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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 83

“O mais perigoso não é mentir… é quando todo mundo começa a acreditar.”

O carro começou a reduzir a velocidade ainda antes de alcançar a entrada da casa de praia, mas, para Dayse, o que surgia à frente não era o suficiente para puxar sua atenção de volta, porque a mente dela continuava presa ao que tinha acontecido minutos antes, dentro daquele mesmo carro, quando Edward se inclinou mais do que deveria, falou perto demais e deixou claro, sem precisar dizer diretamente, que o controle entre eles estava cada vez mais frágil.

Ela manteve o olhar voltado para frente, tentando se concentrar no ambiente ao redor, analisando a fachada da casa, o movimento discreto de funcionários e convidados, e a organização evidente de tudo, mas, ao mesmo tempo, era impossível ignorar o próprio corpo, que ainda reagia, ainda sensível, ainda em alerta, como se não tivesse tido tempo suficiente para se recompor completamente.

Respirou fundo de forma controlada, ajustando a postura antes que o carro parasse, porque sabia que, a partir do momento em que saísse dali, não haveria espaço para distração, erro ou qualquer tipo de reação fora do esperado.

O portão se abriu com precisão, silencioso, e o carro avançou lentamente até parar diante da entrada principal, onde algumas pessoas já estavam reunidas, conversando de forma aparentemente casual, mas com olhares atentos o suficiente para perceber a chegada.

— Chegamos — Edward disse, com o mesmo tom calmo de sempre, como se aquilo fosse apenas mais um compromisso comum.

Dayse assentiu de leve, sem olhar diretamente para ele, mantendo a expressão controlada.

Edward saiu primeiro, deu a volta no carro e abriu a porta para ela, e, quando Dayse aceitou a mão dele para descer, o contato foi suficiente para que ela percebesse, que o corpo ainda não estava completamente sob controle, porque aquele simples toque fez ela estremecer.

Ela não puxou a mão de volta, e ele percebeu o efeito que causava nela e gostou.

— Sorria — ele murmurou, se inclinando levemente na direção dela, sem chamar atenção. — Não esqueça, precisamos ser convincentes.

Dayse ergueu o olhar e confirmou imediatamente, porque, ao redor, algumas conversas diminuíram de intensidade e alguns rostos se voltaram discretamente na direção deles, analisando, avaliando, registrando.

— Não se preocupe. — respondeu forçando um sorriso mesmo que por dentro a vontade era de quebrar a cara dele.

Nesse momento, a porta principal se abriu e Margareth Fitzgerald apareceu, caminhando na direção deles. Quando seu olhar encontrou o de Dayse, ela sorriu imediatamente e a abraçou sem qualquer formalidade.

— Minha querida, você veio. — disse, se afastando para observá-la melhor.

— Não poderia recusar um convite seu. — Dayse respondeu, com segurança.

Margareth inclinou levemente a cabeça, observando Dayse de cima a baixo com um olhar atento, experiente… e claramente satisfeito.

— Finalmente… — comentou, sem qualquer pressa, lançando um olhar rápido na direção de Edward antes de voltar para Dayse — meu neto resolveu escolher uma mulher à altura.

Edward soltou um suspiro baixo, já prevendo o rumo da conversa.

— Vovó…

— O quê? — ela interrompeu, com uma elegância afiada, ignorando completamente a tentativa dele de conter a situação. — Estou apenas sendo honesta.

O olhar dela voltou para Dayse, mais suave, mas ainda carregado de intenção.

— Além de linda… — continuou, analisando com calma — dá pra perceber que é inteligente, gentil… e tem um ar doce que não é comum hoje em dia.

Dayse sustentou o olhar, mantendo o sorriso, mas sentindo o leve calor subir pelo rosto com o elogio direto.

Margareth então se aproximou um pouco mais, o suficiente para que a voz dela baixasse, se tornando quase um segredo compartilhado apenas entre as duas.

— Eu sei exatamente como o temperamento do meu neto pode ser difícil… — murmurou, com um leve sorriso de canto — na verdade, é um problema recorrente nos homens dessa família.

Ela lançou um olhar rápido para Edward, como se estivesse incluindo ele propositalmente na crítica.

— Arrogantes, auto suficientes… completamente convencidos de que estão sempre no controle.

Dayse precisou conter a reação, porque aquilo era absurdamente preciso.

Margareth inclinou-se um pouco mais, com o tom agora carregado de uma cumplicidade feminina quase divertida.

— Mas lembre-se, minha querida… — sussurrou — nós, mulheres, temos uma vantagem que eles fingem não perceber.

Ela pausou por um minuto e sussurrou:

— A última palavra sempre acontece dentro do quarto… — completou, com um leve brilho no olhar — e, lá, somos nós que decidimos como as coisas realmente terminam.

Dayse corou imediatamente, sentindo o calor subir sem qualquer controle, enquanto mantinha o sorriso o mais neutro possível.

Edward passou a mão pelo rosto e balançou a cabeça em negação, claramente sem paciência para aquele tipo de comentário.

Margareth enlaçou o braço no de Dayse com naturalidade, como se já a tivesse adotado ali mesmo.

E, principalmente, de força.

Muita força.

Porque, do jeito que tudo estava se desenhando, aquele fim de semana dificilmente seria tranquilo e, no fundo, Dayse já sabia disso antes mesmo de cruzar aqueles portões.

Ela manteve a postura impecável, distribuindo sorrisos discretos e respostas medidas, como se estivesse completamente à vontade, mas, por dentro, a sensação era outra. Tudo parecia avançar rápido demais, como se cada detalhe estivesse saindo do controle sem que ela pudesse impedir.

Foi quando Edward se aproximou, se posicionou ao lado dela como se aquele fosse exatamente o lugar dele, e deslizou a mão para a parte baixa das costas dela com naturalidade. Um gesto simples, mas que fez o corpo de Dayse reagir imediatamente, como se ainda estivesse sensível demais ao toque dele.

— Helena… — ele cumprimentou, com aquele tom seguro de sempre.

— Edward, meu querido… — respondeu Helena, com um leve sorriso — demorou para escolher uma garota, mas preciso admitir… a espera valeu a pena.

Edward não hesitou.

O sorriso dele se abriu com confiança enquanto envolvia Dayse com mais firmeza, puxando-a sutilmente para mais perto, como se estivesse marcando território sem precisar anunciar.

Então inclinou o rosto e deixou um beijo lento no pescoço dela, fazendo o corpo pequeno se arrepiar.

— Sim… — murmurou, baixo, seguro — ela vale.

Dayse sentiu o corpo reagir de novo. Mais forte dessa vez e odiou o fato de não conseguir impedir.

A conversa seguiu, leve para quem assistia de fora, mas, para ela, cada segundo parecia mais carregado.

Edward então se inclinou novamente, aproximando os lábios do ouvido dela.

— Você está indo muito bem — sussurrou, em um tom baixo demais para qualquer outra pessoa ouvir.

Dayse não respondeu.

Porque, naquele momento, ela já não sabia mais onde a mentira terminava e onde ela começava a querer aquilo de verdade.

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