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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 59

“O perigo não está em perder o controle… está em perceber que você quis perder.”

O problema não era ter acordado nua ao lado dele. Era lembrar, ainda que em fragmentos, que, em algum momento da noite, ela tinha desejado exatamente aquilo.

Dayse a encarou.

— Tem mais?

As duas se entreolharam.

— Tem — Marina respondeu.

Dayse já queria desaparecer.

— Você puxou ele pela nuca — continuou — trouxe ele pra perto… e falou alguma coisa no ouvido dele.

— O quê?

Clara sorriu.

— “Você não presta… mas é gostoso pra caramba.”

O silêncio foi absoluto e Dayse por um segundo, parou de respirar.

— Eu… falei… isso?

— Com todas as letras — Clara confirmou.

— Eu vou me jogar pela janela.

— Não vai mesmo. Não sem antes contar o que aconteceu aqui. Se bem que pela sua carinha a noite deve ter sido… intensa. — completou Clara.

Dayse apertou o lençol contra o corpo como se aquilo fosse suficiente para protegê-la da própria reputação.

— Intensa? — repetiu, com a voz levemente estrangulada — Clara, eu acordei nua ao lado dele.

O silêncio que veio depois não foi leve, foi pesado e carregado de interesse.

Clara arregalou os olhos, Marina piscou.

E então, lentamente…

— Você acordou? — Clara perguntou, já com um sorriso surgindo. — Então deve ter passado a noite inteira sendo comida por aquele Deus grego.

— Eu disse que eu acordei nua — Dayse repetiu, encarando as duas como se aquilo fosse um pedido de ajuda — completamente nua… e não que nós dois passamos a noite… transando. — completou corando.

— Ai amiga, fala sério. Você acorda peladinha ao lado daquele Deus do ébano e me diz que ele não te tocou?

Dayse fechou os olhos. Respirou fundo e respondeu:

— Não.

As duas travaram.

— Não? — Marina repetiu.

— Não — Dayse confirmou, abrindo os olhos devagar — ele disse que não quis.

O silêncio voltou. Mas dessa vez… diferente.

— Como assim não quis? — Clara perguntou, completamente incrédula.

— Exatamente assim — Dayse respondeu, irritada e ainda vermelha — ele simplesmente… decidiu não fazer.

Clara deixou escapar uma risada desacreditada.

— Ah não, isso aqui já virou questão de ego.

— Eu também achei — Dayse murmurou, cruzando os braços, ainda segurando o lençol — até eu perceber o problema.

Marina estreitou os olhos.

— Que problema?

Dayse hesitou por um segundo ou dois.

— O corpo dele não estava exatamente… alinhado com essa decisão.

Clara engasgou com o próprio riso.

— Amiga…

— E ele ainda teve a coragem — Dayse continuou, cada vez mais revoltada e constrangida ao mesmo tempo — de olhar pra mim, com aquela cara de quem não presta, e perguntar se eu queria ajudar ele a “resolver aquilo”.

O silêncio durou apenas alguns segundos.

Clara explodiu na gargalhada.

— EU NÃO ACREDITO!

Marina levou a mão à testa, completamente chocada.

— Ele não fez isso?

— Fez — Dayse confirmou, apontando para si mesma — e o pior não foi isso.

As duas ficaram imediatamente atentas.

— Foi o fato de que… — ela parou, respirando fundo, claramente irritada consigo mesma — o meu corpo reagiu.

Clara parou de rir.

Marina piscou.

— Reagiu como? — Clara perguntou, agora com um interesse ainda mais perigoso.

Dayse fechou os olhos por um segundo.

— Do jeito errado.

O canto da boca de Clara subiu lentamente.

— Ou do jeito certo demais?

— CLARA!

— Eu só estou analisando!

Marina ainda parecia presa no choque.

— E depois disso?

Dayse passou a mão pelo rosto.

— Depois disso ele simplesmente se vestiu, como se nada tivesse acontecido, me liberou do trabalho e disse que mais tarde tínhamos um evento… e que iria precisar da “noiva” dele.

— Ah Dayse, você devia ter reagido e caído de boca logo no pau dele.

Marina arregalou os olhos corando e ignorou completamente o comentário da amiga mudando de assunto.

— Evento? — Marina repetiu.

— Que evento? — Clara completou, já interessada.

Dayse deu de ombros, exausta.

— Eu não sei… ele só disse isso e foi embora como se não tivesse acabado de destruir a minha estabilidade emocional.

Clara cruzou os braços.

— Tá… então deixa eu ver se eu entendi…

Deu um passo à frente.

— Você quase arrancou a roupa dele em público, provocou ele até o limite, acordou nua ao lado dele, não transou, quase ajudou a “resolver” a situação de manhã…

— EU NÃO AJUDEI!

O silêncio caiu e Dayse engoliu seco.

— Essa informação não ajuda — murmurou.

Clara inclinou a cabeça, analisando.

— Ajuda sim. Porque isso muda tudo.

— Como assim muda tudo?

— Simples — Clara respondeu, dando de ombros — se ele tivesse cedido, seria só mais um cara. Mas ele não cedeu.

Os olhos dela brilharam de leve.

— Isso torna ele perigoso.

Dayse sentiu o estômago revirar. Porque ela já sabia disso.

— Ele não cedeu… — repetiu baixo, mais para si mesma do que para elas — mas deixou bem claro que podia.

Marina cruzou os braços.

— E você?

Dayse levantou o olhar.

— Eu o quê?

— Você também deixou claro que queria.

O impacto veio direto e sem filtro.

Dayse desviou o olhar.

— Eu estava bêbada.

— Estava — Clara concordou — mas não estava inconsciente.

E aquilo a atingiu. Porque não era mentira.

Dayse passou a mão pelos cabelos, frustrada.

— Eu odeio vocês.

— Você ama a gente — Clara corrigiu.

— Amo… — Dayse murmurou — mas odeio o fato de vocês estarem certas.

Clara sorriu, satisfeita.

— Sempre estamos.

Marina suspirou, mudando o foco.

— Tá… vamos voltar pro ponto importante.

Dayse fechou os olhos.

— Tem mais?

— Sempre tem mais — Clara respondeu.

— O evento— Marina completou.

— O evento? — repetiu Dayse confusa.

— Sim. Vamos escolher um vestido digno para a noiva do homem mais poderoso e desejado dos Estados Unidos.

Dayse não respondeu imediatamente.

Porque, naquele instante, não era o jantar que a deixava nervosa. Era o fato de que, quando ficasse diante dele outra vez, ela não sabia se ainda teria controle suficiente para fingir que nada daquilo tinha acontecido.

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