Uma dívida, uma noiva por contrato e um bilionário arrogante?
Zara só queria sobreviver ao baile da faculdade sem ser humilhada. Para isso, inventar um namorado lindo e bilionário pareceu uma ótima ideia, certo?
Errado!!!
Agora baile começou, todos estava à espera namorado dela, e aonde ela pegou esse namorado bilionário?!!
— Hey, princesa da favela. Cadê seu príncipe? Já não era para ele estar aqui?
A voz de Alícia veio de algum lugar à minha esquerda, mas eu já estava em movimento e não parei para responder. Na verdade, eu mal conseguia focar na silhueta dela, o mundo estava começando a inclinar para o lado.
— Ou ele é como o dinheiro na sua conta bancária — ela completou, e o grupo dela riu junto. — Totalmente inexistente.
Desviei de um garçom, depois de um grupo de casais, tentando manter os pés no chão. O salão nobre do Hotel Milani girava levemente, as luzes dos lustres se multiplicando nas bordas da minha visão como se alguém tivesse aumentado o brilho do mundo sem me avisar.
Uma taça. Eu tinha bebido uma taça de espumante.
Alguém batizou a minha bebida, pensei, sentindo um calafrio de puro pavor.
— Ei, estou falando com você!
Alícia apareceu ao meu lado, os saltos repicando no mármore com a cadência de quem é dona do chão que pisa.
— O dinheiro pode ser inexistente, Alícia, mas meu caráter não é comprado com o cartão do papai — respondi, chegando perto o suficiente para incomodá-la. — E não que seja da sua conta, mas ele já tá no estacionamento, entrando. Então, se eu fosse você, baixava a bola e ia se ferrar pra lá.
A mentira saiu automática. Três meses de semestre e eu já tinha um repertório inteiro sobre o namorado misterioso.
Tudo começou quando eu entendi que, para eles, eu nunca seria só uma aluna boa. Eu era a bolsista do subúrbio. A órfã. A intrusa. Alícia começou a insinuar que eu estava ali para caçar marido rico, e os garotos entraram no jogo rápido demais, como se eu devesse me sentir honrada por qualquer flerte medíocre vindo de um daqueles filhinhos de papai.
Então, antes que me transformassem em piada, eu me transformei em ameaça. Inventei um namorado. Rico, distante e importante o suficiente para fazer todos ali parecerem ridículos.
O problema era o Baile de Primavera da Santa Trindade. O evento mais importante do calendário social da faculdade, patrocinado pelas famílias que bancavam metade das obras do campus.
Eu não queria estar aqui. Eu nunca quis estar aqui. Mas a presença era esperada dos alunos do quadro de honra, e eu era a aluna número um do meu período. Talvez do curso inteiro.
Esse era o meu crime na Santa Trindade. Ser boa demais sendo de onde eu era.
O rosto da Alícia travou por um segundo com a minha resposta, ficando vermelho de puro ódio, em choque por ter sido desafiada em frente ao seu “círculo de elite”. O problema é que ela se recuperava rápido.
— Qual o nome dele? — Alícia veio rente ao meu ouvido. — Você nunca fala o nome.
— Não falo o nome pra não dar munição pra talarica. O nível dele é outro, garota, bem longe desse teu recalque.
— Sabe o que eu acho? — A voz dela ficou quase alegre. — Acho que ele não existe. Acho que você vai sair daqui humilhada quando essa noite acabar.
— Acha é? Pois pega o que você acha, enrola bem apertado e enfia no meio do seu... — soltei o palavrão sem dó, vendo o queixo de todas elas caírem.
Aproveitei o choque delas e empurrei a porta lateral com o ombro. O ar da noite me atingiu em cheio. Por um segundo, achei que fosse melhorar. Não melhorou. As palmeiras imperiais do jardim dobravam devagar e meus pés chegavam ao chão com um atraso que não deveria existir.
Então ouvi as vozes.
Dois veteranos, perto da porta de serviço, rindo baixo.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO