“Controle não é não sentir…é fingir que aquilo não pode te dominar.”
Edward Fitzgerald não estava fora de controle. Ele só estava perigosamente perto de perder.
E, para um homem como ele, a diferença entre uma coisa e outra, era exatamente o que tornava tudo mais instável.
Edward sustentou do amigo por um segundo. E então respondeu, com aquela calma que só aparecia quando ele estava à beira de perder completamente o controle.
— Eu fiz o suficiente.
Adrian soltou o ar pelo nariz, quase rindo.
— Isso não responde a pergunta.
Edward inclinou levemente a cabeça, com os olhos escurecendo de forma sutil, como se aquela conversa estivesse chegando perto demais de um ponto que ele não queria detalhar.
— Eu decidi não fazer.
A escolha de palavras não passou despercebida e Adrian estreitou os olhos.
— Decidiu… ou precisou?
Edward não respondeu imediatamente. E isso foi resposta suficiente.
Adrian deu um pequeno passo à frente, agora genuinamente interessado.
— Isso é novo.
Edward soltou um riso baixo, passando a mão pelo maxilar, pressionando os dedos levemente como se estivesse tentando aliviar uma tensão que ainda não tinha ido embora.
— Não romantize isso, Adrian.
— Eu não estou romantizando — ele rebateu, rápido. — Eu estou surpreso.
Edward desviou o olhar por um segundo. E aquilo também não era comum.
— Ela não facilitou.
Adrian sorriu de lado.
— Isso eu consigo imaginar. Eu vi o que ela fez com você na boate e confesso que não sei como conseguiu se segurar.
— Não — Edward continuou, agora olhando diretamente para ele, com uma intensidade mais baixa, mais perigosa — você não tem noção de como ela me provocou. Ela me masturbou dentro do carro, pediu para me chupar, ficou nua na minha frente praticamente me implorando para foder com ela.
Adrian corou ao imaginar a cena e disse:
— Não preciso saber dos detalhes Edward, pelo amor de Deus.
Edward se sentou irritado na cadeira.
Adrian ficou em silêncio por um instante. E então continuou devagar.
— Então deixa eu ver se eu entendi… — começou, com calma — você está assim… — Ele fez um gesto vago com a mão, indicando o estado evidente de irritação. — Porque você não fez algo que claramente queria fazer?
Edward soltou um riso sem humor.
— Eu estou assim — corrigiu, com a voz mais baixa — porque eu quase fiz.
A diferença era sutil, mas enorme, e Adrian absorveu aquilo no mesmo instante, ficando sério pela primeira vez desde que entrou na sala, porque agora tudo fazia sentido.
Não era sobre falta de oportunidade. Não era sobre dúvida. Muito menos sobre interesse.
Adrian inclinou levemente a cabeça, com os olhos estreitando com uma percepção mais afiada, quase cirúrgica, enquanto observava o amigo com mais atenção do que antes, como se estivesse finalmente encaixando as peças de um quebra-cabeça que, até então, parecia incompleto.
— Não foi falta de vontade… — murmurou, mais para si mesmo do que para Edward.
Edward não respondeu. Mas o silêncio dele confirmou.
Adrian soltou um breve suspiro pelo nariz, cruzando os braços com mais firmeza, enquanto o canto da boca subia de forma quase imperceptível, não em diversão, mas em reconhecimento.
— Você não fez porque não quis dar o braço a torcer.
A frase saiu calma, direta e precisa.
O olhar de Edward se moveu lentamente até ele.
Adrian assentiu uma vez, devagar, como se aquilo apenas confirmasse o que ele já sabia.
— Você podia ter transado com ela … — continuou, mantendo o tom baixo, quase analítico — mas decidiu não ceder.
Edward inclinou levemente a cabeça, enquanto os dedos tamborilavam uma única vez sobre a mesa antes de parar completamente, como se até aquele pequeno gesto tivesse sido interrompido por um controle consciente.
— Eu não preciso resolver nada com pressa.
A resposta veio fria e controlada.
Adrian soltou um leve riso sem humor.
— Não… — corrigiu, observando-o com mais atenção — você precisava mostrar que não era ela que estava no controle.
Edward desviou o olhar por um breve segundo, passando a mão pelo maxilar com uma pressão maior do que o necessário, como se estivesse contendo algo que ainda não tinha se dissipado completamente.
— Eu estou no controle.
A frase saiu baixa e firme. Mas, para Adrian não soou como certeza. Soou como afirmação e havia diferença.

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