“O problema nunca foi o que ele fazia… Era o quanto eu queria que ele continuasse.”
Dayse Whitmore
Eu deveria estar irritada.
Deveria estar indignada, constrangida, pronta para colocar Edward Fitzgerald no lugar dele. Mas o problema nunca foi o que aconteceu dentro daquele carro, ou como ele se aproximou de mim lá fora e me provocou.
O problema era o fato de que, mesmo agora, trancada sozinha nesse quarto, tentando recuperar o controle, meu corpo ainda gritava por ele.
Assim que fechei a porta do quarto atrás de mim, deixei o corpo encostar por um segundo na madeira, como se precisasse daquele apoio físico para conseguir organizar minimamente os pensamentos que ainda estavam completamente embaralhados.
A forma em que fui recebida por Margareth, ela me apresentando a sua amiga, como se eu fizesse parte da família, como Edward fez questão de me provocar e o pior, como o meu corpo ainda ardia apenas por aquele contato mínimo.
— Seu… seu idiota! Você faz de propósito!
Respirei fundo, passei a mão pelo rosto e caminhei até a cama, abrindo a mala com mais força do que o necessário, como se descarregasse ali uma irritação que, no fundo, era comigo mesma.
— Calma, Dayse. Você precisa se acalmar. — murmurei, já puxando algumas peças sem muita paciência, analisando uma por uma enquanto tentava escolher algo que fosse adequado, discreto… e que não me colocasse em mais nenhuma situação constrangedora.
Peguei o biquíni vermelho que Marina tinha me emprestado e pela primeira vez o analisei com cuidado.
Ele era completamente diferente dos biquínis que eu costumava usar, mas ainda sim era pequeno e minimalista. Completamente imprudente para um final de semana com a família dele. Fiquei alguns segundos olhando para a peça, avaliando minhas próprias decisões de vida.
— Poderia ser pior se fosse os seus, ou os de Clara.
Vesti a parte de cima primeiro, ajustando com cuidado, respirando fundo enquanto me observava no espelho. Até aí, estava aceitável. Mas quando puxei a parte de baixo, eu congelei.
O silêncio dentro do quarto pareceu aumentar de repente enquanto eu encarava meu reflexo com incredulidade.
— Não… não, não, não… — sussurrei, tentando puxar o tecido um pouco mais para um lado, depois para o outro, como se aquilo fosse mágicamente resolver o problema.
Passei a mão pelo rosto, irritada comigo mesma, enquanto girava de lado, tentando encontrar algum ângulo que tornasse aquilo minimamente aceitável. Mas cada vez que me movia, o biquíni entrava mais na minha bunda.
— Dayse, você não levou em consideração que a Marina é mais magra que você, e você tem uma bunda enorme?
Levei a mão até o rosto e resmunguei tentando encontrar equilíbrio.
— Meu Deus, eu só posso estar pagando por todos os meus pecados nesta vida. — murmurei, bufando antes de pegar a saída de praia e vestir por cima, numa tentativa quase desesperada de recuperar um pouco da dignidade que claramente já tinha sido comprometida.
Foi exatamente nesse momento que a porta abriu e Edward entrou como se aquele fosse o espaço mais natural do mundo para ele ocupar, fechando a porta atrás de si enquanto eu ainda processava a situação.
E o pior?
Ele não parou. Não perguntou absolutamente nada e simplesmente começou a tirar a camisa.
Meu coração disparou tão forte que chegou a incomodar.
— O que você está fazendo? — perguntei rápido demais, com a voz saindo mais alta e mais tensa do que eu gostaria.
Ele já estava sem camisa quando virou o rosto na minha direção, levantando uma sobrancelha com uma expressão divertida, como se a pergunta fosse completamente desnecessária.
— Eu estou me trocando — respondeu com naturalidade irritante, passando a mão pelos cabelos de forma despreocupada. — A não ser que você queira que eu vá para a piscina desse jeito?
Eu pisquei, tentando acompanhar a lógica absurda daquilo.
— Mas eu estou aqui — insisti, gesticulando na própria direção, como se aquilo fosse um argumento suficiente.
Edward deu de ombros, sem o menor esforço.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe