“Algumas mulheres não chegam para somar…chegam para destruir o controle.”
Alguns homens perdem o controle em silêncio.
Adrian não disse nada, mas o jeito como ainda olhava para a casa, o tempo que demorava para respirar e o fato de não conseguir disfarçar, entregavam tudo.
E Edward percebeu. E, como sempre… decidiu pressionar.
Edward ergueu levemente as sobrancelhas, sustentando o olhar com tranquilidade, como se a reação do outro fosse exatamente o que ele esperava.
— Deixa de besteira Adrian, eu apenas quis facilitar as coisas para você. — devolveu, direto, sem qualquer tentativa de suavizar. — Você está louco pela garota mas não tem coragem de se aproximar.
O silêncio que veio depois foi denso.
— Não é questão de coragem… é esperar o momento certo.
— Momento certo? E existe momento certo para transar?
Adrian corou e levou a mão ao rosto irritado. Augustus e o seu amigo apenas ouviam a discussão dos dois.
Adrian não respondeu nada, porque às vezes era melhor ficar calado. Em vez disso, desviou o olhar até as janelas do andar de cima, onde provavelmente Clara estaria se trocando. Edward acompanhou o olhar do amigo e sorriu.
— É… — murmurou, mais baixo agora, como se estivesse falando apenas para si mesmo, mas alto o suficiente para que todos ouvissem — pelo visto… eu acertei.
Augustus resolveu ajudar o rapaz.
— Adrian sempre foi tímido e reservado Edward. Mas isso nunca o impediu de arrumar garotas. — disse Augustus encarando o neto com um sorriso divertido no rosto.
Edward soltou uma risada baixa, arrastada, inclinando levemente a cabeça enquanto lançava um olhar de lado para o amigo, claramente analisando cada reação.
— Arrumar garotas nunca foi o problema dele… — começou, com calma — o problema é que nenhuma delas fez o estrago necessário.
Adrian franziu a testa, sem entender, ou talvez entendendo demais.
Edward inclinou o corpo em sua direção, diminuindo o espaço, com aquele ar perigosamente confortável dentro do próprio domínio.
— Você precisa de uma mulher que te faça enlouquecer — continuou, agora mais baixo, mais direto — daquelas que tiram você do eixo, que fazem você esquecer o que é certo, o que é lógico…
Fez uma pausa curta, observando o efeito. E então finalizou, sem qualquer piedade:
— Uma que te faça perder a cabeça e que te leve a cometer exatamente o tipo de loucura que você passou a vida inteira evitando.
O silêncio que veio depois foi imediato. Augustus inclinou levemente a cabeça, encarando o neto com mais atenção, então aproveitou para perguntar:
— Foi o que a senhorita Whitmore fez com você?
Edward não respondeu na hora. Desviou o rosto encarando o avô e permaneceu em silêncio por alguns segundos, como se a pergunta fosse mais interessante do que difícil, e isso por si só já foi suficiente para prender a atenção dos três.
O sorriso surgiu lentamente enquanto ele levava o copo aos lábios, bebendo com calma e sem demonstrar qualquer intenção de aliviar a tensão que ele próprio havia criado.
Adrian olhou para ele, curioso demais para disfarçar.
Richard também aguardava, claramente se divertindo com aquilo.
E então Edward respondeu.
— Vô… — começou, com um leve arquear de sobrancelha — a essa altura do campeonato, o senhor ainda tem dúvida?

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