Não querendo voltar a ver o rosto de Sara naquele momento, Renato se levantou, vestiu-se rapidamente e saiu do quarto. Precisava de ar, de distância. Ao chegar à sala de jantar, percebeu que a mesa já estava posta para o almoço.
Quando o viu entrar sozinho, Lorena abriu um sorriso imediato e se aproximou com rapidez.
— Que bom que chegou — disse, solícita. — Vou pedir que sirvam o almoço.
Ele apenas assentiu e se sentou à mesa em silêncio. Os pratos foram servidos, e ele começou a comer sem pressa, mas também sem atenção ao que estava à sua frente. A mente insistia em voltar para Sara, para a conversa que haviam tido, para tudo o que foi dito e o que havia ficado em silêncio. Tudo parecia mais complicado do que antes, embora soubesse que não podia retroceder.
— Como estão as coisas por aqui? — perguntou de repente, mais para ocupar a mente do que por real interesse.
— Tudo está em ordem, como sempre — respondeu Lorena, pronta demais.
— Ótimo.
Ela se manteve próxima.
— Pedi que preparassem a sua sobremesa preferida — comentou, tentando puxar assunto. — Aposto que vai amar.
— Tudo bem — respondeu, sem emoção.
Atenta a cada gesto, Lorena observava mais do que falava. Depois de alguns segundos, arriscou:
— A senhorita Sara não vai almoçar com o senhor?
Levantando o olhar do prato, ele respondeu:
— Ela está muito cansada da viagem, deve vir mais tarde — respondeu, de forma objetiva.
Fez uma breve pausa antes de completar:
— Deixem a mesa posta. Quando ela sair do quarto, sirvam o almoço para ela.
Houve um instante de silêncio.
— Claro — Lorena respondeu, embora o tom deixasse evidente o contragosto.
— Vou ter que sair — disse ele, empurrando a cadeira para trás. — E não sei que horas voltarei… — corrigiu, num tom seco.
Levantou-se, já pegando as chaves.
— Enquanto eu não estiver, trate de tratar a Sara bem. Está me ouvindo?
Lorena ergueu o queixo, visivelmente incomodada.
— Você sabe que não precisa se preocupar com isso — respondeu, como se estivesse ofendida.
Renato a encarou por alguns segundos, com o olhar duro.
— Não estou preocupado — afirmou. — Estou apenas te lembrando que as coisas aqui funcionam como eu quero.
Engolindo em seco, ela assentiu devagar.
— Claro.
Sem esperar pela sobremesa que Lorena insistiu tanto em servir, Renato saiu. Não se despediu e muito menos olhou para trás. Minutos depois, o som do carro se afastando ecoou pelo pátio.
Pela janela, ela viu o veículo desaparecer. Assim que perdeu o carro de vista, apertou os punhos com força e fechou o semblante no mesmo instante.
— Era só o que me faltava… — murmurou, lembrando-se das instruções que ele havia dado.


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