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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 65

“Ser escolhida é um privilégio… ser mantida, uma guerra.”

Quando Liliana se afastou, o silêncio que ficou para trás não trouxe alívio, não trouxe leveza, não trouxe aquela sensação de que o pior havia passado. Trouxe a certeza de que aquilo estava longe de terminar.

Margareth observou Liliana se afastar por um instante a mais do que o necessário, mantendo o olhar firme, estável, sem qualquer traço de preocupação ou hesitação, como se já conhecesse cada passo daquela mulher, cada movimento, cada intenção, e aquilo tudo fosse apenas mais uma repetição de algo que ela já havia visto antes e já sabia exatamente como terminaria.

— Algumas pessoas confundem tempo com importância — murmurou, com leve desdém, o canto dos lábios se movendo em um quase sorriso que não chegava aos olhos — nunca gostei dessa garota. Ela sempre foi fissurada pelo meu neto.

Houve uma breve pausa antes dela continuar.

O braço dela apertou levemente o de Dayse, firme o suficiente para ser sentido, suave o suficiente para não chamar atenção, como um gesto silencioso de contenção ou de proteção.

— E não se preocupe — continuou, voltando o olhar para ela com calma, com uma tranquilidade que parecia vir de alguém que nunca duvidou de suas próprias certezas — você não tem motivo para sentir ciúmes.

Dayse piscou, surpresa pela franqueza, enquanto os lábios se entreabriu por um segundo antes de se fecharem novamente, como se estivesse organizando o que dizer… ou decidindo se deveria dizer algo.

Margareth arqueou levemente a sobrancelha, em um gesto mínimo, elegante, mas carregado de significado, como se aquilo fosse óbvio e simples demais para sequer ser questionado.

— Edward sempre deixou muito claro para todo mundo qual era a natureza da relação deles — acrescentou, ajustando discretamente o bracelete no pulso, girando-o com precisão milimétrica — uma troca de favores… se é que me entende?

O tom não era escandalizado, nem moralista.

Era limpo, direto, quase entediado.

— Liliana sempre esteve por perto — continuou, com a mesma tranquilidade controlada, como quem descreve algo sem qualquer relevância real — sempre disponível, sempre presente… mas nunca foi escolhida.

Houve um pequeno intervalo. E então, quando voltou o olhar para Dayse, algo suavizou.

— E isso, minha querida… faz toda a diferença.

Dayse sentiu o impacto. Não pelo conteúdo das palavras, mas pela forma como foram ditas, pela segurança nelas, pela ausência total de dúvida.

Margareth inclinou levemente o rosto, analisando-a com mais atenção, os olhos percorrendo cada detalhe com calma, como se estivesse confirmando uma decisão que, no fundo, já havia tomado muito antes daquele momento.

— Liliana é como um perfume caro — murmurou, agora em um tom mais baixo, quase confidencial, aproximando-se apenas o suficiente para que aquilo não se espalhasse pelo ambiente — cheira bem, chama atenção… mas deixa dor de cabeça se você ficar perto demais.

Dayse soltou uma risada curta, nervosa, quase automática, levando a ponta da língua aos lábios ressecados em um gesto inconsciente.

Mas por dentro, o coração ainda batia rápido e descompassado demais.

Ela desviou o olhar por um segundo, tentando recuperar o próprio eixo, e deixou os olhos percorrerem o salão ao redor, mas o que antes parecia apenas um ambiente sofisticado, elegante, agora tinha mudado.

Rostos que antes pareciam apenas curiosos agora pareciam atentos demais. Conversas que antes fluíam naturalmente agora pareciam pausar quando ela passava, como se cada movimento dela fosse acompanhado, analisado, medido.

Cada sorriso carregava uma pergunta.

Cada olhar, um julgamento.

E então ela o viu.

Do outro lado do salão, em meio a três homens asiáticos de ternos impecáveis, todos perfeitamente alinhados, todos com postura de poder, todos envolvidos em uma conversa que, claramente, envolvia cifras altas demais para serem ignoradas.

Ele estava sério, focado com a postura reta, o maxilar levemente tensionado, a atenção aparentemente voltada para os negócios.

Mas, como se sentisse que estava sendo observado, ele virou o rosto lentamente na direção dela.

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