Capítulo 298 – Terroristas
Chen
O chefe decidiu não me levar a Zurique. Preferiu me deixar como responsável pelas meninas e na liderança dos caras. Mas, para ser sincero, preferia ter ido; lidar com a Evie é muito pior que qualquer guerra. Evelyn consegue ser mais mandona que o Alex e, pior, ela faz isso tudo com uma voz doce, um jeito meigo e os olhos do Gato de Botas… E isso é mais perigoso que uma russa apontada para nós.
A única coisa boa disso tudo é a Lyu e a oportunidade de estar perto dela. Primeiro, ela me deu um gelo, o que foi motivo de zoação entre os caras. Mas eu não desisto, não faz parte de mim, e agora, digamos que tenho conseguido avançar nas minhas investidas. E como diz o Javier: "ela já tá na sua". E eu espero que realmente esteja, a japonesa está mexendo com a minha cabeça.
Nossa pequena Jo descobriu que nossa rede foi bloqueada, e isso aconteceu depois que decolamos, o que só podia significar uma coisa: alguém aqui de dentro estava fazendo isso. As meninas confiavam nas garotas contratadas. E a Lena, sempre boa no que faz, percebeu uma presença que acabamos deixando passar.
— Você sabe o que temos aqui… — Elena me disse, e eu sabia muito bem. Depois, ela se voltou para Evie e disse:
— Terrorismo… Temos grandes chances de estarmos com terroristas a bordo — O tom dela era firme, e a certeza do que dizia estava em cada sílaba.
Decidi tomar as rédeas.
— Beleza, vamos começar com o plano. Evie, e Rosa vão ficar atentas à porta. Os tiros precisam ser certeiros, estamos em um avião, não se esqueçam — eu disse.
— Nesse caso, o ideal é a Evie ficar à frente — disse Elena.
— Meu Jesus na manjedoura, pensei que pelo menos a viagem seria tranquila — Evie falou.
— Lembre-se, senhora Sterling, que a ideia de estarmos aqui foi sua — eu disse com sarcasmo.
— Lembre-se, chinês, que ainda posso te transformar em sashimi — ela retrucou, e os caras riram de mim.
— Tudo bem, agora não adianta reclamar. Precisamos encontrar o cretino — eu disse.
— Ou, os cretinos, ainda não sabemos — me disse Owen.
— E achar o bloqueador para avisar o chefe — Wyatt disse.
— Ele está certo, Chen, o chefe precisa saber disso com urgência. E infelizmente, tempo aqui é uma coisa que não temos muito — me lembrou Javier.
— Então, vamos. Javi, você vai para a cabine e já deixe a piloto preparada — ele assentiu e saiu. Pedi para que Asher e Mateo o escoltassem até lá enquanto pegávamos as armas. A cabine só abre do lado de dentro, não podia correr o risco de o maldito entrar lá.
Porque sabia bem que era exatamente isso que eles queriam.
A luta foi rápida e brutal. O espaço estreito fazia cada movimento parecer mais intenso. Socos, cotoveladas, chutes curtos, tudo milimetricamente calculado, e eu o derrubei.
Lena conseguiu dominá-lo, travando o braço dele atrás das costas, forçando-o ao chão. Nossa garota era pequena, aparentemente frágil. Mas a fúria que ela carrega é a verdadeira força da natureza.
Mas não foi o fim, porque qual a graça para nós se tudo fosse fácil?
Enquanto Lena o rendia, eu senti o cano frio de uma pistola encostar na minha nuca.
— Onu birak — ele disse em turco, a voz carregada de sotaque atrás de mim.
Ele estava mandando soltar seu parceiro. Vi que Lena congelou por um instante, os olhos verdes encontrando os meus. Mas ali não tinha medo, só tinha determinação e uma análise rápida dos riscos.
Lena segurava um terrorista. Eu estava rendido pelo outro.
Só que aí ouvi um barulho de arma sendo engatilhada, o sorriso da Lena irradiando o ambiente, e então veio a voz em um turco perfeito:
— Neyse ki karar verici siz değilsiniz.

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