“Alguns homens escolhem… outros marcam.”
O problema não era mais o noivado ter se tornado público, era quem começava a reagir a ele.
Dayse sentiu o braço de Margareth se afastar devagar quando um homem alto, de cabelos grisalhos nas têmporas e um terno que custava mais do que um carro popular, se aproximou com um sorriso que não chegava aos olhos.
— Viktor Lang — ele se apresentou estendendo a mão para Dayse com uma lentidão deliberada. A voz tinha um sotaque alemão cortante, frio. — E você deve ser a famosa noiva que todo mundo está comentando esta noite.
Ele não soltou a mão dela de imediato. Os dedos dele apertaram um pouco mais do que o necessário, enquanto o polegar roçou a pele do pulso dela como se testasse a temperatura.
— Encantadora — murmurou, descendo os olhos pelo decote do vestido de Dayse com uma fome que não se dava ao trabalho de disfarçar. — Edward sempre teve bom gosto, mas dessa vez… se superou. Diga-me, senhorita Whitmore, como uma mulher como você consegue domar um homem como ele? Ou será que é ele que está deixando ser domado?
O sorriso de Viktor era afiado. Todo mundo ali sabia: ele e Edward eram rivais há anos. Negócios que tinham virado guerra pessoal. E agora Viktor via uma oportunidade de cutucar onde doía.
Dayse abriu a boca para responder, mas Viktor se inclinou um pouco mais perto, mantendo a voz baixa, só para ela.
— Se algum dia se cansar de ser o troféu dele, ou caso já esteja cansada, meu jato particular sai de Manhattan amanhã à noite. Eu sei tratar uma mulher que merece ser o centro das atenções, não apenas exibida.
O ar entre eles ficou pesado. Dayse sentiu o calor subir pelo pescoço.
Foi nesse exato segundo que a voz de Edward cortou o espaço como uma lâmina.
— Viktor.
Uma palavra. Só uma, mas carregada de tudo.
Edward surgiu ao lado dela, alto, imponente, o corpo logo ocupou espaço de forma que Viktor automaticamente deu meio passo atrás. A mão dele deslizou pela cintura de Dayse com possessividade, puxando-a contra o peito dele num gesto que não deixava margem para dúvidas.
Margareth observou a cena por um breve instante, com os olhos atentos, avaliando, e então inclinou levemente a cabeça, com uma elegância impecável.
— Com licença — disse, em tom suave, mas decidido — Edward querido, vou falar com a senhora Collins, não me demoro.
O olhar dela passou rapidamente por Viktor, firme o suficiente para deixar claro que havia mais ali do que educação e então ela se afastou, deixando-os sozinhos.
— Vejo que já conheceu minha noiva — disse com a voz baixa, controlada, mas com um tom de aviso que fez o salão parecer menor. Os dedos dele se espalharam na curva do quadril dela, apertando de leve, marcando território. — E , pelo visto, você continua ignorando limites básicos.
Viktor ergueu uma sobrancelha, nunca deixando o sorriso vacilar.
— Só estava parabenizando, Fitzgerald. — murmurou, desviando brevemente o olhar para Edward, analisando-o — Curioso, nunca vi você assim tão possessivo antes.
Houve uma pausa, lenta. E então ele voltou o olhar para Dayse, percorrendo-a de cima a baixo mais uma vez, sem pressa, sem vergonha, com um sorriso descaradamente sugestivo.
— Se bem que… — continuou, com um leve inclinar de cabeça — posso compreender o porquê.
Edward não sorriu. Apenas inclinou a cabeça, mantendo os olhos fixos nos do outro homem.
— Ela é minha — disse, por fim, com a voz baixa, firme, carregada de uma certeza que não admitia questionamento — cada centímetro, cada olhar, cada segundo que alguém acha que pode tirar dela… pertence a mim.
O tom não subiu. Mas o aviso ficou claro.
— Então sugiro que você volte para os seus negócios e esqueça que ela existe — completou — porque, da próxima vez que eu perceber você cruzando qualquer limite…
Uma pausa, curta e fria.
— Eu não vou ser tão educado.
Viktor sustentou o olhar por dois segundos. Depois riu baixo, ergueu as mãos num gesto de rendição fingida.
— Sempre intenso, Fitzgerald — comentou, antes de se afastar — espero que continue assim… vai ser interessante assistir.
Edward não o seguiu com o olhar. Toda a atenção dele estava agora em Dayse. Ele baixou a cabeça até os lábios roçarem a orelha dela.
— Você está bem? — murmurou, com a voz rouca, quente, baixa o suficiente para que só ela pudesse ouvir, mas ainda assim intensa o bastante para atravessar cada camada de controle que Dayse ainda tentava sustentar.
Dayse assentiu, mas o gesto saiu leve demais para ser convincente, porque o coração dela não estava apenas acelerado, estava descompassado, batendo contra as costelas como se tentasse escapar do próprio corpo.

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