— Vamos — disse ele, guiando-a em direção à saída do salão.
— Tem certeza de que pode sair daqui agora? — ela perguntou, só para confirmar.
— Claro que sim — respondeu, sem hesitar. — O Hélio sabe que ainda estou em lua de mel e que quero ficar a sós com a minha esposa sempre que puder.
O rosto dela ficou vermelho no mesmo instante, e um nervosismo difícil de conter a invadiu. Não havia mais como escapar daquela noite. Sabia que teria de fazer o que fosse necessário e, depois, implorar para que Renato a protegesse, para que não a deixasse voltar para casa quando tudo aquilo terminasse.
Enquanto caminhava ao lado dele, sentiu o peso daquela decisão apertar o peito. Não era escolha, era sobrevivência.
No elevador, a provocação de Renato começou quase de imediato. Como estavam sozinhos, ele a prensou contra a parede com o corpo, num gesto impulsivo, e a beijou com intensidade. As portas ainda nem tinham se fechado direito quando o espaço pareceu pequeno demais para os dois.
Sara sentiu o ar faltar por um instante. O beijo era seguro, decidido, como se ele quisesse apagar tudo o que havia acontecido naquela noite. As mãos dele se apoiaram na parede ao lado de seu rosto, bloqueando qualquer saída.
— Você me provocou o tempo todo — murmurou, entre um beijo e outro. — Agora não adianta fingir surpresa.
Ela fechou os olhos por um segundo, tentando organizar os próprios pensamentos.
— Desde o salão — continuou —, você não faz ideia do efeito que teve sobre mim.
O elevador começou a subir, silencioso, enquanto Sara sentia o coração disparar. Não era apenas o contato físico que a deixava tensa, mas a consciência de que, a partir dali, tudo ficaria ainda mais difícil de controlar.
Ela apoiou as mãos no peito dele, mantendo alguma distância. Ele parou por um instante, encostando a testa na dela, respirando pesado.
— Renato… — chamou, num tom baixo, mais como um pedido de calma do que de recusa. — Por favor… pelo menos, seja carinhoso comigo — sussurrou, com a voz baixa e trêmula.
Ele a encarou por alguns segundos, em silêncio. O olhar estava confuso, dividido entre o impulso e algo que ele próprio parecia não saber nomear.
Por fim, Renato respirou fundo e falou, num tom controlado:
— Vou pegar leve porque seu corpo está dolorido. Apenas isso. — Fez uma pausa curta, como se estivesse estabelecendo um limite. — Não me peça mais nada.
Sara assentiu em silêncio. Não havia alívio naquela resposta, apenas a certeza de que tudo continuava sob o controle dele. As portas se abriram, e o corredor do andar surgiu à frente como um caminho sem volta.
Renato saiu primeiro, sem olhar para trás, ela o seguiu, sentindo o peso daquela noite se acomodar no peito. Enquanto caminhavam em direção à porta do quarto, ela sabia que não devia esperar nada dele. Renato não a amava, não sentia nada além de desejo. Não podia esperar outra coisa. Nem ela mesma queria algo diferente. Tudo o que desejava era um pouco de estabilidade naquela vida tumultuada, ao menos até conseguir se organizar e decidir o que faria do próprio destino, que até então só lhe parecera cruel.
Assim que a porta do quarto se abriu, ele deu passagem para Sara entrar. Com as pernas trêmulas, ela obedeceu. No instante em que seus pés cruzaram o batente, Renato fechou a porta. Em seguida, segurou-a pela cintura e voltou a colar o corpo ao dela.
— Agora, você é minha — sussurrou, antes de selar seus lábios nos dela mais uma vez.


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