Capítulo 299 – Que Allah não te receba.
Elena
Eu nem mesmo tinha digerido o fato de a minha filha de cinco anos ter enganado a todos e entrado naquele avião, quando a Jo nos dá a notícia sobre o bloqueador. Sou fuzileira, conheço o protocolo antiterrorismo de cor.
E reconheço um ataque quando vejo um.
Chen agiu rápido, e nós, como equipe, somos bons, mas como família, somos melhor ainda. E todos nós aqui matamos e morremos uns pelos outros.
A busca começou, e assim como o Javi disse: "Tempo é o que não temos". Precisamos encontrá-los e entender o motivo. Querem derrubar o avião, isso é óbvio. Mas onde querem jogá-lo? Por quê? E, o mais importante, a mando de quem?
Alex não está aqui, mas o que nos ensinou nós levamos para a vida. E foi por esse motivo que encontramos o cretino, o rendemos… mas não durou.
Como Chen previu, ele não estava sozinho, e no instante em que eu rendia um, o outro rendia o Chen. E a verdade era que ele estava em vantagem. Eu precisava pensar rápido. Só que vi uma coisa, ou melhor, alguém, e meu mundo brilhou.
— Neyse ki karar verici siz değilsiniz.
Ela disse em um turco perfeito e com um deboche que só a nossa senhora Sterling poderia ter.
— Adorei o “Felizmente, não é você quem manda” — eu disse a Evie.
Ela deu de ombros antes de responder.
— Precisava de uma entrada estilo meu homem irritante — Chen e eu rimos; Sara e Wyatt também apareceram.
Wyatt puxou o cretino que rendia Chen, e eu levantei o outro.
— Desde quando fala turco? — perguntei, incrédula, para Evie.
— Eu fiz especialização em negócios internacionais.
— E escolheu turco? — Chen perguntou, surpreso.
— Sim. Precisava de uma língua do Oriente Médio e não me dei bem com árabe — ela respondeu, como se fosse a coisa mais comum.
— Como sabia onde estávamos? — perguntei para ela.
— Finalmente a Jo conseguiu acessar as câmeras do avião. Eu vi ele e notei que vocês não.
— Timing perfeito — Wyatt disse. E Evie só riu.
— Será que tem mais? — Sara perguntou.
— Até onde vimos, não — Evie respondeu.
— Vamos levá-los e interrogá-los. Preciso descobrir onde está o bloqueador e saber qual era o plano deles, afinal — Chen disse, já empurrando os cretinos.
— Vou chamar Owen e Asher — Wyatt disse e saiu.
Começamos a seguir para uma das salas com os dois maledetti, como diria meu mafioso. Entramos e jogamos os dois no sofá. Sara, mantendo a arma apontada para eles.
— Prefiro não participar dessa parte — anunciou Evie e voltou para junto das meninas.
— Chen… — Owen chamou, entrando com a maleta.
— Esses caras não vão falar, estavam dispostos a derrubar o avião estando dentro dele — Asher falou.
— Vamos ter que tentar, podemos seguir viagem com eles rendidos, mas eles devem ter um plano B para caso fossem capturados — Chen disse.
— Eles sempre têm — concluiu Owen.
— Então, vamos começar — eu disse.
— Quem vai? — Asher perguntou. Chen me olhou com um sorriso de lado.
— Primeiro, as damas — eu sorri.
— Adoro quando vocês são cavalheiros — respondi, pegando uma das cadeiras e arrastando-a para a frente dos cretinos.
Sentei-me diante deles, cruzando as pernas devagar.
— Então, meninos, vamos começar? — perguntei a eles, mas não esperei resposta.
— Eu irei pular as apresentações. Provavelmente vocês sabem quem é cada uma de nós aqui.
— Evet, onlar ölü kadınlar — o homem que rendeu Chen disse. Owen quis avançar, mas levantei a mão, o impedindo.
Recostei na cadeira, olhei para ele.
— Ainda estou respirando, então não somos mulheres mortas, como diz — retruquei.
Ele sorriu para mim.
— Mas serão em breve… — disse na minha língua, mas a voz carregada de sotaque.
Eu estava na frente dele, e o cretino estava com as pernas abertas. Em um único movimento, levei meu pé com a ponta do salto no meio de suas pernas, o fazendo uivar de dor.
Enquanto ele se encolhia de dor, levantei da cadeira, grudei em seu cabelo e o puxei, joguei sua cabeça para trás e depois a joguei com tudo em seu próprio joelho.
Chen avançou no homem. Olhei para Owen, que estava ao meu lado. Nós tínhamos entendido muito bem. Eis que aqui estava o plano B deles.
— ONDE ESTÁ? — Chen perguntava enquanto o enforcava, e o homem só ria.
— Não direi, só esperarei minha morte junto com a de vocês — ele dizia com um sorriso vitorioso.
— Ele não saiu daqui, não tem como ter ativado — Asher disse.
— Aptallar — ele disse rindo. O som baixo, mas carregado de desdém.
Asher deu um gancho no queixo do homem, que pudemos ouvir o estalo do pescoço, mas ele ainda vivia.
— Você que é o idiota aqui. Morrerá nessa merda, sem cumprir seu propósito e sem ser lembrado por ninguém — ele disse, furioso, antes de desferir outro soco no homem.
Grudei na gola da camisa dele.
— Me diz, por que somos idiotas? — perguntei.
— Porque o dispositivo estava no meu bolso e eu o ativei assim que me renderam.
— Merda!! — Owen xingou, e eu travei por um momento.
— Vocês nunca a encontraram a tempo, e pior, não fui eu quem a escondeu.
Ele olhou para o parceiro morto ao seu lado.
— E vocês mataram a única pessoa que podia lhes dar essa informação.
Ele gargalhou antes de concluir.
— Então, sim, vocês todos são aptallar, e em breve serão aptallar mortos. Em três horas, esse avião vai pelos ares, e não é voando…
O homem ria na minha frente, como se a certeza da nossa morte fosse a coisa mais engraçada e divertida que ele já viu.
Peguei a arma da mão de Owen, apontei para ele.
— Que Allah não te receba, e o diabo te carregue!
— MALDITA!!! — ele gritou, e, nesse momento, minha arma disparou.
Eu tinha dois terroristas sem vida na minha frente, uma bomba prestes a explodir e menos de três horas para salvar todos nós.
— Que Deus nos proteja… — murmurei.

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