“Alguns homens não provocam por impulso… Eles fazem isso com precisão, porque sabem exatamente onde vai doer.”
Algumas reações não precisam ser explicadas e Adrian tinha acabado de entregar exatamente o que Edward queria ver.
Ele ainda não tinha conseguido voltar ao normal, e não era por falta de tentativa, mas porque cada vez que o olhar dele, mesmo que por um segundo, ameaçava se mover na direção da casa, o corpo reagia antes da razão, como se ele estivesse tentando conter algo que já tinha escapado completamente do controle.
O maxilar permanecia tensionado, os ombros levemente rígidos, e havia um desconforto evidente na forma como ele segurava o copo, girando o líquido sem realmente beber, como se precisasse de alguma distração física para não demonstrar o quanto aquilo tudo tinha mexido com ele.
Edward estava sentado próximo da piscina, com o corpo relaxado e a postura despreocupada, como se não estivesse prestando atenção em nada específico. Mas estava.
Ele observava Adrian.
Acompanhava cada reação, cada movimento, cada tentativa falha do amigo de parecer normal. Deixou o silêncio se estender de propósito, apenas olhando, esperando, avaliando até onde Adrian conseguiria se controlar… antes de decidir intervir.
Ele inclinou levemente a cabeça na direção de Adrian, deixando o olhar percorrer sem qualquer disfarce o rubor que subia pelo pescoço do amigo até alcançar o rosto, e então soltou um sorriso lento, quase preguiçoso mas perigoso demais para ser inocente.
— E então… — começou, em um tom calmo demais para ser inocente, girando o copo na mão enquanto desviava o olhar por um segundo, apenas para voltar em seguida, direto, preciso — me diz uma coisa… você gostou da surpresa?
Adrian não apenas travou. Ele praticamente congelou.
O movimento foi instantâneo. O corpo inteiro reagiu de uma vez só, como se aquela pergunta tivesse atingido um ponto que ele claramente não estava preparado para defender, enquanto o olhar desviava rápido e o leve rubor subia pelo rosto sem qualquer permissão.
Ele piscou uma vez, duas. E demorou mais do que deveria para conseguir formular qualquer resposta minimamente coerente.
— Eu… — limpou a garganta, passando a mão pelo cabelo em um gesto nervoso — eu não faço ideia do que você está falando.
Rápido e firme demais, o que o tornava completamente pouco convincente.
Edward soltou uma risada baixa, arrastada, enquanto inclinava levemente a cabeça e se aproximava só o suficiente para invadir o espaço do amigo com uma intimidade provocativa.
— Não faz? — repetiu, devagar, como se estivesse saboreando cada palavra — curioso… porque, pela forma como você parou de respirar quando ela saiu daquele carro, eu diria que você entendeu perfeitamente.
Ele fez uma pausa curta, analisando a reação do outro com um prazer quase indecente.
E então completou, mais baixo, mais direto:
— Sabe sim… — murmurou — e tá vermelho pra caralho.
Adrian travou de vez.
Porque, naquele exato momento, ele percebeu que não tinha sido apenas Edward que tinha notado. Augustus e o amigo dele, também estavam olhando para ele curiosos.
E, ao contrário de Edward, os dois eram mais discretos.
Adrian soltou o ar devagar, passando a mão pelo rosto, completamente sem saber onde se enfiar, enquanto evitava olhar tanto para Edward quanto para a casa, como se qualquer um dos dois fosse perigosos demais naquele momento.
— Como sempre seu neto se metendo onde não é chamado. — comentou o homem mais velho, agora olhando para Augustus com um leve humor na voz.
Augustus soltou uma risada baixa, sem negar.
Mas Edward nem tentou se defender, muito pelo contrário. Ele se endireitou um pouco, abrindo um sorriso lento e satisfeito, daqueles que só aparecem tem consciência do que exatamente estão fazendo.
— Ah, senhor Richard… — respondeu, com uma leve inclinação de cabeça, como se aquilo tudo fosse absolutamente natural — eu só quis dar um empurrãozinho ao meu amigo.
— Empurrãozinho? — Adrian repetiu, se virando finalmente para ele, incrédulo, com uma mistura de irritação e constrangimento evidente na voz.
Edward ergueu levemente as sobrancelhas, sustentando o olhar com tranquilidade, completamente à vontade no próprio caos.
— Você gosta da garota mas não tem coragem de se aproximar. — devolveu, direto, sem qualquer tentativa de suavizar.
Adrian não disse nada, mas não precisava.
Porque, pela forma como ainda olhava para a casa… ficou óbvio que ele já estava a um passo de fazer exatamente o que Edward queria.
E, dessa vez… Adrian não parecia disposto a resistir.

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