Ela estava bêbada demais para esconder o desejo e lúcida o suficiente para sentir o perigo.
Algumas horas depois, o clima na área da piscina havia mudado completamente. A maioria dos convidados já havia se recolhido. Apenas o bar ainda estava iluminado, com luzes suaves e música baixa tocando ao fundo.
Dayse estava completamente bêbada, rindo sem parar e balançando o corpo de forma descoordenada no banquinho alto. Beatrice, ao seu lado, também estava bastante alegre, com as bochechas vermelhas e a voz mais alta que o normal, mas ainda conseguia manter um mínimo de equilíbrio. Clara, por outro lado, era a única das três que permanecia sóbria, observando as amigas com um misto de diversão e preocupação.
Do outro lado do deck, Edward e Adrian resolveram se aproximar.
Beatrice foi a primeira a notar. Com um sorriso largo e cambaleante, ela se levantou do banquinho e caminhou direto até Edward, jogando os braços ao redor do pescoço dele em um abraço apertado e desajeitado.
— Priminho! — exclamou, com a voz arrastada e cheia de emoção etílica. — Estou tão feliz por você. Demorou, mas encontrou uma mulher maravilhosa!
Dayse, ainda sentada, sorriu de orelha a orelha e gritou sem filtro:
— Te amo, Bia!
—Também te amo, Dayse! — respondeu, ainda abraçada ao primo, acenando exageradamente para a amiga.
Edward ergueu uma sobrancelha, divertido, enquanto Adrian desviava o olhar para Clara que o encarava com intensidade. Clara sorriu e apenas sussurrou divertido:
— Elas beberam demais.
Adrian sorriu e por uns segundos o olhar dele ficou preso no rosto de Clara que também não desviou o olhar.
— Eu acho que já basta por hoje — disse Edward, encarando a prima com firmeza e depois desviando o olhar para Dayse, que o observava descaradamente.
Ela não tirava os olhos dele.
Edward agora vestia um short folgado de tecido leve que descansava baixo nos quadris, mas que, mesmo assim, não conseguia esconder completamente o volume firme que se marcava de forma indecente sob o tecido, enquanto a camiseta de malha simples, colada na medida certa, desenhava cada linha do peito largo e dos músculos definidos, evidenciando o contorno dos ombros fortes e a tensão que ainda parecia vibrar sob a pele.
Clara riu baixinho, claramente se divertindo ao ver a amiga completamente rendida ao visual dele, enquanto Beatrice inclinou levemente a cabeça, analisando a cena com um sorriso lento, quase malicioso, antes de soltar, sem qualquer pudor:
— Hoje à noite promete… — fez uma pausa, olhando de Dayse para Edward sem disfarçar — e, pelo jeito que você tá olhando pra ele, meu primo não vai ser o único a perder o controle.
Dayse levou um segundo a mais do que gostaria para reagir, como se as palavras de Beatrice demorassem a atravessar o nevoeiro leve do álcool, mas, quando finalmente fizeram sentido, o impacto veio de uma vez.
Ela piscou devagar, o corpo reagindo antes mesmo da mente acompanhar, enquanto o calor subia pelo pescoço até alcançar o rosto, denunciando tudo sem pedir permissão.
A mão subiu automaticamente até o cabelo, afastando uma mecha para trás da orelha num gesto que parecia casual demais para ser inocente, enquanto a outra buscava o copo sobre o balcão com urgência disfarçada.
Os dedos se fecharam em torno do vidro com firmeza, e ela levou a bebida aos lábios, não exatamente pela vontade de beber, mas pela necessidade de fazer alguma coisa com o próprio corpo, qualquer coisa que não fosse encarar o que estava acontecendo ali.
O problema… era que não havia muito o que esconder.
A forma como os ombros estavam levemente rígidos, o ritmo irregular da respiração, a pele arrepiada, os mamilos marcados no sutiã do biquíni…
Tudo era visível demais.
Clara soltou uma risadinha baixa, cruzando os braços enquanto observava a cena com interesse, claramente se divertindo com cada tentativa falha de controle.
Beatrice fez um bico e continuou:
— Sacanagem, meninas… só porque o meu Lucca não está aqui para me fazer gozar…

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