“ Alguns homens não levantam a voz… porque não precisam.”
A porta da sala da presidência se abriu após duas batidas firmes e bem calculadas, seguidas por um movimento preciso, controlado, respeitoso, mas direto o suficiente para mostrar, desde o primeiro instante, que quem entrava ali sabia exatamente onde estava.
— Entre — disse Edward, sem levantar o olhar dos documentos espalhados sobre a mesa, com a voz baixa, firme e absolutamente segura, carregando aquele tipo de autoridade que não precisava ser reforçada, porque já estava presente em cada detalhe do ambiente.
O homem entrou com a postura ereta, o terno escuro perfeitamente ajustado ao corpo e o olhar atento, analisando tudo ao redor de forma discreta, sem parecer invasivo, mas preciso o suficiente para não deixar nada passar.
— Senhor Fitzgerald — começou, parando a uma distância adequada da mesa, mantendo o tom respeitoso, mas firme — Maksim Volkov.
Edward ergueu o olhar devagar, usando aquele gesto como parte da própria avaliação, analisando o rosto do homem, a postura e a forma como ele ocupava o espaço, sem demonstrar reação imediata, como alguém que não julga com pressa, mas também não deixa passar nenhum detalhe.
— O novo advogado — acrescentou Adrian, apoiado de maneira aparentemente relaxada na lateral da sala, mas com o olhar atento o suficiente para captar cada detalhe da interação.
Maksim assentiu, confirmando sem hesitação.
— Sim, senhor. Cheguei mais cedo hoje pela manhã, mas fui informado de que o senhor estava em uma reunião importante, então procurei a dra Hart, tive acesso aos principais contratos e já iniciei a análise de cada um deles, separando os pontos mais críticos e organizando as revisões necessárias.
Adrian arqueou levemente a sobrancelha, interessado de verdade agora.
— Rápido e eficiente — completou, sem esconder a aprovação.
Maksim inclinou a cabeça em um gesto discreto de reconhecimento.
Edward, por outro lado, não demonstrou o mesmo tipo de reação. Ele continuava observando o advogado como se estivesse analisando não apenas a competência do homem, mas a intenção por trás dela.
— Você vai trabalhar ao lado da Liliana — disse por fim, com calma — mas a decisão final continua sendo dela, sempre.
O tom não deixava espaço para interpretação.Ele não orientava, ele determinava.
— Claro — respondeu Maksim imediatamente, aceitando sem questionar.
Houve, no entanto, uma breve pausa antes que ele continuasse, pequena o suficiente para passar despercebida por muitos, mas não por quem estava acostumado a ler comportamento.
— Estive no departamento jurídico mais cedo… — acrescentou — e já deixei com a senhorita Whitmore os documentos referentes ao acordo com a filial de Xangai.
O olhar de Edward mudou de forma mínima, mas suficiente. A sobrancelha se elevou de leve, enquanto ele inclinava a cabeça apenas um grau, como se aquele detalhe tivesse despertado um interesse que ele ainda não tinha demonstrado até então.
Adrian percebeu e, dessa vez, precisou desviar o rosto para esconder o sorriso que ameaçava surgir.
Maksim continuou, como se estivesse apenas sendo profissional, embora o pequeno atraso na fala sugerisse outra coisa.
— Uma funcionária com bastante potencial.
O silêncio que se seguiu não foi longo, mas carregava um peso claro o suficiente para alterar o clima da sala, como se a temperatura tivesse caído alguns graus sem que ninguém precisasse comentar.
Adrian virou o rosto completamente, pressionando os lábios para conter a reação.
Edward recostou-se na cadeira com uma calma deliberada, cruzando os braços contra o peito enquanto mantinha o olhar fixo em Maksim, deixando claro que agora a conversa tinha mudado de nível.
— Sim… — respondeu, finalmente — muito competente.
Houve uma pausa breve e controlada. Em seguida, ele falou no mesmo tom, mas deixando o sentido totalmente claro:
— Não é à toa que ela é a minha noiva.
O impacto foi imediato. Sutil mais real.
Maksim manteve a postura, mas respirou de forma irregular e tensionou o maxilar antes de responder, agora mais cauteloso.

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