“Algumas provocações não são acidente… são convite.”
O problema nunca foi o álcool, foi o que ela decidiu fazer depois dele.
O bar estava mais lotado, mais barulhento e vibrante do que nunca, mas para Edward Fitzgerald nada ali importava de verdade.
Nada, exceto ela.
Dayse se encontrava encostada no balcão, com o quinto shot já vazio à sua frente, enquanto os dedos delicados giravam o copinho vazio num movimento lento e repetitivo, como se aquele pequeno gesto pudesse organizar o caos que fervia dentro dela.
— Mais um — pediu ao bartender, sem sequer olhar para ele.
Marina suspirou ao seu lado, preocupada.
— Dayse…
— Não começa — cortou impaciente, já levando o novo copo aos lábios e virando tudo de uma vez, sentindo o líquido queimar garganta abaixo como se pudesse apagar o fogo que só fazia crescer.
Mas não apagava. Só alimentava.
Edward observava tudo de longe, com o corpo relaxado contra a cadeira, o copo ainda intocado na mão. Seus olhos verdes estavam escuros e fixos nela com uma atenção profunda, silenciosa e intensa demais para ser apenas casual. Ao seu lado, Adrian balançou a cabeça.
— Isso vai dar problema, cara.
Edward não respondeu. Apenas inclinou levemente a cabeça, analisando cada detalhe: cada movimento, cada respiração, cada sutil mudança na postura dela.
E então Dayse riu.
Um riso repentino, solto, quase desafiador. Soltou o copo no balcão com um clique seco e virou o corpo com determinação.
— Eu vou dançar — anunciou, sem dar espaço para discussão.
Marina piscou, surpresa.
— Você vai o quê…?
Mas Dayse já estava indo, caminhando em direção à pista sem esperar respostas, com passos leves, porém claramente influenciados pelo álcool que corria quente em suas veias.
A música pulsava mais forte agora, as luzes baixas e difusas criavam sombras sensuais que tornavam tudo mais perigoso, mais permitido. Dayse entrou na pista como se aquele espaço fosse dela por direito. E, naquela noite, talvez fosse mesmo.
Edward a seguiu com o olhar, devorando cada centímetro do vestido vermelho curto e justo que ela usava, um tecido brilhante e sedoso que se colava ao corpo como uma segunda pele, marcando cada curva generosa dos quadris, da cintura fina e do bumbum empinado. O comprimento era escandalosamente curto, mal cobria a parte superior das coxas e ameaçava subir a cada movimento.
Mas o que realmente o deixou com a garganta seca foi o decote profundo que descia até a base da coluna, e revelava a pele macia e dourada, sem sutiã, totalmente exposta ao olhar dele e ao ar quente do bar.
Aquela visão era pura provocação.
Seu corpo começou a se mover no ritmo da batida, solto, sem a contenção rígida que ela tentou manter a noite inteira. Os cabelos longos caíam sobre os ombros, os olhos semicerrados, os lábios entreabertos, a respiração mais profunda e entregue. A cada rebolada, o vestido subia um pouco mais nas coxas, e as costas nuas brilhavam sob as luzes baixas, convidando o toque.
Marina arregalou os olhos.
— Porra, Dayse… — murmurou bem perto do ouvido dela, com a voz rouca carregada de desejo. — Você tá rebolando assim de propósito, né? Sabendo que tá me deixando louco…
Ela soltou um gemidinho baixo, quase inaudível por causa da música, mas ele sentiu. Sentiu o corpo dela tremer levemente contra o seu, sentiu o jeito como ela pressionou ainda mais a bunda contra a ereção crescente que já marcava o tecido da calça.
— E você gosta, não gosta? — provocou, virando o rosto de lado, sussurrando com a voz manhosa e safada. — Quer que eu pare?
Edward fechou os olhos por um segundo, travando o maxilar enquanto lutava para manter o controle. Suas mãos deslizaram um pouco mais para baixo, apertando os quadris dela com mais força, puxando-a contra si num movimento quase bruto.
— Cuidado, amor… — rosnou contra o pescoço dela, roçando os lábios contra sua pele quente. — Continua me provocando assim e eu vou te arrastar pra algum canto escuro desse bar, levantar esse vestido curto, te empurrar contra a parede e te comer tão fundo que você vai esquecer até o próprio nome.
Dayse riu novamente, baixa e provocante, rebolando mais devagar, sentindo claramente o volume duro pulsando contra ela. O corpo dela respondia com vontade própria, se encaixando perfeitamente no dele, e a tensão sexual entre os dois era gritante.
Marina, do outro lado do bar, observava tudo com os olhos arregalados.
— Meu Deus do céu…
Clara, já bem alcoolizada, virou o rosto para a pista e sorriu largamente.
— Isso aí, amiga! — gritou, rindo. — Mostra quem manda!
Naquele instante, Edward percebeu que ele não estava mais no controle daquela situação.
E, pela primeira vez, ele não tinha certeza se queria estar.

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