Capítulo 116 — O Começo do Pra Sempre
Ambrose Blair
Ainda doía. Falar em voz alta sobre a noite em que perdi o controle no Dojon e quase destruí a vida de uma pessoa era como revirar uma faca em uma ferida que nunca cicatrizou de verdade.
Mesmo depois de todos esses anos em silêncio, a dor e a vergonha ainda eram presentes, prontas para me sufocar. Mas a única coisa no mundo capaz de amenizar todo esse inferno estava bem na minha frente, me encarando com esses olhos verdes intensos e me fazendo a pergunta que eu mais temia.
— Ozzie… Eu entendo tudo isso agora, de verdade. Mas eu ainda não entendo o porquê. Depois de toda essa história, depois de tudo o que ela te fez passar e do que aconteceu entre vocês… Por que trazer a Katlyn de volta para a sua vida?
Eu tinha uma resposta simples e pronta para dar a ela. Poderia apenas dizer que, independentemente do que a Katy fez no passado, ela ainda era uma pessoa em perigo, precisando de ajuda urgente, e que não era da minha natureza recusar socorro a uma mulher indefesa. Mas, lá no fundo, será que era só isso mesmo? Será que era apenas o impulso de ser uma boa pessoa, ou existia algo mais escondido sob as minhas escolhas?
A voz da Fernanda me chamou de volta, quebrando o meu breve transe, e decidi ser o mais transparente possível.
— Ela me ligou desesperada, Fer. Pelo que entendi, o homem com quem ela se envolveu no último contrato é um cara agressivo fora da cama, possessivo, bruto e tóxico ao extremo. Ela estava com medo de morrer e não tinha mais a quem pedir ajuda. A Giovanna está internada no hospital e a Tiffany está em Londres.
Fernanda bufou, cruzando os braços e soltando uma risada sem o menor humor antes de falar.
— Que conveniente. Essas meninas todas precisarem de ajuda ao mesmo tempo, se sentirem sozinhas e a tal Tiffany estar viajando bem agora.
Olhei para ela, confuso com o rumo que o pensamento dela estava tomando.
— O que você quer dizer com isso, querida?
— Deixa para lá, Ambrose — ela respondeu, balançando a cabeça, mas seus olhos continuavam fixos nos meus, exigindo a verdade nua e crua. — Eu só quero saber o real motivo. O que fez você aceitar?
Respirei fundo, sendo o mais sincero que conseguia ser.
— Eu não sei, Fer. Às vezes, eu acho que é só por querer fazer o bem mesmo, por não conseguir dar as costas para alguém sendo caçada.
Fernanda me encarou, e a pergunta que saiu da sua boca me pegou totalmente de surpresa.
— É bondade… ou você ainda sente alguma coisa por ela?
Meu coração deu uma batida em falso. Eu não pensava mais na Katy daquela forma, não depois de tudo o que ela me fez passar e, principalmente, não depois que conheci a mulher maravilhosa que estava na minha frente.
Não hesitei. Segurei a Fer pela cintura, a puxando sem aviso para o meu colo, e enterrei meu rosto em seu pescoço, deixando um beijo demorado ali antes de falar bem perto de sua orelha.
— Eu te garanto, meu amor, que não há mais nada entre nós. Qualquer sentimento bom que eu tenha tido pela Katy um dia ficou enterrado no passado.
Fernanda se afastou um pouco para me olhar, e o que vi no fundo dos seus olhos verdes me atingiu como um soco. Havia uma vulnerabilidade ali, um medo tão genuíno de ser rejeitada ou trocada que me quebrou por dentro.
— Tem certeza? — ela perguntou, a voz saindo pequena. — Olha, se você acha que ainda existe alguma chama entre vocês, que voltar a vê-la despertou algo, eu posso…
Eu não a deixei terminar. Não suportaria ouvir ela sugerir que iria se afastar. Segurei sua nuca com firmeza e a puxei para um beijo intenso, possessivo, derramando naquele toque toda a minha necessidade de fazê-la entender que ela era a única. Nossas línguas se encontraram com urgência, e eu a apertei contra o meu peito até que o fôlego de ambos fizesse falta.
Quando o beijo acabou, mantive minhas mãos espalmadas em seu rosto, acariciando suas bochechas com os polegares.
— Eu quero você, Fer. Hoje, amanhã e depois. Você, Fernanda, vai ser sempre a minha escolha. Eu serei seu pelo tempo que você me quiser, e espero, do fundo do meu coração, que esse tempo seja para sempre.
Ela sorriu entre as lágrimas que começaram a brotar, o rosto iluminado por um alívio lindo.
— Pra sempre é muito tempo, Ozzie.
Encostei minha testa na dela, sorrindo também.
— Então que seja por muito, muito, mas muito tempo.
Ela soltou uma risada gostosa, me chamando de exagerado, e eu a beijei novamente, um selinho rápido e carinhoso antes de continuar.
— É sério, querida. Pode ter sido qualquer outro sentimento que me moveu a atender aquela ligação além da bondade. Talvez um resto de culpa pelo que fiz com ela naquele maldito dia, mas nunca amor. Pela Katy, eu não sinto nada além de empatia e humanidade nesse momento.
Fernanda roçou o nariz no meu, selando a trégua.
— Eu acredito em você.
— Você não tem ideia do peso esmagador que tirou do meu coração agora — respondi, sentindo minha alma finalmente respirar.
Nossos lábios se buscaram de novo, mas dessa vez o clima mudou. O diálogo deu lugar a uma urgência quente, a um desejo que estava reprimido pela tensão do dia.
Me virei na cama, deitando a Fernanda com todo o cuidado do mundo sobre os lençóis macios, e posicionei meu corpo sobre o dela, sem descarregar meu peso.
Minhas mãos desceram pelo corpo dela, tateando a pele por baixo da roupa com uma possessividade que a fez arquejar. Comecei a despi-la devagar, saboreando cada pedaço de pele que era revelado.
Minha garota não recuou; seus olhos verdes estavam fixos nos meus, brilhando de desejo. Ela segurou a barra da minha camiseta, me ajudando a tirá-la, e suas unhas arranharam de leve a minha pele quando puxei sua calça para longe.
Quando estávamos os dois completamente nus, o quarto pareceu pegar fogo. O Ozzie cínico e debochado estava morto; ali existia apenas um homem completamente rendido à sua mulher.
Desci meus lábios pelo pescoço dela, mordiscando a pele sensível enquanto minha mão descia entre suas coxas, a encontrando completamente molhada e pronta para mim. Fernanda soltou um gemido sôfrego, jogando a cabeça para trás e cravando os dedos nos meus ombros, me puxando para mais perto.
— Ozzie… por favor… — ela pediu, o quadril se elevando num convite silencioso.
Eu não a fiz esperar. Prendi suas mãos acima da cabeça, entrelaçando nossos dedos, e entrei nela de uma vez só, em uma estocada profunda que nos fez soltar um suspiro uníssono. O aperto dela ao redor do meu membro era divino, um encaixe perfeito que me fez perder a razão.
Comecei a me mover em um ritmo bruto, mas carregado de adoração. Cada estocada minha era respondida com um arco do corpo dela, os seios fartos subindo e descendo rapidamente, os gemidos manhosos ecoando pelo quarto.
A Fernanda prendeu as pernas ao redor da minha cintura, me puxando ainda mais fundo, me incitando a perder o controle. Eu a beijava com fome, nossas respirações misturadas e agitadas. O prazer foi subindo, uma onda avassaladora que tomou conta de tudo.
Senti as paredes dela começarem a contrair ao meu redor, os espasmos do orgasmo dela me apertando até o limite. Ela enterrou o rosto no meu pescoço, soltando um grito abafado enquanto gozava, e aquele aperto foi o meu fim. Soltei um grunhido rouco, afundando uma última vez dentro dela, e desabei, derramando meu ápice no calor do seu corpo.
O suor misturava nossas peles enquanto desci o corpo para o lado, a puxando para o meu peito imediatamente. Ficamos deitados por um longo tempo, recuperando o fôlego, o silêncio do quarto preenchido apenas pelo som das nossas batidas cardíacas ritmadas. Eu acariciava as costas nuas dela com movimentos lentos, sentindo a calmaria se instalar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar