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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 74

Ao entrar na cozinha, Sara encontrou Odete organizando algumas coisas no armário. Assim que a viu, a mulher interrompeu o que fazia e abriu um sorriso sincero, daqueles raros naquela casa.

— Que bom vê-la novamente, Sara.

— Digo o mesmo, Odete — respondeu, aliviada. Sabia que aquela era a única pessoa ali que a tratava com gentileza.

Odete a observou por um instante, atenta demais para não perceber o abatimento.

— Como foram as coisas enquanto esteve fora? — perguntou.

— Horríveis — respondeu, sem rodeios.

A sinceridade a pegou de surpresa. Ela se aproximou um pouco mais, baixando o tom.

— Você não parece nada bem.

— E não estou — confessou. — Mas acho que estaria pior se não estivesse aqui.

Havia cansaço demais naquele olhar. Odete sentiu o aperto no peito e tentou amenizar o clima.

— Você quer comer alguma coisa?

— Eu adoraria — respondeu de imediato.

— Então, sente-se — disse, apontando para a mesa. — Vou preparar seu prato.

Com rapidez, serviu a comida e colocou o prato à frente de Sara. Em vez de se afastar, puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dela.

— Confesso que, quando você viajou com o senhor Renato, achei que não a veria mais.

— Como sabe, Odete, eu não tenho muita escolha — respondeu, baixando o olhar.

— Imagino… — Odete fez uma breve pausa. — Mas, pelo que soube, parece que vocês estão se dando bem agora.

Erguendo o olhar devagar, Sara arqueou uma sobrancelha.

— Por que você acha isso? — questionou.

Odete pareceu ficar sem jeito.

— Bem… — começou. — Fiquei sabendo que vocês vão dormir no mesmo quarto.

— Ah… — as bochechas dela queimaram no mesmo instante. — Isso não significa nada.

A resposta saiu rápida demais. Odete franziu levemente a testa, confusa com a negação tão firme.

— Não?

— Não do jeito que parece — completou, sem entrar em detalhes.

Odete a observou em silêncio por alguns segundos. Havia algo naquela resposta que não se encaixava.

— As coisas são mais complexas do que você imagina — disse Sara, depois de um instante.

— Que pena… — Odete soltou, pensativa.

— Por que diz isso?

— Não quero ser invasiva — completou, quase se desculpando.

— Você não é — respondeu, com sinceridade. — Pode falar o que pensa.

74: Conversa sábia 1

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