“O problema nunca é a melhor amiga… é o estrago que ela causa quando resolve aparecer na hora errada.”
Eu conhecia Clara o suficiente para saber que, quando ela aparecia sem aviso, não era coincidência.
Era problema.
E, olhando para o jeito como Adrian simplesmente parou de respirar ao vê-la, eu tive a sensação de que tinha sido idéia de Edward.
Porque aquela, definitivamente, não era uma visita que eu esperava.
O som do carro ainda ecoava no ambiente quando a porta se abriu, e, por um instante que pareceu longo demais para ser ignorado, várias conversas ao redor diminuíram de volume, algumas pessoas viraram o rosto na mesma direção e eu fiz exatamente o mesmo, algo dentro de mim já sabia que aquilo não seria apenas mais uma chegada comum.
Eu não deveria estar tão atenta, nem tensa. Mas de alguma forma eu estava. Afinal, quem mais iria chegar para passar o final de semana conosco?
Foi quando ela saiu do carro.
Meu corpo reagiu antes de eu entender o que estava acontecendo. Meus olhos se arregalaram, minha respiração travou e meu coração disparou sem qualquer controle.
— Não… — murmurei, baixo, sem perceber que tinha falado em voz alta.
O que ela estava fazendo aqui?
Eu pisquei, claramente surpresa, talvez a primeira reação realmente espontânea desde que eu tinha chegado.
— Clara…? — murmurei, sem conseguir esconder completamente o estranhamento.
Clara desceu do carro usando óculos escuros. Seus cabelos ruivos estavam soltos e alinhados, parecia uma dama da alta sociedade. Ela parou sob o sol por um instante e observou o ambiente com calma, analisando tudo antes de reagir.
O olhar dela encontrou o meu imediatamente.
E, ao contrário de mim, Clara não demonstrou nenhuma surpresa. Antes que eu tivesse tempo de pensar em qualquer reação coerente, ela já estava vindo na minha direção, atravessando o espaço com aquela confiança natural de quem não pede licença para ocupar um lugar.
— Surpresa — disse, em um tom baixo.
Eu estreitei os olhos, ainda tentando entender o que estava acontecendo.
— O que você está fazendo aqui?!
— Eu fui convidada — ela respondeu, simples.
Meu cérebro fez a conexão de forma lenta… e inevitável.
Convite?
Meu olhar se moveu sozinho buscando por ele que estava do outro lado da piscina, encostado de forma despreocupada ao lado de Adrian, Augustus e o homem mais velho que eu ainda não conhecia, mas que claramente fazia parte daquele círculo.
Ele estava olhando direto para mim, e o leve levantar de sobrancelha junto com o sorriso que surgiu devagar, foram suficientes para deixar claro que aquilo tinha sido ideia dele.
Claro que foi ele.
Respirei fundo, voltando o olhar para Clara.
— Você foi convidada… — repeti, ainda tentando manter o controle.
— Fui — ela confirmou, tranquila — e devo dizer que o seu futuro marido tem um talento curioso para surpreender… ele não parece o tipo de homem que faz algo por acaso.
Eu senti o calor subir pelo meu rosto no mesmo instante, irritada comigo mesma por reagir daquele jeito, enquanto Clara apenas sustentava o olhar com um leve brilho de diversão, claramente satisfeita com o efeito que tinha causado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe