“Negar é fácil… difícil é quando o corpo não colabora.”
Dayse Whitmore
Assim que a porta se fechou atrás de nós, eu soube que não ia sair daquele quarto do mesmo jeito que entrei.
O som ficou mais abafado, o ar mais fresco, e o silêncio do interior trouxe uma estranha sensação de contraste com o caos que ainda estava se formando na minha cabeça.
Subimos as escadas seguindo Maria, que nos guiava com segurança pelos corredores amplos, até parar diante de uma das portas.
— Este será o seu quarto — disse, abrindo espaço para que entrássemos.
Clara passou primeiro, analisando o ambiente com um olhar rápido e preciso, enquanto eu permaneci parada por um segundo a mais na porta, respirando fundo antes de finalmente entrar.
Assim que Maria se afastou, fechando a porta com discrição, o silêncio se instalou.
E eu virei o rosto para Clara.
— Você vai me explicar o que está acontecendo? — perguntei, sem rodeios.
Ela tirou os óculos escuros com calma, revelando o olhar divertido que eu conhecia bem demais.
— Dayse minha amiga olha esse quarto, é do tamanho do meu apartamento. E essa cama? — ela saiu caminhando pelo quarto em direção ao banheiro. — Dayse, olha essa banheira?
Ignorei o surto temporário dela e me aproximei ainda mais.
— Clara você não me explicou ainda.
— Eu já expliquei — respondeu, tranquila — fui convidada.
— Clara… — eu respirei fundo, cruzando os braços — não brinca comigo.
Ela inclinou levemente a cabeça, me observando por um segundo antes de sorrir de lado.
— Você realmente acha que eu recusaria um convite desses? Um final de semana em uma casa dessas… com esse tipo de gente… — fez uma pausa, deixando o olhar brilhar com intenção — e com um certo homem que eu estou louca para transar?
Meu estômago revirou no mesmo instante.
— Então o Edward te convidou para…
— Provocar o Adrian, com toda certeza. — confirmou, simples — e, a verdade é que eu estou louca para dar muito para ele.
Eu fechei os olhos por um segundo, passando a mão pelo rosto, tentando me acalmar, o que claramente não estava funcionando.
Porque Clara não ajudava.
Nunca ajudava.
— Amiga… — ela começou, com aquele tom perigosamente leve, cruzando os braços enquanto me observava de cima a baixo — pelo amor de Deus, você está dividindo o quarto com Deus do Olimpo e vai continuar fingindo que não quer trepar com ele?
Abri os olhos devagar, encarando ela.
— Clara!
— Não, me escuta — ela continuou, se aproximando um pouco mais, completamente à vontade — eu vi ele lá fora… e olha… confesso que bati uma siririca mental só em vê ele com aquela sunguinha preta.
— Você é maluca! — murmurei, sentindo o rosto esquentar.
Ela soltou uma risada baixa, divertida.
— Eu estou sendo sincera — rebateu, dando de ombros — porque, sinceramente, se fosse comigo, eu já teria feito barba, cabelo e bigode. Até mesmo deixaria ele me comer por trás, mesmo sabendo que eu ficaria sem sentar direito por uma semana tendo em vista o tamanho daquele instrumento…
— Para qualquer pessoa com olhos — respondeu, simples — inclusive pra ele.
Aquilo me fez travar por um segundo.
— Ele não…
— Ele olha pra você como se estivesse esperando você parar de fugir — Clara completou, direta — e você sabe disso.
Eu desviei o olhar.
Porque sabia que era verdade. E isso era exatamente o problema.
Clara caminhou até a janela, olhando rapidamente para fora antes de voltar a atenção para mim.
— Mas tudo bem — disse, mais leve agora — você pode continuar se controlando… eu, por outro lado…
Ela deu um pequeno sorriso, claramente animada.
— Pretendo aproveitar esse final de semana e ficar com as pernas bambas.
Soltei um suspiro, já sentindo que aquilo estava saindo completamente do controle.
— Isso vai ser problema…
Clara deu de ombros, sem o menor arrependimento.
— Não é problema — corrigiu, com um brilho nos olhos — é entretenimento.
E, pelo jeito que ela estava sorrindo, eu tive certeza absoluta de que aquele fim de semana ia ser tudo, menos tranquilo.

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