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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 13

—Você não me tem para que algo me tire de você.— Cuspo com raiva, logo após o choque de sua confissão se esvair.

Para minha surpresa, Juan se afasta de mim e eu fico livre entre ele e a parede. Sei que naquele instante, eu só poderia ir embora, me afastar rapidamente dele, com toda a dignidade que um pé machucado me daria. No entanto, havia algo em seu olhar que me deixou parada exatamente no mesmo lugar.

—É impossível manter qualquer conversa com você.— Juan resmunga em seguida e vejo sua testa franzida de insatisfação.

Não posso evitar sorrir.

—E desde quando você sabe conversar com alguém?— rebato. —Você só saber mandar, e usar três ou quatro palavras cheia de enigmas. Mas acabei descobrindo que o que você gosta mesmo de fazer, é comentar sobre a personalidade e aparência alheia.

Vejo quando Juan solta um longo suspiro de exasperação e já parece exausto com meus comentários. O que era uma pena, porque eu só estava começando.

—Eu adoraria ficar aqui e te explicar a mesma coisa mais um milhão de vezes, mas não estou a fim e você está perdendo muito sangue. Então, se me der licença...

Não tenho sequer tempo de processar, porque no instante seguinte, Juan passa os braços por trás dos meus joelhos e me levanta, como se eu pesasse apenas uma pluma.

—O que diabos está fazendo?— eu grito e dou pequenos toques em seus ombros. —Me põe no chão!

Ele continua fazendo o que faz de melhor ao me ignorar e me leva até o quarto em que ele estava antes.

Ao chegar naquele espaço, ele me coloca sentada em uma poltrona de couro escuro e dá as costas para mim. No mesmo instante, tento levantar, mas assim que o meu pé encontra o chão, eu gemo de dor.

É, talvez eu realmente estivesse machucada.

—Você tem toda liberdade e todo o tempo do mundo pra reclamar do que quiser, desde que faça isso sentada.— Juan volta em minha direção, trazendo agora um kit de primeiros socorros.

Dessa vez, eu me vejo em silêncio porque sinto o corte em meu pé arder. No entanto, segundos depois aquela ardência tem seu toque substituído por faíscas. Sinto o toque de Juan nos meus pés e por mais que eu quisesse fugir daquilo, apenas um toque, me faz arrepiar-se por inteira, havia sido real o suficiente. E eu precisava me libertar daquela dor.

—Se estiver doendo muito, me comunique.— Ele explica e começa a analisar meu pé. —Não foi um corte fundo. Só precisa ser limpo e de um curativo.

Ouço tudo calada enquanto seus olhos seguem presos em todo o processo que ele está realizando.

—Não se preocupe com o vaso, pode descontar do meu salário... Ai!— gemo de dor no instante que o produto que ele coloca em pé encontra o corte.

Vejo um pequeno sorriso em seus lábios e soube que ele fez aquilo de propósito. Desgraçado.

Minutos depois, sinto o meu pé ainda dolorido, mas sem as fortes dores que me incomodavam antes.

—Obrigada.— Eu resmungo entredentes e me levanto, só querendo sair rapidamente daquele local.

Juan fica parado, me encarando. Não faz uma pergunta sequer, não diz uma única coisa que tente justificar tudo que ele havia dito a Ax antes. Só me encara, profunda e silenciosamente.

Eu sabia que não fazia sentido algum, mas algo em meu cérebro ficava alertando que Juan parecia muito mais atraente quando se tornava frio daquele modo. Mas eu sabia que o meu cérebro nem sempre era 100% racional.

—Eu só ando estressado.— Ouço a voz dele de repente, quando já estou próxima a porta.

—Ah, você está estressado ultimamente.— Eu repito com ironia quando eu volto a o encarar. —Adivinha? Eu também estou. Mas nem por isso vai me ouvir falando tantas coisas dolorosas sobre qualquer pessoa.

—Meu Deus, você pode só me ouvir?— a voz de Juan soa alta pela primeira vez desde que o conheci e isso me faz congelar no chão. —Nada que falei sobre você é verdade. Acha mesmo que eu faria questão de mantê-la em nossas vidas, se eu a visse daquela maneira? Você só é tão...— ele para no meio da frase.

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