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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 8

Dayse Whitmore

Quando ouvi a voz de Stephany atrás de mim, tive a estranha sensação de que o ar dentro daquele pub tinha ficado mais pesado.

Porque algumas pessoas pertencem ao passado. E outras aparecem exatamente quando você está tentando esquecê-las.

Por um breve instante, tive a estranha sensação de que o tempo havia desacelerado dentro daquele pub, como se o mundo inteiro tivesse decidido prender a respiração exatamente no momento em que Stephany apareceu ao lado da nossa mesa.

Ela estava parada ali com aquela postura impecável que sempre parecia cuidadosamente ensaiada, com o cabelo loiro caindo em ondas perfeitamente alinhadas sobre os ombros, o vestido claro marcando a cintura com elegância e aquele sorriso suave que, para qualquer pessoa que não a conhecesse bem, pareceria gentil… quase caloroso.

Mas eu a conhecia e sabia exatamente o quanto aquele sorriso podia ser falso.

Atrás dela estava Peter. E quando meus olhos finalmente se encontraram com os dele, senti algo apertar dentro do meu peito de forma tão repentina que precisei controlar a respiração para não demonstrar absolutamente nada.

Ele estava me olhando e não era um olhar casual, nem um daqueles olhares constrangidos que as pessoas costumam lançar quando encontram alguém do passado em um lugar inesperado.

Era intenso e pesado. Como se ele estivesse tentando decifrar alguma coisa que ainda não compreendia completamente.

Durante alguns segundos que pareciam longos demais, nenhum de nós disse uma palavra e Stephany percebeu. Ela sempre percebia quando a atenção de alguém não estava totalmente nela.

E, como se tivesse decidido marcar território de forma silenciosa, deslizou lentamente o braço ao redor da cintura de Peter e se encostou nele com uma naturalidade quase teatral, deixando os dedos repousarem sobre o peito dele em um gesto que não deixava dúvida alguma sobre a intimidade entre os dois.

O movimento foi sutil, porém cruel. E, talvez o pior de tudo, foi que Peter não se afastou.

Senti quando o corpo de Marina ficou rígido ao meu lado e quando levantei os olhos na direção dela, percebi imediatamente que minha amiga estava olhando para os dois com uma fúria tão clara que ela nem sequer tentou disfarçar.

Marina sempre foi a mais equilibrada e a mais racional entre nós. Aquela que geralmente pensa antes de reagir. Mas naquele momento… havia fogo no olhar dela.

— Vocês dois realmente têm muita coragem — disse por fim, com uma voz baixa que carregava um desprezo tão evidente que algumas pessoas nas mesas próximas começaram a prestar atenção.

Stephany ergueu uma sobrancelha com um ar quase divertido, como se aquela reação fosse apenas um pequeno detalhe em uma noite comum.

— Coragem? — repetiu, inclinando levemente a cabeça.

O sorriso dela se abriu um pouco mais, carregado de uma falsa inocência.

— Eu só vim cumprimentar uma velha amiga.

Clara soltou uma risada curta ao meu lado. Aquela risada específica que eu conhecia bem demais, a mesma que sempre surgia alguns segundos antes de ela começar uma discussão daquelas que ninguém esquecia.

Eu vi quando ela se levantou devagar da cadeira, empurrando-a para trás com um pequeno ruído no chão de madeira.

— Velha amiga? — repetiu, com um tom tão carregado de ironia que até algumas pessoas em outras mesas começaram a virar o rosto na nossa direção.

Ela apoiou as duas mãos sobre a mesa e inclinou ligeiramente o corpo para frente, encarando Stephany com um sorriso frio que não tinha absolutamente nada de amigável.

— Stephany, você realmente tem uma cara de pau impressionante.

Stephany piscou, claramente surpresa por não encontrar o tipo de recepção educada que provavelmente esperava.

— Perdão?

Clara cruzou os braços com uma calma quase teatral.

— Você trai a sua melhor amiga com o namorado dela…

Ela fez um gesto casual na direção de Peter sem sequer olhar diretamente para ele.

— E agora aparece aqui, abraçada com ele, como se estivesse fazendo uma visita social perfeitamente normal?

O sorriso de Stephany endureceu um pouco.

— Clara, eu acho que você está exagerando.

— Exagerando? — Clara repetiu, dando um pequeno passo à frente. — Quer que eu desenhe?

Foi Peter quem falou então.

— Já chega!

A voz dele saiu firme, baixa e carregada de uma autoridade que, em outro momento da minha vida, provavelmente teria me feito recuar.

Mas não agora.

Clara virou o rosto lentamente para ele, deixando escapar um sorriso cheio de desprezo.

— Olha só… — murmurou ela. — O príncipe resolveu participar da conversa.

Peter ignorou completamente o sarcasmo dela, mas os olhos dele voltaram para mim. E havia algo diferente naquele olhar, algo que me fez prender a respiração por um segundo. Não era apenas irritação ou orgulho ferido. Havia também um traço de arrependimento, como se ele estivesse percebendo tarde demais tudo o que tinha perdido.

— Dayse… — ele começou.

Levantei a mão imediatamente, interrompendo-o antes que pudesse continuar.

— Porque, diferente de algumas pessoas aqui, eu sei o que significa lealdade.

Marina, que até então estava apenas observando a cena com os braços cruzados, finalmente falou novamente. Sua voz saiu baixa mais afiada:

— Vocês dois deveriam sentir vergonha de aparecer na frente dela.

Peter voltou a olhar para mim. E, por um segundo… todo o bar pareceu desaparecer.

— Dayse…

Meu coração bateu mais forte dentro do peito, mas meu rosto permaneceu completamente impassível.

— Eu já disse para não falar comigo.

Stephany apertou o braço ao redor dele com mais força, como se quisesse reafirmar a posição que ocupava ao lado dele.

— Vamos embora, Peter.

Ela me lançou um olhar cheio de superioridade.

— Algumas pessoas simplesmente não sabem seguir em frente.

Peter hesitou por um segundo antes de se virar. Foi apenas um segundo, mas foi o suficiente para eu perceber que ele queria dizer alguma coisa… e não teve coragem.

Então ele foi embora com ela.

Fiquei olhando para a mesa por alguns segundos, sentindo o silêncio pesado que havia ficado no lugar deles.

Meu peito ainda doía. Doía mais do que eu gostaria de admitir. Mas, pela primeira vez naquela noite, uma coisa ficou clara dentro da minha cabeça.

Peter tinha feito a escolha dele e eu finalmente faria a minha.

Respirei fundo e peguei o copo à minha frente, girando o líquido devagar. Porque, de repente, a proposta absurda que Edward Fitzgerald tinha feito naquela tarde já não parecia tão absurda assim.

Talvez fosse exatamente aquilo que eu precisava.

Uma forma de fechar de vez a porta para o passado e começar algo completamente diferente.

Mesmo que fosse apenas um casamento de mentira.

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