— Me solta, Raquel. Por acaso você perdeu a noção? — Sara pediu, tentando se desvencilhar.
— A noção quem perdeu foi você — Raquel rebateu, num tom de desprezo. — Se achando num lugar desses… Como consegue ficar tão à vontade assim? Quem você pensa que é?
Alguns hóspedes próximos começaram a lançar olhares curiosos. Sara percebeu e respirou fundo, lutando para não deixar a situação sair ainda mais do controle.
— Me solta — pediu, em tom baixo. — Você está chamando atenção.
Raquel não queria recuar, mas, ao olhar em volta e notar que realmente estava sendo observada, tentou se controlar. Soltou o cabelo da irmã, porém não se afastou. Segurou-a com força pelo braço e a puxou dali.
Arrastada, Sara tentou acompanhar os passos, com o coração disparado, sem saber o que fazer ou dizer. Quando chegaram a um canto mais afastado, longe dos olhares curiosos, Raquel a soltou de repente e a empurrou, fazendo-a cair no chão.
A queda no chão foi de mau jeito, fazendo com que ela batesse as costas com força contra o piso. A dor foi imediata, incômoda, arrancando-lhe um gemido enquanto tentava se recompor e se levantar. Já estava dolorida por ter dormido mal no sofá, e aquela pancada só fez tudo ficar ainda pior.
— Como ousa desfilar por aí com um homem que era meu? — Raquel gritou, alterada.
Apoiando as mãos no chão, Sara se levantou com dificuldade. Seu corpo estava tremendo e o fato de estarem sozinhas ali lhe deixava com receio do que poderia acontecer. Mas sabia que não podia demonstrar medo ali. Se o fizesse, a irmã se aproveitaria ainda mais da sua fragilidade.
Endireitou a postura, mesmo com o corpo dolorido, e levantou o queixo.
— Disse certo, ele era seu — falou, firme. — Mas você não o quis, não é mesmo?
Raquel a encarou, surpresa com a coragem inesperada.
— Não foi você mesma quem me disse no dia do seu casamento que, se eu estivesse com pena dele, fosse em seu lugar? — continuou, sem desviar o olhar. — Pois bem. Eu fui.
Sua resposta foi como um tapa no rosto de Raquel. Ela arregalou ainda mais os olhos, agora vermelhos, ardendo como chama. Aquilo a atingiu onde menos esperava.
De fato, Raquel não se importava com Renato. Nem um pouco. Estava feliz ao fugir com Alessandro, certa de que havia feito a melhor escolha. Mas tudo mudou depois que Alessandro viu o amigo bem acompanhado, seguro e, pior, aparentemente intacto.
Desde então, o humor dele mudou. Tornou-se mais ríspido, como se algo tivesse sido ferido em seu orgulho. E aquilo a incomodava mais do que qualquer coisa, porque não foi isso que planejou quando decidiu fugir com ele.
— Você fez isso de propósito — Raquel disparou, com a voz trêmula de raiva. — Sempre foi assim. Sempre foi invejosa e quis o que era meu.
— Não se faça de boba — Sara respondeu firme, apesar do corpo ainda dolorido. — Você sabe que não foi assim. Os nossos pais me obrigaram a entrar na igreja no seu lugar.
Raquel abriu a boca para retrucar, mas ela não deu espaço.
— Só que o que você… e nem eles contavam — continuou — era que o Renato ficaria comigo depois do casamento.
Raquel piscou algumas vezes, como se tentasse reorganizar a própria narrativa.

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