— A Liz...
Arthur esticou o braço devagar, testando os limites do próprio corpo com a precisão que eu reconhecia como o médico dentro dele acordando junto com o homem, e colocou a mão na minha barriga, acariciando com delicadeza.
Ri, entendendo antes que ele precisasse explicar.
— Liz? — Perguntei.
— Nós não... nós não definimos isso?
— Não. — Me sentei na beira da cama, ao lado dele.
— Acho que eu sonhei então. — Disse, meio confuso, como se a ideia da Liz fosse algo que existia de forma concreta em algum lugar que ele tinha visitado nas últimas horas e estava tentando mapear de volta para a realidade.
— Mas eu gosto. — Disse. — Liz. É um lindo nome. Só que... ainda não sabemos se vai ser menina.
— Não? — Ele soou ainda mais confuso. — Tinha certeza de que... Bem, vai ser. — Ele disse, com uma certeza que eu não sabia de onde vinha. — Vai ser menina.
— Por que você sonhou?
— Porque eu sonhei. — Confirmou, me olhando com aquele sorriso que eu tinha saudade de uma forma que não sabia que era possível ter saudade de um sorriso.
— E se for um menino?
— Se for um menino... — Fingiu pensar, com uma pausa dramaticamente longa. — Vou amar igualmente. E vou ensinar a jogar futebol.
— Você não sabe jogar futebol!
— Vou ensinar hipismo. — Se corrigiu, me fazendo rir. — Mas aí... vamos ter que continuar tentando. — Me puxou mais para perto. — Até a Liz vir.
Mal me dei conta de como acabei indo parar com a cabeça no travesseiro ao lado dele, com Arthur segurando minha nuca e me beijando com aquela intensidade de quem ficou longe tempo demais e não quer perder mais nenhum segundo. Havia algo diferente naquele beijo — não era só desejo, era urgência de outra natureza, o tipo de urgência que vem de quase não ter mais e de repente ter de volta. Eu tinha passado dias com medo de nunca mais ter esse beijo. E agora estava ali e eu estava quase me esquecendo de respirar de tanto querer que durasse.
Então ele fez um pequeno gesto de dor, uma contração involuntária que eu senti antes de ver.
Me afastei imediatamente.
— Dói?
— Um pouco. — Respondeu, e pela expressão dele era mais do que um pouco. — O que... o que exatamente?
— Você levou um tiro por mim. — Disse, com mais firmeza do que pretendia. — Não faz mais isso.
Arthur riu, o que logo se converteu em uma careta de dor que me fez querer e não querer rir ao mesmo tempo.
— O carro... — Ele murmurou, os olhos ficando mais distantes por um segundo, tentando montar o que lembrava. — Você estava... você estava...
— Estou bem. — Disse, antes que ele fosse longe demais nessa direção. — A Liz — quer dizer, o bebê — está bem também. Agora precisamos nos concentrar em você.
— Se vocês estão bem, por que você está com essa cara de quem está me escondendo alguma coisa?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO