Dayse Whitmore
— Ele quer que eu me case com ele.
Marina ficou imóvel por dois segundos inteiros, como se estivesse tentando processar a bomba que eu acabava de soltar.
Então piscou.
— O quê?
Clara começou a rir.
— Você ainda não ouviu nada amiga.
— Clara! — reclamei.
Mas Marina ainda estava olhando para mim como se eu tivesse acabado de dizer que a Terra era plana.
— Dayse… — murmurou ela lentamente. — Você está falando sério?
— Sim. Na verdade é um casamento de mentira. Ele precisa de uma falsa esposa por causa do avô, e… em troca… ele resolveria o problema do contrato.
Marina abriu a boca, fechou e depois abriu novamente.
— Espera… espera… espera…
Ela colocou as duas mãos na mesa.
— Você está me dizendo que o presidente da empresa te chamou na sala dele e pediu para casar com você?
— Exatamente.
Clara levantou o copo.
— Não é romântico?
Eu revirei os olhos. Mas Marina ainda não tinha terminado de processar.
— Isso é um absurdo.
— Eu sei.
— Parece um roteiro de novela das seis, isso sim. — disse Clara com um sorriso nos lábios.
Marina ainda me encarava surpresa, como se tentasse processar tudo o que eu havia dito.
— E você… o que respondeu?
Antes que eu pudesse responder, Clara se inclinou sobre a mesa com um sorriso perigosamente divertido.
— Ah, Marina… essa ainda nem é a melhor parte.
Eu estreitei os olhos para ela.
— Clara, eu juro que…
Mas ela ignorou completamente.
— A melhor parte é que a nossa querida Dayse aqui…
Ela apontou para mim novamente.
— Já passou uma noite inteira com aquele Deus do olimpo.
Marina congelou e virou lentamente a cabeça para mim.
— Dayse…
Eu fechei os olhos por um segundo, sabendo exatamente o que viria. Quando os abri novamente, ela ainda estava me encarando.
— Você está me dizendo que o homem com quem você passou a noite… é o Edward Fitzgerald?
Eu soltei o ar lentamente.
— Sim.
O silêncio que caiu sobre a mesa foi tão pesado que parecia possível tocá-lo.
— Meu Deus!
Clara tomou um gole da bebida e murmurou, satisfeita:
— Agora a história ficou interessante.
Engoli em seco e peguei o copo sobre a mesa.
— Isso não é interessante — murmurei, tomando um gole da bebida. — Isso é um desastre.
Clara sorriu como se estivesse assistindo ao começo de um espetáculo.
— Ah, querida… desastres são sempre interessantes.
Marina ainda parecia estar tentando organizar todas as peças daquela história dentro da própria cabeça.
Eu conseguia ver claramente o momento em que ela tentava alinhar os fatos: o contrato errado, a reunião com o presidente, a proposta absurda de casamento… e agora a pequena revelação que Clara tinha jogado na mesa com a delicadeza de uma granada.
Ela respirou fundo, apoiando os cotovelos sobre a mesa enquanto me observava com atenção.
— Dayse… — começou com cuidado — o que você pretende fazer?
Eu ainda nem tinha aberto a boca quando Clara respondeu por mim.

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