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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 81

“O problema nunca foi o acordo… foi perceber que o corpo dela não seguia as regras.”

Ela ainda tentava se convencer de que aquilo era apenas um acordo, quando percebeu que já era tarde demais para fingir que não estava envolvida.

Dayse estava ajoelhada no chão do quarto, cercada por roupas cuidadosamente separadas em pilhas que já não faziam mais sentido, porque, a cada nova tentativa de organizar a mala, ela acabava voltando para as mesmas peças, olhando, avaliando, descartando e pegando de novo, como se, no fundo, soubesse que o problema não estava nas roupas.

Estava nela.

— Onde será que a Clara se meteu? — perguntou, mais distraída do que realmente preocupada, enquanto dobrava uma blusa com mais atenção do que o necessário. — Ela não atende o telefone desde que saiu da empresa.

Marina, que estava sentada na beirada da cama, organizando os últimos itens com uma praticidade invejável, não levantou o olhar de imediato, apenas continuou ajeitando as coisas com calma antes de responder.

— Ela disse que recebeu um convite inadiável e que ia passar o final de semana com estilo — respondeu, fechando um dos compartimentos da mala com firmeza.

Dayse soltou um leve suspiro, inclinando a cabeça para o lado.

— Com toda certeza tem um homem envolvido nisso.

— Você conhece a Clara, ela não perde tempo. — respondeu Marina. — agora vamos manter o foco aqui, senhorita futura noiva convincente — disse, pegando algumas peças menores e colocando dentro da mala. — Você vai passar um final de semana inteiro com a família dele, não pode chegar lá parecendo que saiu de férias com as amigas.

Dayse soltou uma risada curta, sem humor real.

— Eu não estou indo de férias…

— Eu sei — Marina respondeu rapidamente. — Você está interpretando o papel da sua vida.

Dayse não respondeu. Porque no fundo o que a amiga dizia era a mais pura verdade.

Marina então pegou duas peças menores, ergueu no ar e, no instante seguinte, parou e corou.

— Amiga… — começou, franzindo levemente a testa enquanto analisava. — Você pretende mesmo usar isso aqui?

Dayse virou o rosto na direção dela e, no segundo em que reconheceu o que Marina estava segurando, sentiu o próprio corpo reagir com um constrangimento imediato.

— Eu… — começou, desviando o olhar quase no mesmo instante. — Eu não tenho outros.

Marina ergueu uma sobrancelha.

— Dayse Whitmore…

Dayse cruzou os braços, respirando fundo antes de soltar:

— Meu Deus, acho que os avós dele vão olhar pra mim e me achar uma…

— Nem termine essa frase — Marina interrompeu na mesma hora, levantando-se da cama com decisão. — Sua sorte é que eu sou uma mulher extremamente precavida.

Dayse piscou, surpresa.

— O que você fez?

Marina abriu a própria bolsa com um ar vitorioso e, alguns segundos depois, puxou dois biquínis.

Um vermelho de cortininha. Outro verde, elegante, mas ainda assim, perigoso o suficiente.

— Toma — disse, estendendo para Dayse com um sorriso satisfeito. — Tenho absoluta certeza de que vão ficar lindos em você.

Dayse pegou as peças, analisando por um segundo, e não conseguiu evitar o pequeno sorriso que surgiu.

— É por isso que eu te amo.

— Eu sei — Marina respondeu, sem modéstia alguma. — agora suas calcinhas vão ser outro tipo de problema…

Dayse arregalou os olhos e encarou a amiga vermelha.

— Marina…

— Amiga eu não sei como você e a Clara usam aquilo, mas… teoricamente, ninguém vai ver. Não é mesmo?

Dayse desviou o rosto por um minuto e Marina reagiu na mesma hora.

— Meu Deus Dayse, você vai transar com ele!

— Eu não vou transar… com ele?

— Não?

O olhar dele percorreu o corpo de Dayse sem pressa, descendo com atenção por cada detalhe, sem tentar disfarçar o interesse, antes de voltar ao rosto dela e manter o contato por um instante mais longo do que seria necessário.

O canto da boca se curvou em um sorriso leve, quase provocador.

— Vamos?

Dayse prendeu a respiração por um segundo antes de voltar para o apartamento para buscar a mala.

Marina observou a cena com atenção, encostada na parede, enquanto Dayse desviava o olhar por um instante e pegava a mala, tentando se recompor.

— Boa sorte… você vai precisar — murmurou baixo, próxima o suficiente para que só ela ouvisse.

Dayse lançou um olhar rápido para a amiga, mas não respondeu, porque qualquer tentativa de parecer segura naquele momento soaria mais como esforço do que como verdade.

Edward pegou a mala dela com naturalidade, como se aquilo já fizesse parte da rotina, e, ao passar por ela, deixou que a mão roçasse levemente na lateral do corpo dela, num gesto tão sutil quanto intencional, fazendo com que o corpo de Dayse reagisse de imediato, antes mesmo que ela tivesse tempo de se preparar.

Ela saiu primeiro. Ou pelo menos tentou parecer que saiu. Porque, na prática, era ele quem conduzia o ritmo.

Os dois caminharam em silêncio até o elevador, e, assim que as portas se fecharam, o espaço reduzido tornou a presença dele ainda mais intensa, mais próxima, mais difícil de ignorar, sobretudo quando o olhar de Edward encontrou o dela no reflexo do espelho e permaneceu ali por tempo demais, como se não tivesse pressa de desviar.

Dayse desviou primeiro, mas não rápido o suficiente para fingir que não tinha sentido.

Quando as portas se abriram, ela saiu sem olhar para trás, mantendo o passo firme enquanto atravessava o hall do prédio, mas a sensação de que ele estava logo atrás, perto demais, acompanhando cada movimento, só aumentava a consciência do próprio corpo.

O carro estava estacionado e Edward se aproximou por trás, próximo o suficiente para que a voz dele fosse sentida antes de ser ouvida.

— Entre, vou guardar a mala.

Dayse entrou.

E, no instante em que ele entrou logo em seguida e a porta se fechou atrás dos dois, isolando completamente o mundo do lado de fora, ela entendeu.

O problema nunca foi Hamptons.

Foi perceber que, ali dentro, com ele tão perto e sem ninguém olhando, manter o controle deixava de ser uma escolha.

E passava a ser uma luta.

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