Ela tentou se afastar, mas Renato foi mais rápido e a ajudou a se levantar. O movimento fez com que seus corpos se aproximassem no mesmo instante. Constrangida, Sara virou o rosto rapidamente, tentando escapar daquela proximidade inesperada.
Estar perto dele a deixava nervosa. Nunca havia ficado tão próxima de um homem como ficava ao lado de Renato e, além disso, não podia negar que ele era bonito, atraente demais para o seu próprio conforto. Aquilo só aumentava o constrangimento.
— Já amanheceu? — perguntou, tentando disfarçar o incômodo.
— Sim. Dormiu bem? — ele questionou.
— Demorei para pegar no sono — revelou.
Renato olhou para o sofá, depois voltou o olhar para ela.
— Como conseguiu dormir aí?
— E eu tive escolha? — rebateu, afastando-se do toque dele. — Até quando vamos ficar aqui? — perguntou, tentando mudar de assunto.
— Não sei — respondeu. — Temos um baile hoje à noite.
— É verdade.
Ela se afastou, caminhando em direção à porta do banheiro, mas foi impedida quando Renato falou atrás dela.
— Espera — pediu.
Sara parou e se virou devagar, encarando-o.
— O que quer de mim?
Renato demorou alguns segundos para responder. Parecia escolher as palavras com cuidado, algo incomum para ele.
— Sobre o que aconteceu ontem — disse, por fim. — Você foi bem cautelosa e me ajudou a não fazer nada por impulso.
Sara sentiu o coração acelerar, mas manteve o semblante firme.
— Quero que saiba que te agradeço por isso. Tenho um nome a zelar e não posso deixar que qualquer coisa me tire do sério — continuou.
Ele deu um passo à frente, mas parou antes de invadir o espaço dela.
— Você é esperta, Sara, sou homem o bastante para reconhecer isso.
— Do que me adianta o seu reconhecimento? Estou no meio de tudo isso sem direito a escolhas.
Renato assentiu lentamente.
— É claro que você tem escolha! — rebateu. — Se me ajudar do jeito certo, posso pensar em como recompensá-la.
Ela franziu o cenho.
— E como seria isso?
— Com respeito. — Fez uma pausa. — E com um acordo claro entre nós.
— Que tipo de acordo?
— Você não será humilhada enquanto estiver ao meu lado — afirmou. — Nem por mim, nem por ninguém. E eu não vou tomar decisões que te joguem contra a sua vontade no meio de guerras que não são suas.
Sufocada pelos próprios pensamentos, decidiu tomar um banho frio para tentar relaxar. Quando terminou, lembrou-se do que Renato havia dito sobre descansar um pouco e, sendo sincera consigo mesma, seu corpo realmente pedia isso. Ainda assim, sabia que, se se deitasse naquela cama, a mente não lhe daria trégua.
Por isso, tomou outra decisão.
Resolveu se arrumar e descer para tomar café no restaurante do hotel. Lembrava-se de que, no dia anterior, enquanto passeava pelo local, havia notado um espaço mais reservado para os hóspedes, com uma vista ampla para o mar. Talvez o som das ondas e a distância momentânea daquele quarto a ajudassem a organizar os pensamentos.
Era disso que precisava naquele momento: ar, silêncio e um pouco de clareza.
Quando chegou ao restaurante, fez o pedido, que não demorou a chegar. Em silêncio, começou a comer, com os olhos perdidos na paisagem à sua frente. O mar se estendia calmo, azul, contrastando com o que existia dentro dela.
Nunca tinha se imaginado em um lugar como aquele. Luxuoso, bonito, distante demais da vida que sempre conheceu. Por alguns instantes, permitiu-se apenas observar, respirar fundo e fingir que estava ali por escolha própria, não por circunstância. Mas a realidade não demorou a se impor, em poucos instantes, foi empurrada de volta para a realidade.
Estava distraída, até que sentiu um puxão no cabelo.
O ato foi brusco o suficiente para fazê-la inclinar a cabeça para trás e um arrepio imediato percorreu a nuca.
— Ai! — escapou, surpresa.
Virou-se no mesmo instante, vendo a irmã ali de pé atrás dela, com os olhos tomados por uma fúria. O rosto bonito estava rígido, os lábios contraídos, como se estivesse possuída pelo próprio demônio.
— Então aqui está você, sua desgraçada — disse a irmã, entre dentes. — Como ousou desligar o telefone em minha cara ontem à noite?
Com o coração disparado, Sara levou a mão ao cabelo, tentando se defender daquele ataque.
— Me solta, Raquel, você está louca?
— Não, eu não estou, mas você não perde por esperar! — bradou, histérica.

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