O pedido não veio como ordem, mas como um desafio sutil, o que a deixou morrendo de vergonha. Tudo aquilo era novo para ela e, por mais que não quisesse admitir, seu corpo reagia antes que pudesse organizar os próprios pensamentos. Sentiu o rosto esquentar, o coração bater acelerado e desviou o olhar por um breve instante, como se aquilo pudesse escondê-la dele.
Renato percebeu. Sempre percebia.
— Está com vergonha de quê, Sara? Do que está sentindo… ou de gostar disso?
Aquela era a parte em que ela não o suportava. Ele era direto demais, sem qualquer filtro, como se tirasse prazer em colocá-la contra a parede com palavras, em expor exatamente aquilo que ela ainda não sabia nomear. Aquilo a deixava confusa, dividida entre a vontade de recuar e a irritação por ele enxergar com tanta clareza o que tentava esconder até de si mesma.
Ela mordeu o lábio, numa tentativa quase inútil de recuperar algum controle. Não gostava da sensação de estar sendo lida com tanta facilidade, de ter as reações antecipadas antes mesmo de conseguir entendê-las. Renato, por sua vez, parecia se divertir com cada pequena resistência, com cada gesto inseguro que a denunciava.
E isso era o que mais a incomodava: ele sabia. Sabia exatamente onde tocá-la, não apenas com as mãos, mas com as palavras.
Sabendo que já estava no controle, ele a levou até a cama e deitou com cuidado.
— Quer saber de algo? — Ele continuou, começando a tirar a calça, atento a cada reação dela. — Estou feliz pela troca que fiz.
No mesmo instante, Sara ergueu o rosto devagar, sentindo o incômodo imediato tomar forma no peito. Aquilo soou presunçoso, ofensivo, como se ele estivesse certo demais de si.
— Nunca tive na cama uma mulher que fosse só minha, sabia? — confessou, sem rodeios. — Para ser sincero, achei que nem existiam mais mulheres assim.
As palavras vieram cruas demais, cheias de um peso que a fez se enrijecer no mesmo instante. Sara sentiu o incômodo subir rápido, um nó se formou em sua garganta. Aquilo não soou como admiração, soou como posse. O tom machista ficou evidente, quase ofensivo.
Aquilo era demais.
Renato pareceu não perceber de imediato o limite que havia ultrapassado, ainda preso à própria franqueza brutal, como se dissesse verdades incontestáveis. Mas Sara já não estava apenas envergonhada, estava desconfortável com aqueles comentários.
Terminando de tirar a roupa, ele se inclinou sobre ela, diminuindo a distância até quase não haver espaço para o ar entre os dois. A voz dele veio baixa, quente, roçando em seu ouvido, trazendo uma segurança que a fez estremecer apesar de si mesma.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!