Capítulo 102
—Ela está estável. Precisou de alguns exames e estamos monitorando-a, mas parece que foi uma combinação de estresse e uma queda brusca de pressão. Precisamos mantê-la em observação por mais algumas horas, enquanto esperamos o resultado.
Juan soltou um suspiro de alívio, sentindo uma onda de esperança e um peso absurdo ser tirado dos seus ombros.
—Posso vê-la?— ele pergunta logo em seguida.
—Sim, claro. Por aqui.
Juan seguiu o médico até o quarto onde Ayla estava. E assim que entra, a vê deitada na cama, ainda pálida, mas agora estava consciente. Ela virou a cabeça e sorriu fracamente ao vê-lo.
—Juan...— ela murmura.
Ele se aproximou no mesmo momento, segurando sua mão com cuidado.
—Você nos assustou, sabia?
Ayla apertou a mão dele de volta, sentia muito por ter despertado qualquer sentimento negativo e de medo sobre ele.
—Desculpa... Eu só... foi tudo tão de repente.— Ayla assume.
Juan assentiu, o alívio misturado com a admiração profunda que sentia por ela.
—Está tudo bem. Eu estou aqui agora. E não vou a lugar nenhum.— Ele diz simplesmente.
Ayla sorri com gratidão e aperta a mão de Juan com toda força que ainda restava em seu corpo. Ela leva a mão de Juan até seus lábios e o beija, demonstrando sua gratidão e apreço por ele.
No entanto, a memória da emoção que ocasionou tudo aquilo, vem até a mente de Ayla e atinge como uma marreta.
—Juan, a mensagem. A Al...— Ayla tenta falar e o desespero no seu tom é claro, mas Juan logo a interrompe.
—Ayla, não.— Ele diz simplesmente, silenciando seus lábios com as pontas dos dedos dele. —Hoje não. Não precisamos de estresse. Você só precisa se recuperar por mim. E por você.
Ayla não tenta rebater e apenas assente, porque vê medo e cansaço nos olhos de Juan e tudo que ela deseja, é arrancar aquilo dele.
Enquanto aquela noite se desenrolava, Juan permaneceu todo o tempo ao lado de Ayla, segurando sua mão e murmurando palavras de alivio e leves, tudo para tirar um sorriso do seu rosto.
Alheios a tudo que estava acontecendo, Amanda e Ryan estavam chegando em sua nova casa. A casa era grande, mas não tão opulenta quanto a mansão que haviam deixado para trás. Ainda assim, exalava um calor e uma intimidade que a fazia sentir-se como um lar.
Amanda observou enquanto os móveis eram organizados e as caixas de mudança, uma a uma, encontravam seus lugares. Ryan, no entanto, estava distante, a mente perdida em pensamentos que Amanda não conseguia alcançar.
Assim que toda a novidade e bagunça de toda aquela mudança, se acalma, Amanda lentamente se aproxima com um copo de água e o remédio dele.
Quando Ryan vê aquela pílula em sua mão, a expressão em seu rosto era de pura exaustão. Mesmo assim, Amanda entregou os comprimidos a ele, seus olhos fixos nos de Ryan, buscando uma conexão.
—Aqui está seu remédio,— disse suavemente, na ausência de palavras melhores.
No entanto, a ansiedade e confusão que Amanda ainda sentia em seu peito era tanta, que ela não resistiu a perguntar:
—Por que você realmente quis vir para cá, Ryan?
No mesmo instante, Ryan respirou fundo, hesitando antes de responder.
—Amanda, eu... só caí na real. Não queria vir antes porque não queria que você me visse definhando.
Ao ouvir aquilo, Amanda sentiu um aperto no peito, o amor e cuidado se expandindo. Ela então se inclinou e envolveu Ryan em um abraço apertado.
—Isso jamais aconteceria. Eu vou segurar todas as partes de você junto a mim,— sussurrou ela.
Ryan tentou sorrir, e retribuiu o seu abraço, mas Amanda ainda podia sentir a distância entre eles. E aquilo doía.
Ela recua um pouco, olhando profundamente em seus olhos, sabendo que ainda existia segredos entre eles, mas Amanda estava disposta a descobrir todos eles.

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