Entrar Via

Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 72

No quarto, Sara ainda estava envolta pelos braços de Renato. Os toques dele agora eram mais lentos, quase preguiçosos, percorrendo sua pele como se estivesse marcando presença, reafirmando algo que só existia na cabeça dele.

Ela permanecia em silêncio, olhando para o teto, tentando organizar os próprios pensamentos. O corpo ainda reagia, mas a mente já começava a pesar.

— No que está pensando? — ele perguntou, quebrando o silêncio.

— Em nada — respondeu depressa, quase automática.

Ele não pareceu convencido, por isso, deslizou a mão lentamente pelo braço dela, num gesto de posse.

— Acha mesmo que acredito nisso?

Seu tom autoritário a deixava descomposta. Para Sara, ainda era estranho estar tão próxima dele, dividindo aquele espaço íntimo como se fosse algo natural. O corpo ainda sentia os resquícios do que havia acontecido, mas a mente não acompanhava na mesma velocidade.

Ela se mexeu levemente, desconfortável, consciente demais da proximidade, do peso do braço dele sobre o seu corpo, da falta de distância. Tudo aquilo ainda parecia fora de lugar.

— Eu só estou tentando ficar em silêncio — respondeu, baixinho.

Sua mente estava perturbada demais. Ela se julgava o tempo todo por ter aceitado estar naquela situação, dividida entre a culpa e a sensação incômoda de não saber mais em que ponto havia perdido o controle das próprias escolhas.

Mesmo depois daquela resposta, ele não deu trégua.

— Por que você não se abre para mim? — insistiu. — Sei que você está desesperada a ponto de aceitar qualquer coisa só para não voltar para a casa dos seus pais.

O tom dele foi direto demais, atingindo-a onde doía. Sara sentiu o peso daquelas palavras se instalar no peito, porque, mesmo odiando admitir, havia verdade ali. E isso só tornava tudo ainda mais difícil de suportar.

— Se você já sabe, por que quer que eu fale? Por acaso gosta de ver o sofrimento das pessoas?

Mesmo percebendo que ela falava com total seriedade, um sorrisinho descarado surgiu no canto dos lábios dele.

— Você não está sofrendo tanto assim — disparou, sem pudor algum. — Pelo menos, não foi o que pareceu há pouco.

As palavras a atingiram em cheio. O rosto dela ficou vermelho no mesmo instante, tomado por vergonha e indignação. Aquilo foi demais. A forma como ele reduzia tudo a um comentário frio, quase debochado, fez algo dentro dela se romper.

Os olhos arderam, e ela soube que não conseguiria conter o choro se permanecesse ali, tão próxima dele. Sem dizer mais nada, afastou-se de repente, sentando-se na beira da cama, de costas, tentando recuperar o controle da própria respiração.

— Pode não parecer — confessou, em voz baixa —, mas para mim isso é muito difícil.

Ela manteve os olhos fixos no chão, enquanto entrelaçava os dedos com força no lençol, como se aquilo a impedisse de desabar de vez.

— Eu só queria que você entendesse isso. Eu não tenho para onde ir nesse momento, então, para continuar neste lugar, eu aceito qualquer coisa… mesmo que isso acabe ferindo a minha dignidade.

As palavras eram uma constatação dura, dita sem orgulho, sem drama, apenas a verdade crua de quem estava escolhendo sobreviver do jeito que conseguia.

Ela respirou fundo antes de completar, mais baixa:

— Então se lembre, nem tudo é tão simples quanto você faz parecer.

Sabendo que já havia feito a sua parte ali, ela pegou o lençol e o enrolou no corpo para se cobrir. Sem dizer mais nada, levantou-se e saiu do quarto, seguindo em direção ao banheiro. A cabeça baixa denunciava o quanto estava tentando se manter inteira.

Renato a acompanhou com o olhar até que ela desaparecesse pela porta. Engoliu em seco. Naquele momento, algo diferente o atingiu. Um incômodo silencioso, inesperado. Pela primeira vez desde que tudo havia acontecido, sentiu um resquício de culpa.

Não era arrependimento pleno. Mas a imagem dela se afastando daquela forma, sem confronto, sem acusações, pesou mais do que qualquer palavra. Ele passou a mão pelo rosto, respirou fundo e permaneceu sentado na cama, encarando o espaço vazio que ela deixou.

— Que merda… — soltou, erguendo a cabeça em direção ao teto.

Ficou alguns segundos assim, respirando fundo, como se buscasse alguma resposta onde não havia nada. Sabia que também tinha se perdido ali, que havia cruzado limites sem perceber quando, exatamente, isso havia acontecido. O controle que sempre acreditou ter já não parecia tão sólido, e agora não fazia ideia de como se encontrar outra vez, nem de como sair daquela situação sem deixar ainda mais estragos pelo caminho.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!