Capítulo 103
A luz da manhã filtrava-se suavemente através das cortinas do quarto do hospital, lançando um brilho tênue sobre Ayla, que lentamente abria os olhos na manhã seguinte aquele infortúnio.
Ao seu lado, no pequeno sofá, Juan dormia profundamente, os traços de cansaço evidentes em seu rosto. Ayla o observou por longos minutos, sentindo uma onda de gratidão e amor crescer dentro de si.
Em meio a tantas adversidades, ela tinha Juan. Um homem que havia passado a noite no hospital ao seu lado, o mesmo homem que estava sendo a pessoa mais incrível que ela já conhecera.
Ayla notou e decorou os detalhes de seu rosto, as linhas suaves ao redor dos olhos, a maneira como seus lábios se curvavam em um leve sorriso mesmo enquanto dormia.
Lágrimas de emoção encheram seus olhos, mas ela as conteve, respirando fundo para não o despertar. A luta entre fortes emoções em seu peito a deixara mais sentimental do que ela gostaria.
Mas observar Juan mais parecia ser uma espécie de recompensa por tudo que ela havia sofrido; a vida estava finalmente lhe dando algo bom.
Até que toda aquela tranquilidade foi interrompida por uma batida suave na porta.
Uma enfermeira entrou no quarto no mesmo instante, e trazia consigo uma bandeja de café da manhã.
O som na porta despertou Juan quase que automaticamente, e logo ele se levantou, assustado, procurando diretamente o olhar de Ayla.
Ao vê-la acordada e bem, um sorriso aliviado iluminou seu rosto. Ela sorriu de volta para ele.
—Bom dia, Senhorita Ayla,— disse a enfermeira, colocando a bandeja na mesinha ao lado da cama e chamando a atenção de Ayla de volta. —Aqui está o seu café da manhã. O médico virá em breve para falar com você.
Ayla assentiu, agradecendo com um sorriso. E logo em seguida, a enfermeira saiu do quarto, deixando Juan e Ayla a sós novamente.
—Como você está se sentindo hoje?— Juan perguntou, a voz rouca de sono, mas cheia de preocupação.
Seus olhos estavam fixos nos de Ayla, e sua mão, gélida buscava a dela, encontrando conforto e calor no contato.
—Melhor agora que você está aqui,— respondeu ela, com um sorriso terno que iluminou o quarto. —Obrigada por ter ficado comigo.
Juan segurou a mão dela com mais firmeza, sentindo a pulsação tranquila e ritmada, e em seguida, com uma delicadeza tocante, beijou suavemente cada um dos seus dedos, como se cada toque fosse uma promessa silenciosa.
—Eu não iria a lugar nenhum,— ele disse, a voz impregnada de promessas e emoção contida. —Você me assustou muito ontem.
Ayla baixou os olhos, o peso da culpa esmagando seu peito. Ela não gostava de saber que tinha causado qualquer sofrimento a Juan. Tudo o que queria era mudar de assunto e começar a organizar sua nova vida ao lado dele, sem sombras do passado.
Ela então virou para o lado, puxando a bandeja de café da manhã para mais perto. O cheiro de comida hospitalar invadia o ambiente, mas ela tentou ignorar isso.
—Vamos dividir isso,— ela sugeriu, o tom da voz carregado de esperança. —A comida do hospital é famosa por ser terrível, mas podemos fingir que estamos em um restaurante cinco estrelas.
Juan sorriu, o calor do sorriso se espalhando pelo rosto enquanto pegava um pedaço de torrada insípida e sem sal algum. Ele fez uma pausa, observando a torrada como se estivesse avaliando um prato sofisticado.
—Certo, vamos fingir. 'Qualidade gourmet', não é?— ele brincou, mas logo fez uma careta que arrancou uma risada de Ayla.
Eles riram juntos, o som ecoando pelo quarto estéril, enquanto faziam piadas sobre a comida do hospital, transformando um péssimo desjejum em um momento de leveza. A risada partilhada trouxe um conforto inesperado ao coração de ambos, um alívio doce das tensões dos dias anteriores. Naquele instante, no meio de torradas insossas e sorrisos cúmplices, encontraram uma nova força e renovaram as esperanças para o futuro que estavam prestes a construir juntos.

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