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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 70

Congelei por um segundo.

Tinha acabado de desligar a ligação com a Genevieve depois de ouvir exatamente o conselho de não contar a verdade. E isso fazia sentido. Quer dizer, eu tinha contado tudo para a Gen em um momento de vulnerabilidade, mas não era a mesma coisa. Gen não seria visada. Não morava na mesma casa que eu, não fazia parte da família que eu estava entrando, não ia se casar comigo.

Sem contar que a Genevieve tinha uma coisa que às vezes Arthur parecia não ter: senso de preservação.

Eu vi como ele agiu naquele assalto. Ele foi prudente, sim, entregou tudo sem hesitar, sem heroísmo desnecessário. Mas também se colocou na linha de tiro no meu lugar sem pensar duas vezes. E ele nem tinha motivo real para fazer isso. A gente se conhecia há quanto tempo? Por que me priorizar assim?

Talvez fosse o trauma de ter visto alguém próximo morrer — e disso eu entendia com uma clareza que doía mais do que eu gostaria. Talvez fosse porque ele sabia que era isso que o Augusto esperaria dele: me proteger a qualquer custo. Mas esse era exatamente o problema: me defender podia colocá-lo em risco. E ele era do tipo que defendia antes de calcular as consequências.

Mantê-lo às cegas, porém, talvez o colocasse em risco ainda maior.

Eu tomei uma decisão antes de conseguir me convencer do contrário.

— Posso te contar a verdade — falei, mais calma do que eu esperava soar. — Posso te contar tudo sobre mim. Mas isso pode te colocar em risco. Então me diz que você quer saber, Arthur. Me diz, e eu te conto. Ou a gente esquece isso aqui, e você nunca mais me pergunta sobre o meu passado.

Ele me olhou por alguns segundos que pareceram mais longos do que foram. Havia naquele olhar uma avaliação que eu já conhecia — ele processando, pesando, chegando a uma conclusão antes de falar.

Depois foi se sentar na beira da cama, os cotovelos nos joelhos, o olhar pesado e direto.

— Grave assim?

— Grave assim.

— Me conta.

Fui me sentar ao lado dele.

Fiquei olhando para as minhas próprias mãos por um momento, tentando encontrar alguma ordem para uma história que nunca tinha sido contada de forma completa para ninguém. Nem para mim mesma, na verdade. Era o tipo de coisa que eu tinha aprendido a guardar em compartimentos separados — esse pedaço aqui, aquele ali — porque encarar tudo junto era pesado demais para qualquer dia normal.

Esse não era um dia normal.

— Minha mãe me poupou dessa história o quanto pode — comecei, com a voz mais baixa do que eu pretendia. — E, claro, ela só me contou as coisas do tipo que se conta para uma criança. — Abaixei um pouco mais, imitando sem querer o tom dela: — "Filha, seu pai é uma pessoa perigosa. Precisamos ficar longe dele." E a gente tentou. Meu avô disse que achava que minha mãe vivia fugindo dele, mas não era só dele. Claro que muito do que eu sei foi juntando pontos. Ouvindo coisas que ela me disse no passado. Ouvindo coisas que o Augusto me disse agora. Ouvindo fofocas. Pensando com cabeça de adulta coisas que aconteceram quando eu era criança, mas...

A mão de Arthur cobriu a minha.

Sem dizer nada. Só ficou ali, firme e quieta, num gesto que dizia que estava do meu lado e que eu podia continuar no meu tempo.

Capítulo 70 1

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