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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 60

Depois do drink com Genevieve, precisei voltar ao hospital. Eu tinha esquecido uma pasta inteira com relatórios que precisava revisar antes da segunda-feira, deixada em cima da minha mesa com toda a competência de alguém que tinha ficado distraído demais para lembrar do que realmente importava.

Quando estava saindo encontrei meu pai no estacionamento.

— Deixa eu te dar carona — ele disse. — Dispensa seu motorista.

Entrei no carro.

Nenhum de nós falou por alguns minutos. A cidade passava pela janela com aquela movimentação de sexta à noite.

Foi meu pai quem quebrou o silêncio.

— A Zara parece uma boa menina.

— Parece — respondi, olhando para a janela.

Uma pausa.

— Você disse isso como quem não está concordando.

Virei o rosto para ele.

— Eu não sei — falei, com mais honestidade do que planejava. — O que exatamente sabemos sobre o passado dela?

Meu pai cruzou as mãos no colo com aquela calma de quem já esperava essa conversa mais cedo ou mais tarde.

— Não é um passado muito bonito. Mas é limpo.

— Limpo quanto? — insisti. — Pai, se vou me casar com essa garota, mereço saber, não mereço?

Ele ficou em silêncio por um segundo e eu insisti:

— Qual o envolvimento dela com o tráfico?

Eduardo virou o rosto para mim de forma rápida.

— O quê? Nenhum. Essa garota foi investigada, Arthur.

— Talvez não o suficiente.

Meu pai respirou fundo, como quem está decidindo o quanto vai abrir.

— O pai dela — disse, por fim. — Já esteve na prisão. Foi o motivo da briga do seu padrinho com a filha. Um homem desprezível. Mas a Zara não tem contato com ele há anos.

Tamborilei os dedos na janela.

Então era isso.

Talvez ela tivesse entregado o anel para que chegasse ao pai de alguma forma. Talvez ainda houvesse contato, só que não direto. Através de capangas, de agiotas, de algum esquema maior do que eu conseguia imaginar.

Ou talvez eu estivesse fantasiando. Construindo uma teoria em cima de lacunas que podiam não significar nada.

Mas por que ela tinha entregado o anel e mentido para mim?

E ainda tinha aquela insinuação da Alícia no hospital. E se a Zara não fosse quem dizia ser? E se tivesse sido colocada ali de propósito, para enganar a família e tirar o máximo que conseguisse antes de ser pega?

— Escuta — meu pai disse, cortando o espiral da minha cabeça. — Eu sei que é estranho pensar em se casar com uma completa desconhecida. Ainda mais com o casamento tão próximo.

— É normal — respondi. — Foi assim com você e minha mãe.

Ele ficou quieto por um momento. Depois assentiu levemente.

Eu conhecia a história. A família da minha mãe tinha nome, mas estava falida. Meu pai era um homem em ascensão, começando a despontar e fazer fortuna. Foi a família dela quem os apresentou, quem insistiu, quem propôs a união. Meu pai se apaixonou em dois segundos — ele mesmo sempre contou isso com aquela mistura de orgulho e melancolia. Minha mãe demorou mais tempo. Eles tiveram seus momentos. Momentos que foram estilhaçados com a morte da Clarice.

Hoje tinham nada além de cordialidade, dois filhos vivos e quartos separados. Mantinham o acordo porque minha mãe não suportava a ideia do escândalo de um divórcio, e meu pai não suportava a ideia de magoá-la mais do que a vida já tinha feito.

— Ainda assim — ele retomou — o que vocês precisam é de um tempo antes do casamento. Um tempo longe de hospital, família, sociedade.

Olhei para ele.

Capítulo 60 1

Capítulo 60 2

Capítulo 60 3

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