“O problema nunca foi o desejo… foi perceber que nenhum dos dois estava disposto a parar.”
O problema não era o silêncio dentro do carro.
Era o fato de que, naquele espaço pequeno demais, tudo entre eles parecia mais intenso do que deveria.
O carro seguia de forma suave pelo final da tarde, mas o silêncio entre eles estava longe de ser tranquilo, porque havia uma tensão evidente no ar, algo mais intenso do que deveria, que o ar condicionado não conseguia amenizar dentro daquele espaço fechado.
Dayse tentava manter o olhar fixo na janela, fingindo se concentrar na paisagem que passava em borrões rápidos, mas era inútil. A presença de Edward ao seu lado preenchia tudo. Ele dirigia com uma mão relaxada no volante.
Ela não resistiu.
Seu olhar desceu devagar, faminto, percorrendo o tecido da camisa colada ao corpo dele até chegar às coxas, onde a bermuda subia ligeiramente com o movimento das pernas, revelando mais pele do que deveria. A visão fez um calor se espalhar diretamente entre as pernas dela.
Edward, por sua vez, também não estava disfarçando.
Seus olhos desviaram da estrada por um instante e percorreram o corpo dela com desejo. O vestido de alças finas mal continha os seios, o decote generoso convidava o olhar, e a forma provocante como ela cruzava as pernas, deixava o corpo dele em combustão.
Ele mordeu o lábio inferior com força, um gesto lento e predatório, e em seguida, passou a língua devagar pelos lábios, saboreando a imagem dela como se já pudesse sentir o gosto.
— Se você continuar cruzando as pernas desse jeito, senhorita Whitmore… — murmurou com a voz rouca, baixa e carregada de pura luxúria — eu vou acabar perdendo completamente a cabeça, e posso acabar batendo com o carro.
Dayse sentiu o rosto arder violentamente e um calor intenso subir pelo pescoço, se espalhando pelo peito e fazendo os bicos dos seios endurecerem contra o tecido fino do vestido. Ela desviou o olhar para fora do carro, tentando desesperadamente controlar as batidas frenéticas do coração e a umidade que começava a se formar entre suas pernas.
Mas Dayse não ia ficar calada com a provocação dele. Inspirou fundo, e virou novamente o rosto na direção dele.
— Então talvez você devesse prestar mais atenção na estrada… — respondeu, com a voz mais baixa, porém firme — porque eu não tenho a menor intenção de facilitar pra você.
Edward deixou escapar uma risada baixa, daquelas que não vinham exatamente de humor, mas de provocação pura, afiada, quase perigosa.
Inclinou levemente a cabeça, sem tirar os olhos dela, e diminuiu ainda mais a velocidade do carro, apenas o bastante para mostrar que, naquele momento, a estrada definitivamente não era a prioridade dele.
— Prestar atenção na estrada? — repetiu, como se estivesse genuinamente considerando a ideia, mas o sorriso no canto da boca entregava o contrário. — Difícil… quando tem algo bem mais interessante competindo pela minha atenção bem aqui do lado.
Os olhos dele desceram de propósito. Percorrendo cada detalhe do corpo dela como se estivesse memorizando, ou pior, imaginando.
— E o problema, senhorita Whitmore… — continuou, com a voz agora ainda mais baixa, quase como um sussurro — é que você diz que não quer facilitar… mas faz exatamente o oposto.
Ele voltou o olhar para o rosto dela, como se a desafiasse.
— Esse vestido… — murmurou, deixando o silêncio pesar por um segundo antes de completar — definitivamente não está colaborando com a sua estratégia.
A mão dele deslizou pelo volante com firmeza, mas o maxilar travou de leve, denunciando o esforço de autocontrole.
— Então me diz… — acrescentou, inclinando-se minimamente na direção dela, o suficiente para invadir o espaço sem realmente tocar — isso é um jogo… ou você só gosta de me ver perdendo o controle?
Dayse não respondeu, mas o corpo dela sim.
O ar pareceu prender nos pulmões por um segundo a mais do que deveria, enquanto o coração disparava em um ritmo descompassado, forte e rápido demais, como se estivesse tentando acompanhar algo que ela já não conseguia controlar.
Os dedos dela apertaram levemente o tecido do próprio vestido, enquanto as pernas se tensionaram ainda mais, como se aquele simples gesto fosse a única coisa que mantinha tudo sob controle.
O calor continuava aumentando dentro dela de forma lenta e constante, deixando a pele mais quente e a respiração mais pesada, até se concentrar diretamente entre as pernas, exatamente onde ela menos queria sentir aquilo… e onde mais se recusava a admitir que ele conseguia afetá-la assim.
Ela desviou o rosto por uns segundos, porque no fundo ela sabia. Que se dissesse qualquer coisa, se abrisse a boca, se deixasse escapar até o menor sinal de fraqueza…
Não seria só ele que perderia o controle.
Seriam os dois.
Quando o carro parou no sinal vermelho, Edward não perdeu tempo. Ele se curvou sobre ela com movimentos lentos e deliberadamente sensuais, fazendo o corpo grande invadir o espaço dela de forma tão íntima que Dayse arregalou os olhos, surpresa e excitada ao mesmo tempo.
Os olhos dele desceram mais uma vez, sem qualquer pressa, demorando-se onde ela claramente tentava esconder o próprio corpo.
— E desse esforço todo pra fingir que não está sentindo nada… — completou, quase em tom de diversão.
Ele voltou a encará-la, aproximando-se só o suficiente para que a presença dele se tornasse impossível de ignorar, mas ainda sem tocar.
— Vai sonhando? — repetiu, com um leve arquear de sobrancelha, como se achasse graça naquilo. — Engraçado… porque, do jeito que você está respirando… não parece exatamente um sonho.
A mão dele apertou o volante por um segundo, o suficiente para denunciar que o controle não era tão absoluto quanto ele queria parecer, mas o olhar permaneceu firme e provocador.
— Mas tudo bem… — continuou, dando de ombros de forma despreocupada, como se estivesse disposto a brincar com aquilo — a gente pode transformar isso em um jogo.
Uma pausa curta e proposital.
— Vamos ver até onde você aguenta… — disse, com a voz caindo ainda mais, mais grave, mais íntima — porque, se você continuar me olhando desse jeito… eu não sei por quanto tempo vou fingir que também estou no controle.
O sorriso dele se tornou ainda mais debochado e perigoso.
— E, quando você finalmente parar de resistir… — acrescentou, inclinando-se só um pouco mais, quase roçando o espaço entre eles — espero que você não esteja contando que eu seja … gentil.
Dayse não respondeu.
Não porque não tivesse o que dizer, mas porque qualquer palavra naquele momento soaria como uma confirmação.
Ela desviou o olhar, voltando para a janela, mas não havia mais paisagem suficiente para distrair, não quando o corpo ainda reagia, ainda pulsava, ainda traía cada tentativa de controle.
O carro voltou a se mover e o silêncio retornou, mas, dessa vez não trouxe alívio e sim deixou claro que nenhum dos dois estava disposto a parar.
E o final de semana estava apenas começando.

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