— Acho... acho que talvez porque você nunca me disse isso.
Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia. Menos raiva, mais verdade.
Ele podia estar mentindo, eu sei. Palavras eram fáceis, qualquer um com boca e motivação suficiente conseguia dizer as palavras certas. Mas gestos. Gestos eram outra coisa. E enquanto eu tentava manter a distância emocional que me parecia prudente, a parte mais racional da minha cabeça foi fazendo as contas sem me pedir licença.
Arthur não precisava ter vindo. No meu caso eu não tinha tido escolha — simplesmente fui agarrada num beco, dopada, e acordei aqui. Mas Arthur estava em casa. Na casa do Thomas, pelo que ele tinha dito. Um apartamento em condomínio fechado, com segurança, com câmeras, com o Thomas do lado. O Marreta provavelmente tinha uma arma, mas eram dois contra um, e enquanto o Marreta estava levando Arthur, o Thomas podia ter acionado a segurança do prédio.
Se isso não tinha acontecido, Arthur tinha deixado não acontecer.
Ele tinha vindo porque quis.
Talvez porque me amasse.
— Eu não disse, disse?
Ele se ajeitou na cama ao meu lado com um movimento suave de quem está tentando ocupar o menor espaço possível para não me incomodar. O braço foi para o meu redor e ele puxou minha cabeça contra o peito dele.
— Eu te amo, Zara Altieri Sartori.
Devia responder de volta. Era isso que se fazia quando se tinha os mesmos sentimentos — e eu tinha, eu sabia que tinha desde antes de querer admitir para mim mesma. Mas ainda assim havia alguma coisa presa entre o sentimento e as palavras.
— Isso ainda não explica por que você estava beijando outra mulher.
— Eu não estava. — A voz dele saiu firme, sem hesitação. — Ela me beijou. Eu estava... eu estava tão chocado porque ela tinha acabado de me contar que você estava grávida que eu acho que demorei pra reagir. Mas eu reagi, Zara. Eu não permiti aquilo. Se você quiser, quando sair daqui, pode pedir para ver as câmeras do restaurante.
Fiquei em silêncio por um segundo.
— Eu não quero.
— Zara...
— Eu acredito em você.



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