Os olhos dela se arregalaram de medo, principalmente pelo modo brusco como ele a segurava.
— Se não me soltar agora mesmo, eu vou gritar — disse, usando a única defesa que lhe veio à mente.
Alessandro soltou um riso curto, cínico.
— Acha mesmo que, com essa música toda, alguém vai te ouvir? — provocou. — Ingênua.
— Me solte — insistiu ela, com a voz falhando.
Ele ignorou o pedido, apertando o braço dela com mais força.
— O que aquele desgraçado do Renato está te dando para você se passar por esposa dele, hein? — perguntou, sacudindo-a fortemente. — Me diz!
Sara sentiu o coração disparar. Não era só raiva no tom dele, era algo mais frio.
— O que te faz pensar que o Renato precisa me dar alguma coisa? — indagou, mesmo com medo.
— Não vem com essa — Alessandro rosnou. — Seja sincera e fala logo. Posso te oferecer o dobro do que ele te deu, se contar para todo mundo que não é a verdadeira esposa dele.
Ficou claro naquele instante o que ele queria. Alessandro não estava ali por Raquel, nem apenas por orgulho ferido. Ele queria destruir Renato. Arrancar sua reputação diante de todos.
Sara poderia sair daquela situação dizendo a verdade, alegando que estava ali por pressão, por medo. Mas sabia que, se fizesse isso, estaria ajudando não só aquele homem, mas também a irmã. E isso ela não faria.
Tomada por uma coragem que nem sabia que possuía, ergueu o queixo e respondeu, encarando-o nos olhos:
— Só de olhar para o seu rosto dá para perceber que você não tem capacidade de me oferecer nem um terço do que o Renato pode me dar.
O sorriso de Alessandro desapareceu na mesma hora.
— Ah… como você é corajosa — disse, num tom baixo e perigoso. — Ou muito burra. Você tem ideia do que posso fazer com uma inútil como você em segundos? — ele ameaçou. — Sou um homem poderoso, tenho contatos em todo lugar.
— Não é isso que me parece — ela rebateu, sem desviar o olhar. — Para mim, um homem que precisou roubar a mulher de outro para tentar humilhá-lo não passa de um perdedor.
As palavras atingiram-no em cheio. A expressão de Alessandro se distorceu, a máscara de controle se partiu por completo. Antes que ela pudesse reagir, ele levantou a mão livre e a golpeou no rosto com força. O impacto fez sua cabeça virar para o lado, o gosto metálico de sangue subiu à boca. Ela só não caiu porque ele ainda segurava seu braço, mantendo-a de pé à força.
— Cala a boca! — explodiu, fora de si. — Você não tem ideia com quem está mexendo!
Mesmo sentindo o rosto arder e os olhos marejarem, Sara não gritou. A dor era real, o medo também, ainda assim algo dentro dela se recusava a ceder. Respirou com dificuldade, o coração disparado, enquanto ele a sacudia uma última vez, como se quisesse apagar qualquer resquício de desafio.
O barulho do salão seguia normal, as pessoas riam, dançavam, brindavam. E Sara, sentada ali no meio de tudo aquilo, não sabia o que fazer.
— Demorei? — A voz de Renato a trouxe de volta à realidade.
Ela se virou e deu de cara com ele.
— Um pouco — foi o que conseguiu responder.
— Eu sei — disse ele, aproximando-se e estendendo a mão. — Mas tenho boas notícias. Podemos ir embora agora mesmo.
Aquela frase soou como um alívio imediato. Sem hesitar, Sara aceitou a mão dele e se levantou. Tudo o que queria era sair dali, deixar aquele lugar para trás.
Contudo, assim que ficou de pé, Renato a puxou levemente para si. O gesto foi rápido, quase impaciente. Ele deixou alguns beijos em seu pescoço e, em seguida, aproximou a boca de seu ouvido.
— Estou louco para ficar a sós com você — sussurrou. — Não pense que me esqueci de suas provocações.
Naquele instante, Sara sentiu uma vontade enorme de chorar. Não pelo que iria acontecer, mas pela constatação amarga de que as pessoas nunca se importavam de verdade com ela. No fundo, parecia não fazer diferença onde estivesse, sempre acabaria encontrando alguém disposto apenas a usá-la.

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