Saí do restaurante tão desnorteada que não vi a pessoa na porta de entrada até estar literalmente em cima dela.
O impacto foi suficiente para fazer o copo de café voar das mãos dela. Um daqueles copos descartáveis de cafeteria, com tampa plástica e logotipo impresso, que amassou no contato, a tampa saindo e o líquido quenta se espalhando sobre nós duas.
— Desculpa... desculpa, eu...
— Ah, pelo amor de Deus! Você faz isso de propósito, não é?
Alícia.
Claro que tinha que ser Alícia. Porque quando as coisas já estavam uma merda temperada com hormônios de grávida à flor da pele que tornavam tudo mil vezes mais doloroso do que precisava ser, o universo evidentemente achava que o toque final era cruzar com a pessoa mais desagradável do meu círculo social.
— Ah, vai cagar! — respondi, e saí andando sem destino definido.
Tinha dispensado o motorista quando chegamos ao restaurante. Pretendia almoçar com a Genevieve e, depois, a caminhada até o hospital era de no máximo cinco minutos, não precisava de carro. Agora não ia mais almoçar com a mulher que provavelmente estava virando sobremesa do meu marido em alguma salinha fechada e discreta. Também não ia voltar para o hospital. Não tinha condições.
A verdade é que não tinha condições tão cedo de ver Arthur.
Porque eu queria explodir. Queria gritar, queria chamá-lo de traidor e de filho da puta e de todos os palavrões que vinham à cabeça, queria entrar naquele restaurante e virar a mesa toda. Mas nós só tínhamos nos casado por causa de um contrato, não era? O que ele tinha me prometido? Amor eterno? Não. Tinha prometido me escolher todos os dias. E provavelmente hoje não era um desses dias, porque Arthur estava claramente escolhendo outra.
Eu sempre soube que ele era mulherengo. Tinha ouvido muitas histórias. Tinha sabido de evidências suficientes de que ele era o tipo de homem que não repetia porque não precisava — havia sempre uma próxima. E eu tinha sido idiota o suficiente para achar que aquilo tinha mudado. Para achar que eu era diferente. Para achar que o que aconteceu entre nós nos últimos meses tinha algum peso real do lado dele. Não tinha.
Mas Genevieve... Genevieve era minha amiga!
Ou pelo menos eu tinha achado que era. Amigas não beijavam o marido de amigas em salinhas de restaurante. Amigas não fingiam cuidado enquanto faziam exatamente o oposto. E, se Genevieve tinha fingido tudo desde o começo, então eu tinha sido enganada de um jeito que eu não estava preparada para processar.
Nunca tive amigas próximas. Nunca fiquei em nenhum lugar tempo suficiente para formar laços quando mais nova, sempre me mudando, sempre recomeçando, sempre sendo a nova que ninguém conhecia. E depois de adulta, estava em lugares onde simplesmente não era aceita. Tinha sentido uma conexão real pela primeira vez com a Genevieve — aquela facilidade de conversa, aquela sensação de que ela me via de verdade, sem filtro de sobrenome ou de origem. Tinha acreditado nisso com a ingenuidade de quem tem fome de pertencer.
E tudo não tinha passado de mentira.
— Hey, pode ir voltando aqui! Você sabe quanto custa essa saia?
Me virei.
Alícia estava me seguindo por um beco que me levava de algum lugar que eu não sabia para outro lugar que eu não sabia.
— O que você ainda está fazendo aqui?
— É uma saia Chanel vintage e você manchou com café! Sabe o que isso significa?


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