Capítulo 101
A sirene da ambulância cortava o ar e rasgava toda a avenida, ecoando como um lamento desesperado. Dentro do veículo, Ayla permanecia inconsciente, sua pele pálida contra o branco dos lençóis e da maca.
Juan, completamente aterrorizado e se forçando a continuar respirando a cada segundo, seguia a ambulância em seu carro, estava preso em um torvelinho de sentimentos, que ele sequer conseguia pôr em palavras.
Ao seu lado, Emma em sua cadeirinha e com os olhos arregalados de medo, segurava firme o braço do pai, os lábios um tanto trêmulos.
—Pai, o que aconteceu com Ayla? Ela vai ficar bem?— A voz de Emma também tremia, carregada de preocupação.
Juan tentou responder, mas suas palavras falharam. Como ele poderia prometer algo que ele mesmo não sabia? O medo o consumia, cada batida de seu coração ecoando como um tambor de incerteza.
Ele apertou o volante, os nós dos dedos brancos, enquanto seu coração também se apertava profundamente ao ponto de parecer completamente comprimido.
—Emma, querida, eu não sei.— Juan responde, por fim, sua voz tão baixa e tão trêmula quanto. —Mas ela precisa ficar bem. Ela vai ficar bem.— Juan afirma finalmente.
Juan estava se convencendo firmemente, porque a verdade era que ele não saberia o que fazer se a realidade fosse outra.
Então, acelerando, ele manteve seus olhos fixos na ambulância à frente.
Seus pensamentos eram uma completa confusão: a visão de Ayla desmaiando, a ameaça velada de Alison, ela ter estado tão próximo deles, e o completo desespero de não saber o que viria a seguir.
Juan se forçava a focar na estrada, mas cada pergunta de Emma perfurava sua concentração. Mostrando como ele não tinha controle de nada ao seu redor e tudo que ele podia fazer era esperar e esperar.
Quando finalmente chegaram ao hospital, a ambulância já estava descarregando Ayla. Juan então, saiu do carro rapidamente, puxando Emma consigo, mas não chegou há tempo.
Ele estava estático no lugar quando viu Ayla sendo levada para a emergência, assistindo os médicos agindo com pressa e eficiência.
Juan caminhou em passos rápidos em direção aquele burburinho. Queria segui-la, estar ao lado dela, no entanto, ele foi bloqueado por um dos enfermeiros.
—Você não pode entrar, senhor. Precisamos que espere aqui fora.
Juan engoliu em seco no mesmo instante, o desespero e a impotência querendo tomar conta do seu corpo. Mas tudo que ele pôde fazer foi parar e assistir enquanto Ayla fora levada completamente do campo de sua visão.
Juan sente um ódio quase cego querendo perfurar seu peito, mas então, ele olhou para Emma, que estava segurando sua mão com força. E naquele momento, ele soube que precisava manter a calma, pelo bem de sua filha.
—Emma, querida, precisamos esperar.— Ele diz, por fim, a voz completamente embargada pelo fingimento que a cobria.
Enquanto esperavam, Juan sentia que os minutos se passavam como horas, cada segundo uma tortura. Ele observava cada movimento ao seu redor, cada rosto desconhecido que passava. Tudo que pudesse desligar sua mente nem que fosse por um segundo, e fazer o tempo passar mais depressa.
Mas o tempo seguia cruel; lento e incerto.
E no fundo, Juan sabia que não poderia ficar ali parado, deixando Emma absorver toda aquela tensão.

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