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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 105

Capítulo 105

Ayla sentia seu coração batendo descompassado. A notícia da gravidez era algo que ela nunca havia previsto, ainda mais em um momento como aquele. As palavras do médico ainda ecoavam em sua mente, mas ela não conseguia encontrar uma maneira de processá-las.

Ela olhou para Juan, que parecia tão perdido quanto ela. Ambos estavam em silêncio, seus olhares refletindo o medo e a confusão que sentiam de um futuro completamente incerto.

Antes que pudessem trocar qualquer palavra, mas era provável que naquele momento, não tivesse nenhuma palavra existente, o médico saiu da sala, interrompendo o momento de completo silêncio e terror.

—Em poucas horas, você será liberada, Ayla,— afirmou ele, deixando-os sozinhos novamente, apenas por um instante.

E foi no mesmo momento em que o médico abriu a porta para sair, que Emma entra correndo no quarto novamente, cheia de energia e expectativa.

A expressão no rosto de Ayla e Juan falava mais do que mil palavras e aquilo foi o suficiente para toda a felicidade e empolgação no rosto de Emma, diminuir drasticamente.

E tudo que se seguiu, foi rápido demais, Juan, sem conseguir processar tudo racionalmente, levantou-se abruptamente e saiu do quarto, deixando tudo para trás. Ele caminhou rapidamente pelos corredores do hospital, sentindo-se sufocado pela pressão crescente dentro de si, o coração batendo completamente fora do ritmo.

Ainda sem pensar com nenhuma racionalidade, Juan entra no seu carro e começa a dirigir sem rumo, guiado apenas pela tempestade de pensamentos em sua mente.

Ele dirige pelos próximos longos minutos, até que se viu parando naquela parte quase deserta da cidade, a beira do mesmo precipício onde, meses antes, havia confessado os segredos da sua vida inteira para Ayla.

A verdade era que aquele lugar sempre fora um espaço de desabafo, de revelações e de solitude para Juan. Por isso, naquele momento, aquele parecia ser o único lugar onde ele poderia tentar entender o caos que sua vida se tornara.

Juan então saiu do carro, os nervos ainda à flor da pele. Pegou uma caixa de cigarros do bolso e começou a fumar compulsivamente, tentando encontrar algum alívio na nicotina, enquanto buscava controlar sua respiração.

Juan estava no meio de um surto iminente, que ele sequer notara quando as palavras começaram a sair de sua boca em um fluxo contínuo e desordenado, indo em direção ao vento e o penhasco abaixo dos seus pés.

—Como isso pode estar acontecendo agora? Um bebê? Justo agora que tudo está desmoronando?— ele falou para si mesmo, a fumaça do cigarro escapando de seus lábios junto com suas preocupações.

Juan ainda tinha complexos internos e problemáticos consigo mesmo sobre não conseguir ser um bom pai. Diariamente, ele lutava para ser tudo para Emma, mesmo em todas suas falhas. Por isso, tudo que ele pensava naquele momento, era que, certamente, ele falharia com Ayla e com um novo filho.

Juan ainda seguia perdido em seus pensamentos e neuras quando ouviu passos se aproximando.

Virou-se rapidamente e viu a figura familiar: Emilio, o seu motorista, alguém que parecia sempre estar presente nos momentos de necessidade. Aliás, ele estava trabalhando com Juan há tempo o suficiente para isso.

—Emilio?— Juan chamou, surpreso.

—Senhor Barichello,— Emilio respondeu com um aceno de cabeça e ousou se aproximar. —O que você está fazendo aqui, sozinho, a essa hora?

Juan hesitou por um momento. A verdade era que nem ele mesmo sabia, todas suas motivações e decisões girando confusas em sua mente. E ele permanece em silêncio, enquanto finaliza um maço completo de cigarros e pega outro.

—Senhor Barichello, desculpe a intromissão. Mas eu já o conheço o suficiente para saber quando tem algo de errado.— Emilio começa. —E o senhor já me conhece o suficiente para saber que pode contar comigo. Minha lealdade sempre estará com o senhor.

Juan respira fundo e expira fortemente, a fumaça saindo dos seus lábios. A verdade era que ele estava cansado, exausto e sabia que toda palavra que saíra da boca de Emilio, era verdade. E naquele instante, Juan apenas sentiu uma necessidade absurda de colocar tudo aquilo para fora, de falar em voz alta tudo que estava acontecendo, para quem sabe, assim, ele percebesse que aquilo era real.

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