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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 48

— Patinha feia? — Sara repetiu, rindo de nervoso. — Eu cresci ouvindo você e os nossos pais me chamarem assim desde criança, tantas vezes, que acabei acreditando ser mesmo uma aberração. Mas sabe de uma coisa? Bastou eu sair de casa para entender que eu nunca fui. Eram vocês que me faziam acreditar nessas coisas.

— O que pensa que está dizendo, Sara? — Raquel murmurou, surpresa com a audácia na voz da irmã.

— Estou dizendo a verdade — respondeu, sem hesitar. — Eu nunca fui valorizada em casa porque nunca estive no lugar certo. Nunca fui vista. Tanto que bastou pouco tempo ao lado do Renato para eu perceber o meu valor. — Fez uma pausa, sentindo a voz tremer, mas continuou. — E a prova disso foi hoje à noite.

Do outro lado da linha, o silêncio se prolongou.

— As pessoas me elogiaram, sabia? — acrescentou Sara. — Eu fui admirada, Raquel.

A respiração de Raquel ficou audível, irregular.

— Isso é ridículo — tentou desdenhar, mas a voz já não tinha a mesma segurança. — Você está se iludindo por pouca coisa.

— Não — respondeu, calma. — Pela primeira vez, eu estou enxergando que posso ser mais do que vocês sempre esperaram de mim.

— Sua boba, acha mesmo que um homem como o Renato iria querer uma mulher ridícula como você?

— Me diga você mesma — rebateu. — Sou eu quem estou com ele, não é mesmo? E sei que você viu que ele fez questão de me apresentar a todos como a sua esposa.

— Ele está fazendo isso por conta do próprio ego! — Ela gritou do outro lado da linha. — O Renato é louco por mim, louco, entende? E eu sei que ele está sofrendo porque o abandonei. Se você está com ele agora, é porque ele ficou com vergonha de ser humilhado na frente de todos. Ele não gosta de você, Sara, não se iluda achando que pode se tornar a esposa dele de verdade. Sei que está aí apenas tapando um buraco que eu deixei.

— Você se superestima demais, Raquel, o Renato deixou de te admirar a partir do momento em que você fugiu com o amigo dele. Para ele, vocês dois não passam de dois traidores que se merecem.

— Para quem saiu de casa há pouco tempo, você está se achando demais, não acha? — questionou. — Vou adorar ver a sua cara de frustração quando o Renato não precisar mais de você e te descartar da vida dele como se nunca tivesse sido nada.

— Isso não vai acontecer! — declarou. — E quer saber de uma coisa? Não tenho mais nada para falar com você. Se não soube valorizar o homem que estava ao seu lado, eu sinto muito. Mas vou fazer de tudo para continuar ao lado dele.

A frase saiu sem hesitação, sem tremor, como se ela estivesse mesmo convicta daquilo.

Antes que a irmã reagisse mais uma vez, ela desligou o telefone.

Encostando a cabeça no encosto do sofá, fechou os olhos por alguns segundos. Sabia que não estava sendo sincera. Renato a desprezava tanto quanto desprezava a sua irmã e sua família. Ainda assim, naquele momento, sentiu tanta raiva da indiferença da sua irmã que decidiu usar o que ele havia feito por ela para colocar a irmã em seu devido lugar pelo menos uma vez na vida.

De qualquer forma, sabia que quando tudo aquilo terminasse, não deveria retornar para casa. Aquele lugar já não era mais apropriado para ela. Voltar a ser humilhada por Raquel ou por seus pais seria um pesadelo do qual deveria fugir com todas as suas forças.

Na noite anterior, deitado já na cama, ouviu quando Sara atendeu o telefone e começou a conversar com a irmã. A vontade de interferir naquela conversa veio com força, mas na medida em que escutava as respostas dela à irmã, percebeu que ela não era tão tola quanto parecia.

De certa forma, ficou satisfeito ao vê-la enfrentar Raquel, pois aquilo lhe deu a impressão de que, se usasse os meios certos, conseguiria convencê-la a ajudá-lo em sua vingança. E essa constatação, por mais que tentasse negar, começou a mudar a forma como ele a enxergava.

Ainda de pé, encarando-a enquanto pensava em seus próprios planos, não percebeu que ela acordou e o viu ali. A surpresa dela foi tão grande que se assustou e tentou se endireitar no sofá, mas o movimento desajeitado a fez acabar no chão.

Renato reagiu de imediato, abaixando-se para ajudá-la a se levantar.

— Você está bem? — perguntou, visivelmente preocupado.

— Estou, sim — respondeu, sem graça. — O que estava fazendo? — questionou em seguida.

— Só estava admirando a minha esposa — respondeu ele.

A reação dela foi imediata: os olhos se arregalaram, sem saber ao certo se aquilo era provocação… ou algo mais.

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