E foi exatamente esse meio segundo que fez tudo mudar.
— Ela tá noiva.
Stephany ficou imóvel por um instante, e seus olhos se arregalaram levemente, primeiro em surpresa e, logo em seguida, em um interesse imediato que ela não conseguiu disfarçar.
— Noiva…? — repetiu, mais baixo agora, como se estivesse testando o peso da palavra. — De quem? — perguntou, agora com a voz mais controlada, mas claramente mais interessada do que antes.
Eu soltei o ar, sem paciência.
— Edward Alexander Fitzgerald.
O nome caiu entre nós, e o impacto foi imediato. Stephany piscou algumas vezes enquanto assimilava a informação e, em segundos, sua expressão mudou de surpresa, para interesse.
— O CEO? — murmurou, quase sem acreditar, mas com uma intensidade crescente na voz — o herdeiro daquele império bilionário?
Ela soltou uma pequena risada, desacreditada, passando a mão pelo cabelo enquanto andava alguns passos para trás, como se precisasse de espaço para processar aquilo.
— O arrogante, egocêntrico… — continuou, mas agora havia algo diferente no tom, algo mais carregado — e absurdamente charmoso Edward Fitzgerald?
Ela balançou a cabeça devagar, como se tentasse aceitar aquilo, mas sem conseguir.
— Sério isso, Peter? — perguntou, agora olhando diretamente para mim, com uma mistura evidente de irritação e incredulidade — o que um homem como aquele iria querer com uma garota como a Dayse?
A pausa foi curta, mas carregada de julgamento.
— Porque, sinceramente… — acrescentou, com um meio sorriso que não tinha nada de leve — ela nunca teve nada de especial para chegar nesse nível.
O comentário dela me deixou ainda mais irritado.
Meu maxilar travou na hora.
— Cuidado com o que você fala. — minha voz saiu mais baixa, mas carregada de um aviso claro — você não sabe do que está falando.
Stephany ergueu uma sobrancelha, claramente surpresa com a reação.
— Ah, não sei?

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