O clima pareceu mudar no mesmo instante em que Renato se afastou, deixando-me numa posição totalmente constrangedora. Eu estava somente com as peças íntimas e nunca havia me sentido tão exposta diante de alguém.
— Quando foi que ele fez isso? — perguntou, e confesso que o tom de voz dele me assustou no mesmo instante.
— Não importa — respondi.
— Vai mesmo querer fazer esse joguinho, Sara? — elevou a voz. — Fala logo, antes que eu perca a minha paciência com você e te obrigue a falar!
Sabendo que ele não me daria trégua, decidi ser sincera.
— Quando fui ao banheiro — comecei. — Eu estava te esperando, mas como você demorou, resolvi ir até lá. Foi rápido, mas, na saída, ele estava me esperando.
— E como ele fez isso? Por quê?
— Porque eu o respondi de um jeito que ele não gostou — confessei. — Ele tentou me intimidar, querendo saber o que você estava me oferecendo para eu fingir ser sua esposa.
— Que canalha! — murmurou, com os olhos cheios de raiva. — E o que você disse?
— Disse que não precisava fingir nada, mas ele insistiu. Falou que me daria o dobro do que eu estava ganhando para te desmentir na frente de todos.
— E? — questionou, impaciente.
— Eu me recusei. Disse que não estava ganhando nada e que, mesmo se estivesse, ele não seria capaz de dobrar a sua oferta.
A testa dele se franziu no mesmo instante. Percebi que Renato duvidava da minha resposta, ainda assim, mantive o olhar firme.
— Aquele canalha vai me pagar — praguejou, ajeitando a roupa e caminhando em direção à porta.
— Aonde você vai? — perguntei, preocupada.
— Vou me acertar com ele agora mesmo.
Com medo de que ele perdesse a cabeça, tentei alcançá-lo e segurei seu braço.
— Deixe isso para lá — pedi, com os olhos assustados. — Já passou, e tenho certeza de que o Alessandro já está furioso por não ter conseguido o que queria. Pense na sua reputação.
— É nela que estou pensando — respondeu de imediato. — Uma coisa é brigar com o Alessandro por causa da minha ex. Outra é agora. Eu tenho motivos suficientes para quebrar a cara dele. Ele mexeu com a minha esposa.
Dito isso, ele puxou o braço, se soltando do meu toque, e saiu apressado, sem olhar para trás.
— Meu Deus, o que foi que eu fiz? — pensei, assim que a porta se fechou.
Depressa, corri até o armário em busca de uma roupa para me vestir. Seja lá o que fosse acontecer, eu precisava estar pronta.
[…]
No corredor do hotel, Renato caminhava apressado, deixando claro que estava disposto a resolver aquilo de uma vez por todas. Seus olhos varreram o salão de festas, já quase vazio, mas não encontrou o canalha que procurava. Seguiu então para o bar do hotel e, mais uma vez, se frustrou.
Só havia um lugar onde Alessandro poderia estar. Para Renato, até fazia sentido.

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