“Alguns homens perdem o controle quando cedem ao desejo…outros perdem quando precisam resistir a ele.”
O problema de um homem como Edward Fitzgerald nunca foi o desejo.
Foi o fato de que, quando ele finalmente o sentia de verdade, controlar deixava de ser uma escolha e passava a ser uma guerra.
E naquela manhã, enquanto atravessava a empresa como se tudo ainda estivesse sob controle, havia algo nele que já tinha perdido.
Edward Fitzgerald não parecia um homem que tinha tido uma boa noite e Adrian percebeu isso antes mesmo de ele dizer qualquer coisa.
Não foi pelo atraso, porque Edward nunca se atrasava, nem pela roupa, que estava impecável, como sempre, o terno alinhado ao corpo como uma extensão natural de quem estava acostumado a comandar ambientes inteiros sem precisar levantar a voz.
Foi… o olhar.
Havia algo diferente ali.
Mais escuro, mais tenso e mais irritado.
Edward entrou na sala de reuniões sem anunciar sua presença, mas ainda assim foi como se o ar tivesse mudado de densidade no instante em que ele cruzou a porta, fazendo conversas morrerem no meio das frases e olhares se voltarem automaticamente para ele.
Adrian, que já estava sentado à direita da mesa, interrompeu o movimento de folhear alguns relatórios e ergueu os olhos com uma atenção imediata e precisa, como alguém que já conhecia aquele padrão.
E não gostou do que viu.
Porque Edward não estava apenas sério. Ele parecia afiado. O tipo de afiado que cortava antes mesmo de tocar.
— Podem começar. — disse, sem sequer cumprimentar ninguém, com a voz baixa, firme, carregada de uma impaciência controlada que não era comum, mas que, quando aparecia, significava problema.
Um dos diretores tentou iniciar a apresentação, mas bastaram poucos minutos para que o clima começasse a se deteriorar.
— Isso está errado.
A interrupção veio seca, direta e sem qualquer tentativa de suavizar.
O homem à frente da tela hesitou, claramente pego de surpresa.
— Senhor, eu acredito que…
— Você acredita ou você verificou? — Edward cortou novamente, inclinando levemente a cabeça, mantendo os olhos fixos nele com uma intensidade desconfortável. — Porque essas são duas coisas completamente diferentes e, no meu mundo, apenas uma delas é aceitável.
O silêncio caiu pesado.
Adrian observou o modo como Edward girava lentamente a caneta entre os dedos, o movimento aparentemente casual contrastando com a tensão sutil no maxilar, com a forma como os ombros estavam levemente mais rígidos do que o habitual.
Observou o tempo de resposta.
Mais curto.
Mais agressivo.
Mais… impaciente.
— Refaça — Edward continuou, empurrando o relatório de volta pela mesa com um gesto seco. — E da próxima vez, me entregue algo que não me faça perder tempo.
O homem assentiu rapidamente, claramente desconfortável.
E aquilo por si só, não era normal. Não daquele jeito. Edward sempre foi exigente, mas hoje ele estava… pessoal.
E Adrian percebeu no tom de voz dele, na escolha das palavras e no fato de que Edward não estava apenas corrigindo erros, estava descontando alguma coisa.
A reunião seguiu. Ou, pelo menos, tentou.
Porque cada comentário de Edward vinha carregado de um nível de sarcasmo que beirava o provocativo, cada observação parecia cuidadosamente escolhida para atingir exatamente onde doía mais, e cada silêncio dele entre uma fala e outra parecia mais pesado do que qualquer crítica direta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe