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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 37

Os dias seguintes seguiram um fluxo natural. Faculdade. Treinamento para o baile de debutantes. Jantares com meu avô. Noites mal dormidas.

Eu via pouco Arthur. O que, teoricamente, era ótimo. Na prática, significava que eu tinha tempo demais para pensar nele.

Ele vivia no hospital e, na maioria das noites, só chegava em casa depois do jantar. Às vezes eu ouvia passos no corredor quando já estava no quarto. Outras vezes acordava cedo e percebia que ele já tinha saído. Era como morar com um fantasma muito bonito e inesperadamente bom em me deixar desnorteada mesmo ausente.

Ainda assim, numa daquelas manhãs, encontrei a mesa do meu quarto posta para o café da manhã, como estava virando costume. Frutas cortadas, café passado, pão, manteiga... E um item extra.

Um quindim.

Fiquei parada olhando para ele por uns bons segundos. Redondo, brilhante, perfeito, pousado num pratinho de porcelana.

Ao lado, um bilhete: Passei por perto e lembrei de você. Infelizmente.

Aquilo arrancou de mim uma risada sincera. Na mesma hora, lembrei da noite no escritório dele. Do momento em que eu tinha contado, sem pensar demais, que tinha ido uma única vez à Confeitaria Colombo com a minha mãe.

— Foi o melhor doce do mundo — eu tinha dito. — E eu nem me lembro do gosto, sabe? Só da sensação.

Arthur tinha me olhado por um segundo, com aquela atenção silenciosa que fazia algo acelerar no meu peito.

— Eu entendo perfeitamente.

E agora ali estava o maldito quindim.

Comi a primeira mordida devagar. O doce, a textura, a memória. Tudo bateu de uma vez. Senti os olhos arderem antes mesmo de entender direito por quê. Não era só saudade. Era saudade, passado, perda, e o fato absurdo de que Arthur Sartori tinha escutado uma lembrança minha e feito alguma coisa com ela.

Terminei o quindim em silêncio, com a decisão mais idiota do mundo crescendo dentro de mim:

Naquele sábado, eu ia retribuir.

— Qual é a sobremesa favorita do Arthur?

Genevieve parou no meio de uma explicação sobre qualquer coisa que eu não estava prestando atenção.

Acontece que ela tinha levado a sério demais essa história de me ajudar com... refinamento social, como ela chamava. Nós tínhamos passado praticamente o sábado todo trancadas no meu quarto, eu tentando distinguir taças, pratos e a diferença invisível entre postura elegante e prisão de ventre aristocrática.

Minha atenção tinha ido embora umas duas horas antes.

— Crème brûlée — Genevieve respondeu, sem nem pensar.

— De onde?

Ela franziu a testa.

— Como assim?

— De qual lugar?

— Ah... — ela piscou, tentando acompanhar o meu raciocínio. — Acho que do Café de la Paix.

— Onde fica isso?

— Em Paris. Fomos lá pelo menos umas três vezes da última vez que eu e Ar... — ela se interrompeu. — Quero dizer... eu acho.

Só assenti com a cabeça e sorri.

Bom, eu não tinha como ir até Paris comprar uma crème brûlée. Então a minha segunda melhor opção era... fazer uma.

No fim da tarde, depois de correr atrás de todos os ingredientes que achei que ia precisar, decidi tomar uma atitude drástica.

Dispensei os funcionários da cozinha.

Queria fazer sozinha. Queria surpreender Arthur quando ele chegasse. Talvez deixasse a sobremesa no quarto dele com um bilhete:

É como você. Tem essa casquinha dura por cima, mas é uma delícia por dentro.

Parei no meio da cozinha, segurando a baunilha.

Não.

Não uma delícia, Zara. Pelo amor de Deus.

Respirei fundo e reformulei mentalmente.

É como você. Tem essa casquinha dura por cima, mas é doce por dentro.

Isso.

Perfeito.

Quer dizer... relativamente perfeito. Porque a casca do Arthur era bem mais difícil de quebrar que açúcar caramelizado, mas eu não precisava escrever isso no bilhete.

No fim das contas, fazer o creme não era tão complicado quanto parecia. Eu sempre me virei bem na cozinha. Não com sobremesas metidas a besta como aquela, claro. Mas, no fundo, quase tudo ali era uma questão de misturar ingredientes e deixar a química e a física fazerem o resto.

Quando os potinhos finalmente saíram do forno, ficaram lindos. Quando foram para a geladeira e firmaram, ficaram ainda melhores.

Quando a noite começou a cair e eu sabia que Arthur costumava chegar, tirei a sobremesa da geladeira e me permiti um momento de orgulho.

Pelo cheiro e pela aparência, estava ótimo.

Agora só faltava caramelizar com o maçarico.

O problema é que eu nunca tinha usado um maçarico.

Olhei para o objeto na minha mão como quem encara uma arma de pequeno porte.

— Tudo bem — murmurei para mim mesma. — É só fogo controlado. O que pode dar errado?

Muita coisa, aparentemente.

Nas duas primeiras tentativas, nada aconteceu além de eu me sentir idiota. Na terceira, o açúcar começou a derreter bonito, e eu sorri sozinha, achando que talvez tivesse nascido para aquilo também.

E aí, tudo aconteceu rápido demais.

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