Capítulo 327 – Insegurança.
Alessa
Estava preocupada com a Maria, com Brandon, com meu irmão e, claro, com todos os meninos que os acompanharam. Mas não podia negar que, toda vez que me lembrava que Amira estava lá, e do jeito que vi Brandon ficar por ela ter se arriscado pela Maria, um alerta se acendia em mim. E eu sabia muito bem que sinal ele mandava.
Ouvimos batidas na minha porta, e elas me tiraram dos meus pensamentos.
— Pode entrar! — gritei, e logo Aline entrou.
— Tudo bem? — ela me perguntou, se aproximando.
— Não. — respondi sem hesitar.
— O que houve? — Aline perguntou, se sentando ao meu lado.
— Amira, é ela que houve.
— Alessa, eu não tiro seus motivos para sentir ciúmes, pois ele é uma reação dos seus sentimentos por Brandon. Mas não deixe esse sentimento se tornar insegurança, isso nem mesmo combina com a mulher que você é.
— Será que eu sou essa mulher que vocês dizem ver?
— Claro que é! Acho que é ainda mais, não vimos nem um terço do potencial que você tem.
Batidas vieram à porta novamente, e logo entraram Evie, Jo e Rosa. Agora eu estava completa.
— Que carinha é essa? — Evie perguntou, se sentando do meu outro lado, enquanto as outras duas sentaram nas poltronas à minha frente.
— Ela só está preocupada. — Aline respondeu por mim.
— Não fique. — Jo disse. — Ele teve inúmeras chances de ficar com ela e não ficou, não vai ser agora que vai ficar — As palavras da Jo me atingiram. Ou eu estava sendo óbvia demais, ou Brandon quem estava.
— Do que você está falando? — Evie perguntou confusa.
— Amira. Sei que é isso que está passando na cabeça da Alessa. — ela respondeu.
— Aquela mulher é ligeira. Ela não é do tipo ruim, é encantadora, direta, bonita e sedutora. — Rosa disse.
— Obrigada, Rosa, me ajudou muito. — respondi cruzando os braços.
— Cariño, não disse isso para lhe causar inseguranças. Mas sejamos sinceras: com essas características, quem ela te lembra? — Rosa levantou as sobrancelhas pra mim. Mantive meus olhos nos dela, confusa. E Evelyn riu.
— Lembro quando voltamos da casa do seu irmão. Alex e eu conversamos sobre você, e eu disse: “A cretina ainda é legal”, e depois daquele dia nunca mais quis você fora da minha vida. — ela disse, me abraçando de lado.
— Estão insinuando que nós duas somos parecidas? É isso? — perguntei irritada.
— Alessa, Amira não é um problema. Eu amo meu irmão, mas não vou passar a mão na cabeça dele. Ele foi um cretino com ela, assim como foi com minha irmã, com Emy, com Evie. — Jo disse me encarando. — Pra ser sincera, a única que até hoje não vi ele fazer nada parecido foi com você.
— E isso é um feito, o que mostra que ele realmente te ama. — Evie disse.
— Você está enganada, eu vi o jeito que ele ficou por causa dela. — respondi.
— Já pensou que pode ter sido por amizade? A Rosa me contou que eles se conhecem há anos. — Aline disse.
— Sim, desde o Exército. Ela começou tudo junto com o Brandon, e foi ele quem a salvou do reduto. Amira e Jeff estavam sempre com ele, e todos nós. — Rosa apontou para Jo. — A conhecemos.
— Olha, Alessa, Amira foi importante para o meu irmão, não vou mentir, e ele foi um maldito de cretino com ela, também não vou passar pano só por amá-lo e ser meu irmão. Só que isso é passado. O fato de ele se preocupar com ela é o mesmo que eu com Hugo, Evie com Tom, Lena com Ethan… — Comecei a sentir as lágrimas em meu rosto. Odiava me sentir insegura dessa maneira.
— Concordo com a Jo, é um sentimento entre amigos. — Rosa disse.
— Como se isso fosse possível, amizade entre homem e mulher depois de irem para a cama. — rebati.
— Bom… — começou Evie. — Brandon e eu somos amigos, assim como você e Alex.
— Não é questão de me impor, Evie. Eu não sou o tipo de pessoa que se contenta com migalhas. E mesmo amando Brandon como eu amo, não aceito isso nem dele.
— Alessa Anderson, então busque por seu banquete. Eu não conheço Amira, não sei qual a verdadeira relação entre eles, mas sei o que vejo: Brandon te ama. Talvez nem ele mesmo saiba o quanto, mas ama.
— Não quero fazer a louca insegura, Evie, mas não vou conseguir lidar com isso.
— Claro que consegue. Antes de ser Alessa Anderson, você era Alessa Mancini: a mulher que me fez tremer na base com medo de perder o Alex. A mulher firme, determinada, que enfrentou tudo e todos por Brandon, que não abaixa a cabeça para ninguém. Que luta pelo que quer. — Evie secou uma lágrima teimosa que escorreu pelo meu rosto.
— A mulher que acabou de me dizer que não se contenta com migalhas. Então seca essas lágrimas, levanta dessa cama e mostra para seu marido o banquete que você quer e merece, com direito ao vinho mais caro. — Ela disse com um sorriso, e nós duas rimos.
— Você não existe, senhora Sterling. — a puxei para um abraço.
— Bom… — ela disse, se levantando. — Vou ir receber meu homem irritante, e espero de todo o coração que ele tenha me trazido a cabeça daquele vecchio maledetto. Se não, ele vai ter sérios problemas comigo.
— Ela estendeu a mão para mim. — Vamos?
Segurei sua mão e olhei bem em seus olhos.
— Irei, mas não agora.
— Tem certeza?
— Sim. — respondi com um sorriso.
Ela assentiu e logo em seguida saiu. Fiquei encarando a porta por alguns minutos. Minha amiga tinha razão: já que me recuso a aceitar migalhas, preciso ir atrás do meu banquete.
— Espero que esteja disposto a isso, Brandon Anderson. Porque, se não… — me levantei, fui até o espelho, ajeitei meu cabelo, retoquei minha maquiagem e murmurei:
— Você vai ter sérios problemas.

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