“Algumas noites acabam… mas deixam consequências que acordam junto com você.”
Dayse não sabia dizer se o que a acordou foi a luz do sol ou o leve desconforto de perceber que alguma coisa, definitivamente, tinha saído do controle na noite anterior.
A luz da manhã atravessava as cortinas com timidez, espalhando um brilho suave pelo quarto e iluminando o corpo de Dayse largado sobre os lençóis de uma forma que, se ela estivesse consciente o suficiente, acharia até cinematográfica.
Mas não estava.
O que ela sentia, naquele momento, era: Dor de cabeça, boca seca e uma sensação estranha de… perigo emocional iminente.
Piscou algumas vezes, lentamente, como se cada movimento exigisse mais esforço do que o normal, tentando juntar pensamentos que pareciam ter sido embaralhados durante a madrugada.
Respirou fundo e, no instante seguinte, percebeu o ar frio tocando sua pele mais do que deveria, o que a fez olhar para baixo em silêncio, piscando uma, duas vezes, enquanto a realidade começava a se organizar diante dela.
— Não….
A palavra saiu baixa, descrente.
Ela estava completamente nua.
O lençol estava enrolado nas pernas como se tivesse perdido uma batalha durante a noite, e, para piorar, não havia absolutamente nenhuma peça de roupa no seu corpo, o que só tornava tudo ainda mais suspeito.
O coração dela disparou.
Devagar, ainda confusa e com o coração começando a acelerar, ela virou o rosto e congelou ao perceber que Edward estava ali, deitado na mesma cama, ao seu lado, dormindo tranquilamente como se nada tivesse acontecido.
Tranquilo demais para alguém que claramente tinha potencial para ser um problema naquela situação.
Ele estava deitado de lado, completamente relaxado, usando apenas uma cueca boxer preta que desenhava o corpo de forma ofensivamente injusta.
Dayse arregalou os olhos.
— Meu Deus…
O pensamento veio rápido, quase desesperado.
— O que aconteceu ontem?
E, antes que pudesse organizar qualquer resposta, memórias começaram a surgir de forma fragmentada e perigosamente sugestiva: ela rebolando na pista, rindo alto demais, sussurrando coisas no ouvido dele, os dois no carro, ela provocando, o vestido subindo, as mãos dela o tocando, o olhar intenso dele, o silêncio carregado… e então, de repente…
Nada.
Um vazio completo que a fez levar a mão ao rosto, tentando lidar com o que não conseguia lembrar.
— Não… não, não, não…
O pânico começou a subir.
— Será que a gente…? — perguntou para si sussurrando.
Os olhos desceram lentamente para o próprio corpo, depois para o dele, demorando um segundo a mais do que deveriam e, como se aquilo fosse informação demais para processar de uma vez, acabaram se perdendo no teto.
— Ai, meu Deus…
Ela se sentou rápido, puxando o lençol contra o peito como se aquilo fosse suficiente para apagar qualquer evidência do caos que provavelmente tinha acontecido. O movimento foi brusco o suficiente para fazer Edward se mexer lentamente, abrindo os olhos e virando o rosto na direção dela.
Por uns segundos, o silêncio durou entre os dois. Edward analisou a expressão dela paralisada, horrorizada e completamente perdida.
O canto da boca dele subiu devagar, num sorriso leve, mas claramente provocador.
— Bom dia, senhorita Whitmore… — a voz saiu rouca, arrastada pelo sono, mas carregada de diversão. — Relaxa, nós não transamos.
Houve uma pausa breve, claramente intencional.
— Eu não quis.
O silêncio se instalou, pesado o suficiente para fazê-la piscar uma vez, depois outra, até que finalmente…
— Você… não quis?!
O tom dela misturava incredulidade com algo que soava quase como um ataque pessoal, enquanto o rosto ficava vermelho e ela apertava o lençol contra o peito com mais força, como se aquilo pudesse protegê-la da situação.
— Você está falando sério?
Edward soltou uma risada baixa, claramente se divertindo com a situação, e se espreguiçou sem a menor pressa antes de se sentar na cama.
E foi exatamente nesse momento que tudo piorou muito.
Porque a cueca boxer fez questão de deixar evidente que o corpo dele não estava tão alinhado assim com aquela decisão racional da noite anterior.
Dayse viu.
Claro que viu e, pior ainda, não conseguiu ignorar. O olhar desceu sem permissão, traindo completamente a intenção de parecer indiferente e parou ali por tempo demais, enquanto o rubor subiu pelo rosto em uma velocidade absurda fazendo Edward perceber na mesma hora e sorrir sem vergonha nenhuma.
— Quer me ajudar a resolver isso?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe