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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 3

Lorena não sabia por quanto tempo andou.

As ruas passavam diante de seus olhos como manchas sem forma, vitrines borradas pelas lágrimas que não paravam de cair. O ar da noite parecia pesado demais para entrar nos pulmões, e cada passo exigia um esforço que ela não tinha certeza se conseguiria sustentar.

A perna ainda ardia. O sangue já havia secado, mas a dor continuava ali, pulsando, como um lembrete cruel do que tinha acabado de acontecer.

Ela levou a mão ao bolso, pegou o celular.

Não havia ninguém para quem ligar.

Desde o casamento, Rafael havia ocupado todos os espaços da vida dela. Os almoços com amigos ficaram raros. As mensagens não respondidas viraram silêncio definitivo. Aos poucos, sem perceber, Lorena ficou sozinha - e agora sentia o peso disso esmagando seu peito.

O estômago, que ela havia esquecido completamente depois da cena no hospital e da humilhação na casa Menezes, voltou a doer.

Dessa vez, com força.

Uma dor profunda, que a fez se curvar levemente, apoiando-se em um poste. A respiração ficou curta. A náusea subiu rápido demais.

- Não… - murmurou, fechando os olhos.

Ela não aguentaria mais andar.

Com dedos trêmulos, abriu o aplicativo de transporte e pediu um carro. Assim que o veículo parou, Lorena entrou no banco de trás sem dizer uma palavra, abraçando a bolsa contra o peito como se fosse a única coisa que ainda lhe pertencesse.

O carro arrancou.

Ela não viu o veículo escuro que começou a segui-la desde o momento em que Lorena cruzara o portão da casa Menezes, Rafael mandara alguém atrás dela.

Enquanto isso, na mansão, o clima era pesado.

Sônia ainda falava, despejando veneno sobre o nome de Lorena, enquanto Nina assentia, fingindo compreensão, fingindo tristeza.

- Ela sempre foi ingrata - dizia a mãe. - Sempre soube que não estava à altura…

- Chega.

A voz de Rafael cortou o ar como uma lâmina.

As duas se calaram imediatamente.

- Saiam - ele ordenou, sem levantar o tom. - Agora.

Nina tentou se aproximar.

- Rafael, eu só estava tentando…

- Saia - repetiu.

Não havia espaço para questionamentos. O olhar dele estava duro demais, perigoso demais.

As duas mulheres deixaram o quarto em silêncio.

Rafael fechou a porta e ficou sozinho.

O quarto parecia maior agora. Vazio. Frio.

No chão, espalhadas de qualquer jeito, estavam algumas roupas de Lorena. Marta havia obedecido à ordem - jogado ali o que supostamente não "pertencia" a ela.

Rafael se abaixou lentamente.

Pegou uma das blusas. Aproximou o tecido do rosto e inspirou fundo.

O perfume dela ainda estava ali.

Um nó se formou em seu peito, misturado com raiva, frustração e algo que ele se recusava a chamar de culpa.

Ele tinha se sacrificado tanto.

Desde o primeiro dia na faculdade, desde o instante em que a viu sentada sozinha, concentrada, alheia a tudo. Ele se apaixonara ali. À primeira vista.

E tentou de tudo para conquistá-la.

Foram cinco anos.

Flores. Convites. Promessas.

E ela sempre fria. Distante.

Sempre dizendo que eles não combinavam. Que vinham de mundos diferentes. Que ela não era o tipo de mulher que frequentava os círculos dele.

Uma pedra de gelo.

Mas ele insistiu. Porque sabia, no fundo, que ela era a mulher certa. Só precisava enxergar.

E quando finalmente enxergou, quando finalmente aceitou ser sua esposa, ele a envolveu em tudo o que ela nunca teve.

Luxo. Proteção. Conforto.

Rafael deixou a blusa de lado e caminhou até o closet.

Abriu as portas.

Lá estavam os vestidos. As bolsas. Os sapatos. Coisas que ela jamais poderia ter comprado com o salário que ganhava antes. Coisas que ele deu sem hesitar.

Passou os dedos pelos cabides, um por um.

Lembrava de cada peça. O vestido azul que ela usou no aniversário dele. O vermelho no réveillon. O casaco de cashmere que ela achou "exagerado", mas que ele comprou mesmo assim.

Ela reclamava, às vezes. Dizia que era demais. Que não precisava.

Quatro 1

Quatro 2

Quatro 3

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