Cap.50
Gabriel pausou entre as repetições, limpando o suor da testa.
— É, eu reparei. E ele também não foi nos buscar no trabalho. A gente achou que ele ainda estava irritada por causa da manhã.
Talyta franziu o cenho, pegando uma garrafa de água.
— Não sei. A irritação dele parecia diferente
— É, ele ficou estranho desde o ocorrido com você, ele só deve estar preocupado.— Gabriel concordou, voltando a fazer sua série. — Ele não parecia só de mau-humor. Parecia que estava com a cabeça em outro lugar.
Gabriel parou, a curiosidade superando o treino.
— É o Andrews também disse que ele saiu da mansão parecendo que ia explodir, mas que não quis dar detalhes.
Talyta suspirou, a preocupação se misturando à sua frustração. Eles ficaram em silêncio por um momento, cada um perdido em seus próprios pensamentos. Eles tinham o suficiente para saber que a vida de Donovan era perigosa, mas não o bastante para entender a verdadeira extensão dos problemas que ele enfrentava.
— O que quer que seja, espero que ele esteja bem — Gabriel disse, baixinho.
Talyta assentiu, sentindo um nó na garganta. Mal sabiam eles que, naquele exato momento, o homem que eles tanto se preocupavam já havia entrado na guerra que ela havia pressentido.
Não passou nem vinte minutos quando o telefone de talyta toou, ela atendeu rapidamente ansiosa.
A voz da mãe de Talyta soou do outro lado da linha, carregada de uma mistura de preocupação e alívio.
— Por que você não me contou a verdade, filha? — ela perguntou, a voz trêmula. — Se soubesse, você poderia ter vindo para minha casa, como pode ter escondido, o que faltou para eu receber a notícia que minha filha tinha sido morta?
O coração de Talyta acelerou.
— Quem te contou? O que aconteceu?
A mãe fez uma pausa, e o silêncio do outro lado da linha parecia carregar o peso de um segredo. — Eu fui à sua casa. Fui para buscar umas coisas e acabei encontrando aqueles homens.
Talyta sentiu o pânico subir pela garganta.
— Mãe, e as crianças? Eles estão bem? Eu te disse para não ir! Céus... você quer me matar? Se algo acontecesse com vocês eu morreria.
— Eles nos renderam. Eu e as meus dois netos... foi um inferno.
O mundo de Talyta desabou. As pernas tremeram, e ela teve que se apoiar na parede.
— Mãe, me diz que vocês estão bem. Eles ainda estão aí?
— Não. — A voz da mãe saiu em um suspiro longo, de puro alívio. — Foi um milagre. Um homem apareceu e nos salvou. Ele se feriu, mas depois mais alguns homens chegaram e eles resolveram o problema antes que a polícia pudesse fazer algo.
Talyta ficou pálida, sentindo a cabeça girar.
— Quem foi? Quem era o homem?
— Um tal de Donovan. Ele pediu para eu não contar, mas como eu poderia esconder? Ele salvou a mim e aos seus filhos. Aqueles homens não estavam de brincadeira, Talyta. — A mãe fez uma breve pausa, a voz ainda embargada pela emoção. — Estamos todos em casa, seguros. Você pode descansar, graças aos céus esse homem tinha chegado logo depois deles nos render e dizer que ia trazer você e matar todos juntos ali, filha... que problema você se enfiou, olha... a mamãe vai conseguir dinheiro.
— Não mãe... não precisa está bem?
As lágrimas de Talyta, antes contidas, escorreram livremente pelo seu rosto. O alívio se misturava com uma culpa avassaladora. Com a mão trêmula, ela desligou a chamada e procurou por Gabriel, os olhos cheios d'água.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa impostora e o Magnata Sombrio.