Mesmo sob os olhares curiosos de alguns hóspedes, Renato atravessou o corredor com Sara no colo e a levou direto para a suíte onde estavam hospedados. Assim que entrou, fechou a porta e a deitou na cama com todo o cuidado, como se qualquer movimento brusco pudesse machucá-la ainda mais.
— Onde dói? — perguntou, já se inclinando sobre ela.
— Minhas costas — respondeu, fazendo uma careta ao tentar se ajeitar.
— Deixa eu ver — pediu.
Mesmo constrangida, Sara se virou devagar. Renato puxou com cuidado a blusa que ela usava e teve acesso às costas dela, onde marcas arroxeadas já começavam a surgir. A visão o deixou tenso por vários motivos.
O primeiro era porque ela havia desobedecido sua ordem de ficar no quarto.
O segundo e o que mais o irritava era porque quem havia feito aquilo com ela era Raquel.
— Espera um pouco — disse, afastando-se de repente.
Foi até o telefone e falou com o serviço do hotel.
— Preciso de uma bolsa de gelo e alguns analgésicos. Agora.
Desligou e voltou para perto da cama. Sem pedir permissão, começou a puxar a blusa que Sara ainda vestia, tentando levantá-la um pouco mais para alcançar as marcas.
— O que você está fazendo? — ela perguntou, nervosa, tentando segurar a própria roupa.
— Estou tentando ajudar, não está vendo? — respondeu, sem dureza, mas sem abrir espaço para discussão.
Ela hesitou por um instante, o coração acelerado, dividida entre o constrangimento e a dor que ainda sentia.
Renato percebeu.
— É melhor cuidar disso antes que fique pior.
Mesmo relutante, Sara afrouxou as mãos, deixando que ele levantasse a camisa mais um pouco. Enquanto aguardavam, o silêncio se instalou no quarto.
Alguns minutos depois, um funcionário do hotel bateu à porta. Renato abriu somente o suficiente para pegar a bolsa de gelo e os analgésicos, agradeceu com um aceno breve e fechou novamente.
Voltou para a cama e se sentou ao lado dela.
— Está gelado — avisou, antes de encostar a bolsa de gelo com cuidado nas costas dela.
Ela respirou fundo ao sentir o frio intenso, seus músculos se contraíram de imediato.
— Isso vai evitar que fique pior.
Mordendo o lábio para não reclamar, Sara assentiu. O silêncio voltou a se instalar, interrompido apenas pela respiração dos dois.
Após alguns instantes, Renato pegou o comprimido e estendeu para ela junto com um copo de água.
— Toma.
— Obrigada — murmurou, obedecendo.

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