“O problema não era ser notada… era quem estava prestando atenção.”
Dayse Whitmore
Meu corpo ainda estava quente. Não do sol, mas… dele.
Eu já estava na parte externa da casa, rodeada de pessoas, e não sozinha num quarto com um homem delicioso, completamente nu e arrogante.
Mas o problema nunca foi sair daquele quarto. O problema era que uma parte de mim queria voltar empurrar aquele corpo grande contra a cama e…
— Dayse pelo amor de Deus, se controle. — sussurrei para mim mesma.
O sol bateu direto no meu rosto no instante em que atravessei a porta que dava acesso à área externa, e, por um breve segundo, eu agradeci silenciosamente por aquilo, porque qualquer coisa que me ajudasse a organizar minimamente os meus pensamentos, já era mais do que bem-vinda.
Respirei fundo, sentindo o ar quente preencher os pulmões enquanto ajustava a saída de praia com cuidado. Minha compostura, tinha ficado dentro do quarto junto com a imagem dele.
O pior era saber, que por muito pouco, eu não cedi.
Meu corpo ainda ardia de desejo e por um momento, flashes da noite no motel surgiram na minha mente. De como ele me possuiu de diversas formas e de como eu me senti num paraíso… ou seria no inferno? Ou quem sabe, os dois?
Engoli seco e segui em direção à piscina, mantendo o passo firme. Bastaria um único olhar dele, para desmontar tudo outra vez.
Foi então que eu vi duas mulheres na piscina e no mesmo instante, reconheci ambas. Eram as primas de Edward, que eu conheci no evento em que fui com ele.
Beatrice foi a primeira a me notar, e, diferente do ambiente carregado que eu esperava, o rosto dela se abriu imediatamente em um sorriso largo, genuíno, como se realmente estivesse feliz em me ver ali.
Antes mesmo que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela se levantou da cadeira com energia e caminhou diretamente na minha direção.
— Que bom te ver novamente, Dayse! — disse, me puxando para um abraço sem qualquer formalidade, quebrando completamente a distância social que eu estava preparada para manter.
Eu retribuí, surpresa… mas sorrindo.
— Eu também fico feliz em te ver.
Ela se afastou só o suficiente para me olhar de cima a baixo, sem disfarçar absolutamente nada.
E então sorriu ainda mais.
— Uau… — murmurou, divertida — meu primo deve morrer de ciúmes de você. Olha só esse corpo!
O calor subiu direto pelo meu rosto, rápido demais para ser controlado, e eu precisei sustentar o sorriso com mais esforço do que gostaria, tentando manter a postura enquanto respondia de forma neutra:
— Eu acho que ele está mais acostumado a chamar atenção do que a se preocupar com isso.
Beatrice soltou um pequeno riso, como se confirmasse algo que já sabia há muito tempo, inclinando levemente a cabeça enquanto me observava com ainda mais interesse.
— Fato — disse, com naturalidade — com todo respeito, o Edward sempre foi muito atraente e sempre chamou atenção de todas as mulheres ao redor.
Ela fez uma pausa curta, como se estivesse escolhendo exatamente o que queria dizer a seguir, e então completou:
— Mas ele também sempre foi muito seletivo… nunca foi de se envolver com “qualquer” garota.
O olhar dela voltou para o meu. Mais direto dessa vez.
— E você, Dayse… — continuou, com um leve sorriso — é a primeira que ele apresenta a família.
O impacto daquilo veio silencioso e completamente inesperado.
Eu pisquei uma vez, absorvendo a informação enquanto mantinha o controle externo com mais esforço do que gostaria de admitir.
— Talvez ele só esteja querendo causar uma boa impressão — respondi, com um leve dar de ombros, como se aquilo não tivesse peso nenhum.
Beatrice arqueou a sobrancelha.
— Edward Fitzgerald? — rebateu, divertida — fazendo esforço para impressionar alguém?
Ela riu baixo.
— Não, querida… meu primo nunca se preocupou com a opinião de ninguém, muito menos fez algo para impressionar alguém. Quando ele faz isso, é porque já decidiu alguma coisa.
Camilla, que até então apenas observava, soltou um pequeno suspiro, claramente impaciente com o rumo da conversa.
— Ou porque ele está entediado — disse, seca, cruzando os braços — o que, honestamente, é mais provável.
Beatrice virou o rosto lentamente na direção da irmã, o sorriso diminuindo só o suficiente para deixar claro que, dessa vez, ela não achou graça.
— Pronto, agora eu gostei de você ainda mais. — disse, claramente se divertindo com a situação — finalmente alguém que não abaixa a cabeça.
— Eu não abaixo a cabeça pra ninguém — devolvi, com naturalidade.
— A gente percebeu. — Beatrice respondeu, piscando de leve.
Camilla não disse mais nada. Mas também não precisou. Porque o silêncio dela falava e muito.
Foi nesse momento que Margareth se aproximou ao lado de Helena e ambas, carregavam taças nas mãos com a naturalidade de quem já sabia exatamente para quem aquela bebida era destinada.
As duas pararam próximas o suficiente para que a presença delas se impusesse sem precisar de anúncio. Helena me observou com um sorriso leve no rosto e por um momento desconfiei que elas tinham ouvido nossa conversa.
— Pelo visto, além de linda, inteligente e doce… ela também sabe se defender.
Meu rosto aqueceu imediatamente confirmando as minhas suspeitas.
Margareth sorriu ao lado dela, satisfeita. Como se aquilo confirmasse algo que ela já sabia.
— Eu disse — respondeu, tranquila, estendendo a taça na minha direção — não poderia ser melhor, não acha?
Aceitei a bebida, ainda sentindo o peso do olhar das duas, e por um segundo considerei responder alguma coisa, mas fiz a única coisa que parecia possível naquele momento.
Bebi o drink de uma única vez.
O líquido desceu queimando leve, refrescante, mas incapaz de competir com o rubor que tomava conta do meu rosto.
Baixei a taça devagar, respirando fundo enquanto meus olhos, quase por instinto, percorriam o ambiente, até encontrar ele, do outro lado da piscina conversando com Adrian, Augustus e um senhor de cabelos grisalhos que eu ainda não conhecia.
Por um momento eu agradeci aos céus porque ele não estava olhando para mim e não tinha ouvido nada do que eu tinha dito. E por um instante breve, permiti que o meu corpo relaxasse um pouco.
Foi então que o som de um carro interrompeu o ambiente. Confusa, me perguntei quem ainda não tinha chegado.
E, no segundo em que o carro parou e a porta se abriu, meu corpo inteiro reagiu antes mesmo da minha mente acompanhar. Meus olhos se arregalaram, minha respiração falhou e meus lábios se entre abriram, completamente surpresos.
Porque aquela, definitivamente, não era uma visita que eu esperava.

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