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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 73

Não querendo voltar a ver o rosto de Sara naquele momento, Renato se levantou, vestiu-se rapidamente e saiu do quarto. Precisava de ar, de distância. Ao chegar à sala de jantar, percebeu que a mesa já estava posta para o almoço.

Quando o viu entrar sozinho, Lorena abriu um sorriso imediato e se aproximou com rapidez.

— Que bom que chegou — disse, solícita. — Vou pedir que sirvam o almoço.

Ele apenas assentiu e se sentou à mesa em silêncio. Os pratos foram servidos, e ele começou a comer sem pressa, mas também sem atenção ao que estava à sua frente. A mente insistia em voltar para Sara, para a conversa que haviam tido, para tudo o que foi dito e o que havia ficado em silêncio. Tudo parecia mais complicado do que antes, embora soubesse que não podia retroceder.

— Como estão as coisas por aqui? — perguntou de repente, mais para ocupar a mente do que por real interesse.

— Tudo está em ordem, como sempre — respondeu Lorena, pronta demais.

— Ótimo.

Ela se manteve próxima.

— Pedi que preparassem a sua sobremesa preferida — comentou, tentando puxar assunto. — Aposto que vai amar.

— Tudo bem — respondeu, sem emoção.

Atenta a cada gesto, Lorena observava mais do que falava. Depois de alguns segundos, arriscou:

— A senhorita Sara não vai almoçar com o senhor?

Levantando o olhar do prato, ele respondeu:

— Ela está muito cansada da viagem, deve vir mais tarde — respondeu, de forma objetiva.

Fez uma breve pausa antes de completar:

— Deixem a mesa posta. Quando ela sair do quarto, sirvam o almoço para ela.

Houve um instante de silêncio.

— Claro — Lorena respondeu, embora o tom deixasse evidente o contragosto.

— Vou ter que sair — disse ele, empurrando a cadeira para trás. — E não sei que horas voltarei… — corrigiu, num tom seco.

Levantou-se, já pegando as chaves.

— Enquanto eu não estiver, trate de tratar a Sara bem. Está me ouvindo?

Lorena ergueu o queixo, visivelmente incomodada.

— Você sabe que não precisa se preocupar com isso — respondeu, como se estivesse ofendida.

Renato a encarou por alguns segundos, com o olhar duro.

— Não estou preocupado — afirmou. — Estou apenas te lembrando que as coisas aqui funcionam como eu quero.

Engolindo em seco, ela assentiu devagar.

— Claro.

Sem esperar pela sobremesa que Lorena insistiu tanto em servir, Renato saiu. Não se despediu e muito menos olhou para trás. Minutos depois, o som do carro se afastando ecoou pelo pátio.

Pela janela, ela viu o veículo desaparecer. Assim que perdeu o carro de vista, apertou os punhos com força e fechou o semblante no mesmo instante.

— Era só o que me faltava… — murmurou, lembrando-se das instruções que ele havia dado.

Antes que a empregada respondesse, Lorena surgiu mais uma vez. A postura era altiva, o olhar frio, e ela já entrou falando, sem qualquer preocupação em disfarçar o tom.

— Nesta casa somos rigorosos com horários — disparou. — Se até o próprio dono almoça na hora certa, por que as suas visitas não podem?

Sara sentiu a indireta pesada.

Sustentando o olhar, Lorena cruzou os braços, disposta a soltar tudo o que estava preso em sua garganta.

— Ninguém aqui é desocupado para ficar servindo alguém que dorme demais.

Eliene, que ainda retirava a mesa, deixou escapar um risinho discreto ao ver a governanta colocar Sara, claramente, em seu “devido lugar”.

— Eu não dormi demais — tentou se justificar, quase envergonhada.

Porém, Lorena não lhe deu espaço algum.

— O almoço já foi servido — cortou, fria. — Agora estamos arrumando a mesa. Se quiser comer, pode ir até a cozinha. Aposto que lá deve ter alguma coisa para você.

O tom era de desprezo disfarçado de organização. Sara sentiu o rosto esquentar, mas não respondeu. Apenas assentiu levemente, engolindo a humilhação junto com a fome, e se afastou da sala sob os olhares atentos e silenciosamente coniventes de quem assistia à cena.

Assim que ela saiu dali, Eliene não se conteve.

— Bem feito — soltou, em tom de deboche. — Essa mulherzinha acha que vai virar dona da casa, mas é sonsa demais. Eu não sei como o senhor Renato a tolera.

— Nem eu — respondeu Lorena, sem suavizar o tom. — Mas saiba de uma coisa: se depender de mim, ela não vai querer ficar nesta casa por muito tempo.

As palavras foram ditas friamente e Eliene não respondeu. Apenas assentiu, satisfeita.

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