“O problema nunca foi o acordo… foi perceber que o corpo dela não seguia as regras.”
Ela ainda tentava se convencer de que aquilo era apenas um acordo, quando percebeu que já era tarde demais para fingir que não estava envolvida.
Dayse estava ajoelhada no chão do quarto, cercada por roupas cuidadosamente separadas em pilhas que já não faziam mais sentido, porque, a cada nova tentativa de organizar a mala, ela acabava voltando para as mesmas peças, olhando, avaliando, descartando e pegando de novo, como se, no fundo, soubesse que o problema não estava nas roupas.
Estava nela.
— Onde será que a Clara se meteu? — perguntou, mais distraída do que realmente preocupada, enquanto dobrava uma blusa com mais atenção do que o necessário. — Ela não atende o telefone desde que saiu da empresa.
Marina, que estava sentada na beirada da cama, organizando os últimos itens com uma praticidade invejável, não levantou o olhar de imediato, apenas continuou ajeitando as coisas com calma antes de responder.
— Ela disse que recebeu um convite inadiável e que ia passar o final de semana com estilo — respondeu, fechando um dos compartimentos da mala com firmeza.
Dayse soltou um leve suspiro, inclinando a cabeça para o lado.
— Com toda certeza tem um homem envolvido nisso.
— Você conhece a Clara, ela não perde tempo. — respondeu Marina. — agora vamos manter o foco aqui, senhorita futura noiva convincente — disse, pegando algumas peças menores e colocando dentro da mala. — Você vai passar um final de semana inteiro com a família dele, não pode chegar lá parecendo que saiu de férias com as amigas.
Dayse soltou uma risada curta, sem humor real.
— Eu não estou indo de férias…
— Eu sei — Marina respondeu rapidamente. — Você está interpretando o papel da sua vida.
Dayse não respondeu. Porque no fundo o que a amiga dizia era a mais pura verdade.
Marina então pegou duas peças menores, ergueu no ar e, no instante seguinte, parou e corou.
— Amiga… — começou, franzindo levemente a testa enquanto analisava. — Você pretende mesmo usar isso aqui?
Dayse virou o rosto na direção dela e, no segundo em que reconheceu o que Marina estava segurando, sentiu o próprio corpo reagir com um constrangimento imediato.
— Eu… — começou, desviando o olhar quase no mesmo instante. — Eu não tenho outros.
Marina ergueu uma sobrancelha.
— Dayse Whitmore…
Dayse cruzou os braços, respirando fundo antes de soltar:
— Meu Deus, acho que os avós dele vão olhar pra mim e me achar uma…
— Nem termine essa frase — Marina interrompeu na mesma hora, levantando-se da cama com decisão. — Sua sorte é que eu sou uma mulher extremamente precavida.
Dayse piscou, surpresa.
— O que você fez?
Marina abriu a própria bolsa com um ar vitorioso e, alguns segundos depois, puxou dois biquínis.
Um vermelho de cortininha. Outro verde, elegante, mas ainda assim, perigoso o suficiente.
— Toma — disse, estendendo para Dayse com um sorriso satisfeito. — Tenho absoluta certeza de que vão ficar lindos em você.
Dayse pegou as peças, analisando por um segundo, e não conseguiu evitar o pequeno sorriso que surgiu.
— É por isso que eu te amo.
— Eu sei — Marina respondeu, sem modéstia alguma. — agora suas calcinhas vão ser outro tipo de problema…
Dayse arregalou os olhos e encarou a amiga vermelha.
— Marina…
— Amiga eu não sei como você e a Clara usam aquilo, mas… teoricamente, ninguém vai ver. Não é mesmo?
Dayse desviou o rosto por um minuto e Marina reagiu na mesma hora.
— Meu Deus Dayse, você vai transar com ele!
— Eu não vou transar… com ele?
— Não?

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