“O mais perigoso não é mentir… é quando todo mundo começa a acreditar.”
O carro começou a reduzir a velocidade ainda antes de alcançar a entrada da casa de praia, mas, para Dayse, o que surgia à frente não era o suficiente para puxar sua atenção de volta, porque a mente dela continuava presa ao que tinha acontecido minutos antes, dentro daquele mesmo carro, quando Edward se inclinou mais do que deveria, falou perto demais e deixou claro, sem precisar dizer diretamente, que o controle entre eles estava cada vez mais frágil.
Ela manteve o olhar voltado para frente, tentando se concentrar no ambiente ao redor, analisando a fachada da casa, o movimento discreto de funcionários e convidados, e a organização evidente de tudo, mas, ao mesmo tempo, era impossível ignorar o próprio corpo, que ainda reagia, ainda sensível, ainda em alerta, como se não tivesse tido tempo suficiente para se recompor completamente.
Respirou fundo de forma controlada, ajustando a postura antes que o carro parasse, porque sabia que, a partir do momento em que saísse dali, não haveria espaço para distração, erro ou qualquer tipo de reação fora do esperado.
O portão se abriu com precisão, silencioso, e o carro avançou lentamente até parar diante da entrada principal, onde algumas pessoas já estavam reunidas, conversando de forma aparentemente casual, mas com olhares atentos o suficiente para perceber a chegada.
— Chegamos — Edward disse, com o mesmo tom calmo de sempre, como se aquilo fosse apenas mais um compromisso comum.
Dayse assentiu de leve, sem olhar diretamente para ele, mantendo a expressão controlada.
Edward saiu primeiro, deu a volta no carro e abriu a porta para ela, e, quando Dayse aceitou a mão dele para descer, o contato foi suficiente para que ela percebesse, que o corpo ainda não estava completamente sob controle, porque aquele simples toque fez ela estremecer.
Ela não puxou a mão de volta, e ele percebeu o efeito que causava nela e gostou.
— Sorria — ele murmurou, se inclinando levemente na direção dela, sem chamar atenção. — Não esqueça, precisamos ser convincentes.
Dayse ergueu o olhar e confirmou imediatamente, porque, ao redor, algumas conversas diminuíram de intensidade e alguns rostos se voltaram discretamente na direção deles, analisando, avaliando, registrando.
— Não se preocupe. — respondeu forçando um sorriso mesmo que por dentro a vontade era de quebrar a cara dele.
Nesse momento, a porta principal se abriu e Margareth Fitzgerald apareceu, caminhando na direção deles. Quando seu olhar encontrou o de Dayse, ela sorriu imediatamente e a abraçou sem qualquer formalidade.
— Minha querida, você veio. — disse, se afastando para observá-la melhor.
— Não poderia recusar um convite seu. — Dayse respondeu, com segurança.
Margareth inclinou levemente a cabeça, observando Dayse de cima a baixo com um olhar atento, experiente… e claramente satisfeito.
— Finalmente… — comentou, sem qualquer pressa, lançando um olhar rápido na direção de Edward antes de voltar para Dayse — meu neto resolveu escolher uma mulher à altura.
Edward soltou um suspiro baixo, já prevendo o rumo da conversa.
— Vovó…
— O quê? — ela interrompeu, com uma elegância afiada, ignorando completamente a tentativa dele de conter a situação. — Estou apenas sendo honesta.
O olhar dela voltou para Dayse, mais suave, mas ainda carregado de intenção.
— Além de linda… — continuou, analisando com calma — dá pra perceber que é inteligente, gentil… e tem um ar doce que não é comum hoje em dia.
Dayse sustentou o olhar, mantendo o sorriso, mas sentindo o leve calor subir pelo rosto com o elogio direto.
Margareth então se aproximou um pouco mais, o suficiente para que a voz dela baixasse, se tornando quase um segredo compartilhado apenas entre as duas.
— Eu sei exatamente como o temperamento do meu neto pode ser difícil… — murmurou, com um leve sorriso de canto — na verdade, é um problema recorrente nos homens dessa família.
Ela lançou um olhar rápido para Edward, como se estivesse incluindo ele propositalmente na crítica.
— Arrogantes, auto suficientes… completamente convencidos de que estão sempre no controle.
Dayse precisou conter a reação, porque aquilo era absurdamente preciso.
Margareth inclinou-se um pouco mais, com o tom agora carregado de uma cumplicidade feminina quase divertida.
— Mas lembre-se, minha querida… — sussurrou — nós, mulheres, temos uma vantagem que eles fingem não perceber.
Ela pausou por um minuto e sussurrou:
— A última palavra sempre acontece dentro do quarto… — completou, com um leve brilho no olhar — e, lá, somos nós que decidimos como as coisas realmente terminam.
Dayse corou imediatamente, sentindo o calor subir sem qualquer controle, enquanto mantinha o sorriso o mais neutro possível.
Edward passou a mão pelo rosto e balançou a cabeça em negação, claramente sem paciência para aquele tipo de comentário.
Margareth enlaçou o braço no de Dayse com naturalidade, como se já a tivesse adotado ali mesmo.

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